
No que diz respeito às semelhanças, em 68 tentava-se implementar um novo sistema de diplomas universitários que iria criar injustiças flagrantes; a maioria dos estudantes opunha-se à guerra do Vietname e à tentativa do imperialismo norte-americano de restabelecer o seu controlo no Sudeste asiático. Para contrariar tudo isso, os estudantes começaram por invadir a Sorbonne. Como nunca fiz nenhuma sondagem acerca das razões do descontamento actual posso apenas falar dos protestos anti-CPE (que é, pelas razões que acima enumerei, francamente injusto) e das semanas que a França passou "a ferro e fogo" aquando dos confrontos entre os jovens dos bairros sociais e a polícia. Facilmente se percebe que as razões flagrantes para esta revolta são de natureza laboral, mas se querem saber a minha opinião, uma boa parte desta gente não verá com bons olhos a guerra no Iraque e o imperialismo americano a querer impor-se ao Irão, à Síria entre outros (nem vou falar do Afeganistão porque considero que aí o imperialismo já triunfou).
Em relação às diferenças, podemos afirmar que o movimento (até agora) não está, nem de perto nem de longe, generalizado na sociedade francesa. No entanto, os violentos protestos a que assistimos há alguns meses (com carros queimados e confrontos com a polícia) também estavam relacionados com políticas, ou ausência delas, relacionadas com emprego. Outra grande diferença é que França é um dos países mais inovadores no que diz respeito à legislação laboral (a eles devemos a semana de 40h de trabalho, por exemplo) e neste momento, através deste projecto de lei, está a tentar legitimar a criação de uma geração de sacrificados. É caso para perguntar: "Onde é que já vai o ideal da revolução de 68 ?" Já se sabia que estava morto mas a vir a ser aprovada esta lei é caso para dizer que já foi digerido pelos vermes e está neste momento a viver sob a forma de vegetal.
Na passada quinta-feira deu-se início ao movimento de protestos estudantis (estima-se que entre 30 a 45 Universidades num total de 84 estiveram em greve ou boicote às aulas), na semana que agora se inicia espera-se que mais se juntem e o governo já começa a dar sinais de preocupação pois no domingo à noite, no telejornal da TF1 o PM Dominique de Villepin anunciou que ia propor a criação de "garantias suplementares" para o CPE. No entanto, os líderes estudantis afirmaram que o PM não percebeu a juventude, que usou os mesmos "argumentos enganadores" que vinha usando desde o início da polémica e que a sua proposta "não é sincera". Numa semana que se prevê decisiva, Nicolas Sarkozy continua "a curtir" a sua estadia nas Antilhas de onde tem tentado gerir a crise mas, pelos vistos, sem sucesso. Foi outra das razões pelas quais decidi fazer o paralelo com o Maio de 68 pois nessa altura o PM esteve fora de Paris entre 2 e 11 de Maio enquanto que o General De Gaulle partiu em viagem oficial de 14 a 19 do mesmo mês.
Espero ter conseguido explicar e clarificar a minha posição face a esta situação e gostaria que quem tivesse mais informações as trouxesse para a discussão. Eu, pela minha parte, prometo voltar a este assunto assim que obtenha mais dados.
3 comentários:
Que salganhada de clichets, que ligeireza e superficialidade, que pobreza de análise. "Já a formiga tem catarro". Leia-se e analise-se, sem ser vaidoso. E deixe a liguagem de puto.
Cof cof cof...eu, barata constipada, não me consigo conter, tenho mesmo de elogiar a profunda análise do mr.jim...cof cof cof...maldita tosse.
Aliás pedia que se contesse no uso de argumentos, nem eu nem o meu colega (formiga com catarro) temos tempo ou inteligência para os refutar.
Caro mr. jim: obrigado pelo seu comentário tão construtivo! Tenha é mais mais cuidado com a ortografia!
Enviar um comentário