segunda-feira, dezembro 28, 2009

Defina conhecimento relativo...

"O grande desafio passa logo por começarmos com a complicada missão de eleger o novo Reitor. Não conhecemos ninguém (eu e os restantes membros externos que integram o CG) e temos um conhecimento relativo da Universidade. Depois há também docentes que podem ser belíssimos professores mas não perceberem qual a missão da universidade. Vai ser uma escolha muito difícil: primeiro, não conheço os candidatos, segundo, vai ser um processo aberto ao público; terceiro, vai obrigar-nos a questionar violentamente, no bom sentido, os candidatos para ter a certeza de que escolheremos um candidato que sirva o interesse da universidade nos próximos anos"

A mercantilização do ensino superior é por demais óbvia, não deixa de ser sintomático que o Presidente do Conselho Geral seja proveniente de uma empresa conhecida pelo seu sector de distribuição alimentar. Ainda espero por uma parceria Pingo Doce-UA, onde os licenciados estagiam no dito supermercado, quem diz que o desemprego é mau não sabe mesmo o que é capitalismo.


Alexandre Soares Santos admite que tem um "conhecimento relativo" da Universidade mas, apesar disso, avisa que havendo bons professores estes podem não saber qual a missão da Universidade. Portanto: "não conheço isto muito bem, mas apesar disso estou disposto a descartar grandes académicos com anos de casa porque eu sei qual a missão e eles não". Confuso? Pelo contrário, bastante esclarecedor. Isto, parecendo que não, diz muito dos critérios de escolha...dou uma pista, não são critérios académicos.

A UA está a pagar o preço de ter uma reitora que, não querendo discussão política na Universidade, faz um jogo permanente de influências políticas ou alguém acharia que se passa uma instituição de ensino superior público para fundação de direito privado sem mais nem menos?


quinta-feira, dezembro 17, 2009

Iniciativa privada irrita liberais do Norte

A comicidade da política reside muitas vezes na incoerência alarve de agentes políticos. Na realidade, a incoerência, a desonestidade intelectual e outras coisas bonitas são coisas muito graves, mas o humor é a forma de sobreviver à tragédia, é a sanidade possível que nos permite coexistir com esta realidade. Aliás, repare-se na trágica citação que dá nome a este blogue: "A cultura actual impõe-nos uma coexistência humorística.".

Na realidade, não existe da parte deste sujeito que escreve nenhum sentido de humor apurado, existe sim o sentimento inglório de que o humor é nos imposto pela necessidade de coexistência. Em Portugal, coexistir com um estado de bo
vinidade abundante realiza-se na forma humorística porque, apesar das sérias consequências de maiorias elegerem personagens irresponsáveis, o pressuposto democrático leva-nos a aceitar coisas que a própria democracia permitiria corrigir.

Em Portugal não se reconhece gente pouco séria que use gravata, apesar de até os palhaços recorrem à dita peça de vestuário ainda há quem consiga mistificar e tirar ilações políticas de um pedaço de tecido que dignifica o usuário. Rui Rio e Luís Filipe Menezes usam gravata, no entanto não revestem a sua conduta de coerência, seriedade e responsabilidade social. Mas, volto a sublinhar, usam gravata, como tal não é estranho que o que lhes suscite a maior indignação seja a questão mais fracturante a nível nacional: o Red Bull Air Race vai para Lisboa. E que tal um referendo? E a Constituição permite? Será que não devíamos ter uma lei que tratasse esta matéria?

Os autarcas alinham o discurso: o governo centralizado sobre Lisboa e as suas instituições trataram de deslocalizar o evento. Como liberais que são, apontam os defeitos sempre para as instituições democráticas, apesar de liderarem as suas respectivas e gostarem bastante de usar as suas vitórias democráticas para justificarem medidas que a razão desconhece. Acontece que a decisão partiu da iniciativa da própria Red Bull...upa, upa, e agora? O liberalismo não interessa aos autarcas em causa, vão rever a matéria ou vão manter-se convictos apesar de a decisão de uma empresa privada lhes ser prejudicial? Estes são "liberais de bolso", porque tiram e voltam a pôr a cartilha no bolso conforme as circunstâncias.

Pois claro, as iniciativas privadas não se prendem com interesses democráticos ou coesão nacional. Efectivamente o Porto precisava mais desta iniciativa do que Lisboa, aliás um modelo político falhado é aquele que mais precisa de iniciativas privadas para reavivar a economia local. Nesse sentido Portugal inteiro precisava de um evento destes que, não resolvendo nada, ajuda o autarca a ganhar a simpatia dos comerciantes locais e a disfarçar a ausência de uma estratégia económica sustentável.

Mas apesar da extrema importância destes temas fracturantes, não devemos negligenciar temas menores como a forma como Rui Rio exerce a sua responsabilidade social no município do Porto. Antes demais devo dizer que Rui Rio é perspicaz, este percebeu que pobres a viver em terrenos com vista para o Douro representam um poderoso lobby que atrasa o desenvolvimento do Porto. Por isso mesmo, quer demolir o bairro do Aleixo. Os pobres impedem que o grupo Esírito Santo, através da parceria público-privada GESFIMO, possam ter uma receita de 63 milhões de euros em empreendimentos imobiliários com um preço por metro quadrado de 3000 euros.

P.S. Agora imagine-se o lamentável sucedido: agora que o Red Bull Air Race vai para Lisboa, será que o preço por metro quadrado descerá para os 2900 euros? São estas questões prementes às quais os liberais são sensíveis e para as quais a esquerda em geral é ignorante, irresponsável e radical.

Esta mania que a política tem de conspurcar os locais sagrados dedicados ao estudo! Que asco!

Pois é, razão tinha Ricky Gervais quando dizia que a política está em toda a parte! E a Universidade de Aveiro não é excepção!
AQUI o João tinha criticado o facto de Helena Nazaré se ter mostrado "agastada" quando se tratou de acolher na UA um debate promovido pelo B.E., chegando mesmo a considerar a situação como "lamentável"! MAS isso não impediu a reitora de receber, dois dias depois do debate promovido pelo B.E., e com um sorriso rasgado, os candidatos do P.S. à A.R. - Maria de Belém Roseira e Filipe Neto Brandão.
E agora? Que terá dito Helena Nazaré quando recebeu e cumprimentou (com ar subserviente) José Sócrates, José Mota e restante comitiva na sua Universidade?

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Oh Flor, ficaste entaladita?

Maria Flor Pedroso entrevista José Manuel Pureza, líder da bancada parlamentar do BE.

Mª Flor Pedroso: José Manuel Pureza, deputado nem há três meses. Inquieta-o não saber quem é que se absteve na sua eleição para líder da bancada parlamentar?
José Manuel Pureza: Não, não me inquieta rigorosamente coisa nenhuma...
Mª Flor Pedroso: Mas sabe quem é?
José Manuel Pureza: Sei, sei perfeitamente. Fui eu próprio.
(Após uma grande pausa a entrevistadora limitou-se a dizer o que a seguir se transcreve)
Mª Flor Pedroso: Ah!

Para ver a entrevista completa é só clicar na imagem e abrir o flash player da RTP. O excerto de cima surge logo nos 3 primeiros minutos!

sexta-feira, novembro 27, 2009

Já dizia Vitorino: - Habituem-se!

Pormenor delicioso!

Numa entrevista concedida por Michael Moore para promover o seu mais recente filme - Capitalism: A Love Story - o realizador sai-se com esta pérola.

A maior contradição relativa aos filmes de Moore é que eles renderam muito dinheiro aos estúdios que o apoiaram. É por isso que se chama "Capitalismo: Uma História de Amor"? "Sim, porque eu amo-os por me deixarem fazer este filme", brinca. "Podemos perguntar porque é que estas empresas dão dinheiro a um tipo que defende coisas diametralmente opostas a tudo o que eles defendem. Permitem-me fazer estes filmes porque tiro partido de uma das falhas bonitas do capitalismo: o capitalista vende-nos a corda com que se há-de enforcar se puder ganhar um dólar com isso."

:D

domingo, novembro 22, 2009

Responsabilidade é manter a coerência!

Há pouco menos de um ano, o PSD apresentava na A.R. um projecto-lei que visava a suspensão da avaliação dos professores. Na altura, o PSD tentava redimir-se (sem sucesso e derrotado já a partida) da ausência, na semana anterior, de 30 deputados do partido na votação que teria suspendido a avaliação dos professores.

Na passada sexta-feira, dia 20 de Novembro de 2009, o mesmo modelo de avaliação de professores não é suspenso, pois o PSD abstém-se na votação dos sete diplomas que previam a suspensão desse modelo, pelo que estes foram inviabilizados, também com os votos contra do PS.

Aliás, o único diploma aprovado foi o do próprio PSD que recomenda que, no âmbito do processo negocial em curso e no prazo de 30 dias, seja revogada a divisão da carreira docente e seja concretizado um novo regime de avaliação. OU SEJA, na prática o que temos é uma "recomendaçãozinha" sem carácter vinculativo que deixa a porta aberta ao PS para continuar a fazer o que muito bem entende (e a esfregar as mãos de contente), dando possibilidade (embora não dê legitimidade porque este nunca foi o seu "campeonato") ao PSD de afirmar que fez parte da solução!
E ainda se admiram de andarem pelas ruas da amargura? Apregoam "política de verdade" e saem-se com estas? Haja pachorra!
Deste modo, a maioria do Parlamento (o Bloco Central) decidiu que o actual modelo de avaliação continua, numa altura em que o ministério da Educação negoceia com os sindicatos dos professores um novo modelo.

Parafraseando Filipe Tourais (autor do blogue O País do Burro): até aqui "tínhamos uma maioria autista e arrogante composta por um só partido. Agora, temos uma maioria com as mesmas características da anterior, mas composta por dois partidos que negoceiam protagonismos entre si."

Pois bem, os milhares de professores que lutaram contra este modelo de avaliação (de entre os quais muitos votaram no PSD) merecem muito mais do que isso. Merecem governantes responsáveis e, acima de tudo, coerentes!

Ora, neste caso, os únicos partidos a mostrar responsabilidade e coerência foram BE, PCP/PEV e CDS-PP que votaram a favor dos diplomas que propunham a suspensão do modelo de avaliação. No entanto, no que diz respeito ao CDS-PP, é já mais que sabido que defende o modelo de avaliação/gestão do ensino particular e cooperativo (o que é coerente com a sua ideologia) mas, neste caso, não resolve os problemas do Ensino Público e muito menos a fragmentação da carreira docente, já para nem falar do modelo de gestão, que agrava ainda mais as desigualdades impostas pelo modelo actual.

Resumindo e concluindo, ASSIM SE VÊ A FORÇA DO BE (e vá, do PCP)!

quinta-feira, novembro 19, 2009

Que soem as trombetas!

Lançamento de petição à Assembleia da República pelos direitos dos trabalhadores a recibos verdes nas contribuições à Segurança Social

É preciso agir perante as injustiças que a precariedade nos impõe. Foi isso que levou estes 4 movimentos - APRE! (Activistas Precários), FERVE (Fartos/as d'Estes Recibos Verdes), Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual e Precários Inflexíveis - a juntarem-se para promover uma petição à Assembleia da República, que reunirá milhares de assinaturas para combater as injustiças nas contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores e trabalhadoras a recibo verde.


A maioria dos recibos verdes são falsas prestações de serviços. São 900 mil pessoas que deveriam ter um contrato de trabalho e que assim ficam sem direitos básicos: protecção no desemprego, enquadramento legal dos tempos de trabalho ou períodos de descanso, férias pagas, “subsídio de férias” e “subsídio de Natal”, estando ainda quase sempre impossibilitadas de usufruir dos seus direitos em situação de doença ou parentalidade.

Sujeitos à ilegalidade dos falsos recibos verdes, quase sempre com baixos salários, contribuem para a Segurança Social, mas quase sem contrapartidas. Os patrões, que obrigam todas estas pessoas a trabalhar sem o contrato de trabalho a que têm direito, exploram e lavam as mãos.

É assim que muitos destes trabalhadores se vêem impossibilitados de cumprir as suas prestações para a Segurança Social. Com baixos salários, sem direitos e deixados sozinhos nesta responsabilidade, milhares de pessoas estão a acumular uma dívida injusta, enquanto os patrões infractores continuam alegremente uma das maiores fraudes sociais do país.

Porque queremos defender a Segurança Social para todos,

Porque não podemos aceitar a imposição duma dívida injusta, sem que os empregadores cumpram as suas responsabilidades,

Apelamos à tua participação nesta iniciativa e convidamos-te para a festa de lançamento da petição à Assembleia da República para exigir a reposição dos direitos nas contribuições para a Segurança Social dos trabalhadores e trabalhadoras a recibos verdes!


Espaço Interpress :: Rua Luz Soriano, 67 (Bairro Alto, Lisboa) :: Metro Baixa / Chiado

Próxima 6ª feira, dia 20 de Novembro :: a partir das 21h30

Lançamento da petição :: Música :: Convívio :: Bancas :: Exposições :: DJ Nuno Lopes e DJ Mute :: VJ Zekanz

http://antesdadividatemosdireitos.blogspot.com/

antesdadividatemosdireitos@gmail.com


Aparece e divulga!

terça-feira, novembro 17, 2009

"Halle-fuckin-lujah!"

Finalmente, já tem data de estreia marcada no nosso país
26-11-2009

sexta-feira, novembro 13, 2009

Uma mentira dogmática

O Ministro da Presidência Pedro Silva Pereira salvaguarda a recusa da proposta de criminalização do enriquecimento ilícito afirmando que os "arguidos, que não têm que fazer prova da sua inocência [através da inversão do ónus da prova]".

Pedro Silva Pereira não é ingénuo e quis estancar o debate ao declarar a inconstitucionalidade da medida. Bem sabe que se conseguir arranjar uma lei que iniba, de alguma forma, o combate à criminalização do enriquecimento ilícito se vai agarrar a ela com unhas e dentes para evitar o debate que lhe é completamente desfavorável. Não há margem, ninguém, nem que hipocritamente, se consegue opor a medidas de combate à corrupção. Se o debate, a razão e a opinião pública são desfavoráveis então precisamos de um dogma que substitua a discussão política e pública por uma verdade indiscutível. A certeza com que o Ministro fez a afirmação, reforça a minha convicção de que este precisava urgentemente de um argumento de autoridade que silenciasse o debate. (técnica já muito vista e gasta, especialmente em matéria económica)

O problema, neste caso, é que o dogma é uma mentira...azar dos diabos.

Resumindo e simplificando: o ónus da prova constitui-se como a obrigação de provar determinada alegação ou acusação. Nesse sentido, quem incrimina tem de "fazer" prova de acusação, tem de demonstrar lógica e factualmente que as suas acusações são verdadeiras. Até aqui tudo pacífico, em qualquer argumentação, ou debate podemos ver estas regras implícitas (à excepção das homilias). O problema reside quando é o alvo da acusação que tem de provar que as acusações são falsas, ou seja, em certos casos, considera-se que o acusado está em melhor posição e tem o dever de provar inocência (inversão do ónus da prova).

Pedro Silva Pereira considera esta medida inconstitucional porque diz inverter o ónus da prova, ou seja quem é acusado é que se vê obrigado a provar a sua inocência e não o contrário. Mas isso é falso, porque ao abrigo da quebra do sigilo bancário o Ministério Público tem a prova de como a declaração de rendimentos de indivíduo X não é compatível com os valores apurados através da consulta das contas do mesmo titular. Logo, não há inversão do ónus da prova, porque efectivamente a acusação do Ministério Público é acompanhada da prova do mesmo. O que pode suceder, é o acusado mostrar provas em contrário, em que de facto demonstre que havia rendimentos de outro tipo (heranças, totoloto) que não constituem matéria de enriquecimento ilícito.

Logicamente, pode-se questionar: sendo esses instrumentos legítimos o Ministério Público não deveria ter conhecimento deles? Com certeza, mas cabe ao beneficiário notificar as finanças dos diversos rendimentos, logo, não o fazendo está a ocultar a fonte dos mesmos. Podemos imaginar até uma situação em que, um contribuinte, para se esquivar a impostos acaba por incorrer em crime de enriquecimento ilícito, naturalmente que, perante a maior gravidade do crime, irá tentar provar que os rendimentos são de fonte legítima e apenas ser penalizado for fuga fiscal.

Mesmo que houvesse inversão do ónus da prova, convém lembrar que esse é praticamente um princípio basilar em matéria de finanças. Repare-se que todos os portugueses são obrigados a declarar o que recebem, ou seja, não se limitam a pagar impostos e depois as finanças (por artes mágicas) a adivinhar se esses impostos estão em consonância com os rendimentos. Curiosamente, existe uma "indignação selectiva", já que ninguém levantou problemas quando a "Segurança Social passou a exigir o acesso às contas de todos os candidatos ao Rendimento Social de Inserção ou Complemento Social de Idosos."

E naturalmente terá de ser assim, porque, caso contrário, como poderiam as finanças ter matéria para actuar?

As resistências do PS nesta matéria são o pior sinal, não transmitindo confiança aos portugueses e alimentando um clima de suspeição.

terça-feira, outubro 20, 2009

Continua o pessimismo

Oiço Mira Amaral a falar em sinais de "retôma" económica, mas não ouvi o que tanto se espera: sinais de retoma económica.

Estou certo que é uma questão de tempo...

terça-feira, outubro 13, 2009

Ignorância - factor multiplicador do capitalismo

Uma educadora de infância de 36 anos, em Antena Aberta na RTPN, acaba de se queixar pelo facto de não receber uma casa por oposição aos ciganos a quem dão tudo. O capitalismo reproduz-se na ignorância xenófoba, criou excluídos incapazes de analisar a realidade social e cuja desorientação encaixa na perfeição em discursos falsos e irresponsáveis sobre rendimento mínimo.

Os pobres lutam entre si pelas migalhas, os defensores do capitalismo agradecem.

"De acordo com os dados oficiais da Segurança Social referidos nestes jornais, cerca de 40% das pessoas abrangidas pela prestação são crianças e jovens até 18 anos.

O relatório da Segurança Social indica também que 30% dos beneficiários do RSI tem outros rendimentos: por exemplo, outras pensões, subsídios ou salários, mas que não permitem uma vida com um nível mínimo de bem-estar."

quinta-feira, outubro 08, 2009

Preconceito mal informado

Hoje decorreu um debate na rádio Terranova entre os diversos candidatos à Assembleia Municipal de Aveiro. Um dos temas foi a questão da democracia representativa versus democracia participativa. É lógico que as democracias devem ser representativas e participativas, o problema reside no grau de representatividade e participação, sendo o que o grau da primeira está demasiado inflacionado e o da segunda demasiado deflacionado.


No entanto, escrevo para salientar como o preconceito ideológico pode ser traiçoeiro. O candidato do PS Raul Martins, em resposta às reclamações por mais democracia participativa veiculadas pelo candidato do BE Ivar Corceiro, afirmou que esses modelos são baseados em regimes como a Albânia ou a China. Raul Martins quis associar as propostas do BE a regimes não democráticos. Acontece que o problema dos regimes não democráticos reside precisamente na não soberania do povo, no facto de as decisões do mesmo não serem respeitadas, ou seja o oposto de democracia participativa. A crítica de RM dá força aos argumentos de exigência de mais participação da população. Segundo RM, a nossa já madura democracia não tolerava tais concepções, apesar de logo a seguir sublinhar que o próprio PS reclamava por um orçamento participativo há já algum tempo. Mas para que se dissipem dúvidas, o artigo 2º da Constituição da República Portuguesa dá-nos uma boa resposta de qual deve ser o caminho.

"A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa."

terça-feira, setembro 29, 2009

Tradição vs lei e democracia

Como se pode ler no trecho abaixo, parece que a reitora da Universidade de Aveiro, Helena Nazaré, ficou "agastada" pelo facto de ter sido obrigada a ceder um espaço da Universidade para que o Bloco de Esquerda fizesse uma sessão/debate de ideias políticas.



Quando a tradição é argumento estamos conversados. Não há lógica que sustente que o debate político se mantenha afastado de espaços tão importantes na formação de um indivíduo. Recordo-me de um discurso do actual Presidente da República que sublinhava o afastamento dos jovens em relação à política, ora nada melhor para fortalecer os laços entre juventude e política do que afastar a política de espaços públicos predominantemente juvenis. Parece que está subjacente a ideia da política como conspurcadora do meio académico, a política como "coisa suja" que polui o ambiente profissional e independente das universidades. Mas, mais uma vez, a realidade colide frontalmente com estes preconceitos, é que a própria universidade é ela um meio político, onde se concorrem a eleições para diversos órgãos e onde se reconhece uma relação não assumida entre algumas "jotas" e associações estudantis. Entre a política estar travestida no meio académico e estar assumidamente no mesmo, parece-me claro o valor da honestidade da segunda forma. A passagem a fundação de direito privado da UA foi uma decisão política, altamente negociada entre universidade e governo que "acenou" com um aumento de verbas para incentivar tal mudança. Aliás, tal decisão política acarreta consequências políticas nefastas. A política está nas universidades, está nas empresas, está na comunicação social, está um pouco por todo o lado. Se a política está presente, as decisões políticas devem ser assumidas abertamente e o debate deve ser alargado e não silenciado.

Mas se a lógica não corrobora a tradição, nem a lei fez esse frete e manteve-se o imperativo de que espaços públicos são espaços abertos a todos e abertos ao debate político.

Constato com prazer que Helena Nazaré, apesar de "agastada", recuperou o fôlego para receber pessoalmente figuras ilustres da sociedade portuguesa sem qualquer vínculo partidário (ver abaixo). Constato também que no mesmo momento em que a reitora lamentava o sucedido, tinha como convidado para orador Medeiros Ferreira. Não duvido dos méritos académicos de Medeiros Ferreira mas também não duvido que seja membro assumido do Partido Socialista. Ai a coerência...




P.S. Depois da CNE "injustamente" obrigar a cedência de espaços públicos para iniciativas políticas, nada como uma visita de candidatos do PS às legislativas para que a reitora recupere o sorriso.

sábado, setembro 19, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

Há jogadores de ténis...

e depois há um tal de Roger Federer! vale a pena ver em HD :)

segunda-feira, agosto 31, 2009

Debates televisivos para as Legislativas

Quarta, 2 – Sócrates vs. Portas (TVI);
Quinta, 3 – Louçã vs. Jerónimo (SIC);
Sábado, 5 – Sócrates vs. Jerónimo (TVI);
Domingo, 6 – Louçã vs. Ferreira Leite (TVI);
Segunda, 7 – Portas vs. Jerónimo (SIC);
Terça, 8 – Louçã vs. Sócrates (RTP); o meu prognóstico para este é "Quinjajero, Quinjajero!" (Quinze a zero! 15-0)
Quarta, 9 – Ferreira Leite vs. Jerónimo ( TVI);
Quinta, 10 – Portas vs. Ferreira Leite (RTP);
Sexta, 11 – Louçã vs. Portas (RTP);
Sábado, 12 – Ferreira Leite vs. Sócrates (SIC)

via Arrastão

terça-feira, agosto 25, 2009

É para quando?

Ponte das Agras (Esgueira) ainda sem data de abertura

Quem faz a pergunta pode muito bem apresentar um cenário possível de resposta: talvez façam como o anterior executivo que inaugurou o túnel da Estação uma semana antes das eleições e lá colocou um cartaz com um "incentivo" ao voto em Alberto Souto?

sexta-feira, agosto 07, 2009

É cá da terra...

A Câmara Municipal de Aveiro transferiu os terrenos das piscinas para o Beira-Mar por 1,2 milhões de euros e o clube vendeu os mesmos por 2,5 milhões de euros, devolvendo 1,2 milhões de euros à autarquia e encaixando 1,3 milhões de euros para o clube.

Primeira, pergunta:

Se o valor subavaliado do terreno era para ser devolvido à CMA, então porque foi necessário transferir para o Beira-Mar para depois o mesmo ficar com o remanescente?

Até ao PS "soa mal"...

Estranho mas "previsível", já antes a autarquia havia sido questionada se após transferência do terreno para o Beira-Mar o clube não iria vender o mesmo por um preço superior.

Em relação ao terreno das piscinas, Peralta voltou a questionar Élio Maia: "Está em condições de garantir que passados poucos dias de o terreno passar para a posse do Beira-Mar não será vendido por um valor eventualmente superior?"

A CMA justifica este negócio como forma de pagar uma dívida para com o Beira-Mar de cerca de 1,5 milhões de euros. A primeira dúvida que me surge é saber como é que a CMA se endividou em relação ao Beira-Mar, ou seja, que "nobres" serviços prestou o Beira-Mar à autarquia para que esta esteja em dívida para com clube?

Para perceber, basta ler o protocolo assinado entre Beira-Mar e EMA.

"4. Porque a rentabilidade da exploração dos Camarotes depende das exibições protagonizadas pelo SCBM, a EMA- Estádio Municipal de Aveiro, EM, a título de compensação pelo lucro cessante que esta situação importa para o clube, entregará ao SCBM a quantia anual de 500.000 euros..."


Para quem não está familiarizado com o termo, chama-se capitalismo rentista e caracteriza-se pela dependência de rendas públicas pagas pelo contribuinte. Conclusão, o Beira-Mar não prestou serviço nenhum de relevo que não a si mesmo. A autarquia, na altura dirigida por Alberto Souto, decidiu atribuir uma renda anual de 500.000 euros porque sim....porque o clube é cá da terra.

Perde-se assim um espaço público de lazer nos meandros da já velha tradição de proximidade promiscua entre clubes e autarquias. A venda foi realizada a uma empresa imobiliária de investimentos por 2,5 milhões euros, o PS diz que o valor expectável de venda era de 9 milhões de euros. Ao contrário do PS, não me parece que a questão de maior relevo seja a expropriação de activos públicos a preços da chuva, antes de mais a prioridade é conservar esses mesmos activos em domínio público e garantir a sua acessibilidade aos munícipes através de tarifas reduzidas ou mesmo gratuitas. O financiamento de espaços públicos deve ser feito por via indirecta e progressiva, o principio do utilizador pagador aplicado aos serviços públicos choca com o princípio basilar dos mesmos, ou seja, o acesso universal independente da condição social.

Mas além do princípio político errado que estas decisões encerram, façam-se as contas e note-se como o Estado e as Autarquias, com políticas do bloco central , são tão amigas do poder económico.

O terreno das piscinas vendido por 2,5 milhões de euros implica um preço por metro quadrado de aproximadamente 160 euros. Ora, no centro urbano de aveiro o preço da habitação por metro quadrado anda bastante acima dos 1000 euros por metro quadrado. Consideremos, conservadoramente, que empreendimentos futuros apenas ocupam 50% do terreno e que esses empreendimentos têm 3 andares, temos assim uma área de habitação de 150% do terreno vendido. A 1000 euros o metro quadrado seria possível obter um encaixe de 15,6 milhões. Isto, num cenário altamente conservador. Depois perguntam-se para onde vai o dinheiro...


domingo, agosto 02, 2009

Hoje em Aveiro

Comemoram-se os 80 anos do nascimento de Zeca Afonso

No Porto, a Associação José Afonso (AJA) anunciou, ontem, o projecto "80 anos de Zeca" que pretende comemorar o aniversário "do poeta, cantor andarilho e cidadão" com centenas de iniciativas, ao longo de um ano, entre o Norte de Portugal e a Galiza.

Grande Zeca!!!

domingo, julho 05, 2009

Da final mais disputada de sempre só podia sair O MELHOR de sempre!

Depois de uma final ÉPICA, com os parciais de 5-7 / 7-6 (8-6) / 7-6 (7-5) / 3-6 / e uma "GUERRA" de 16-14, ao fim de 4 horas e 16 minutos, sai coroado pela 6ª vez em Wimbledon o "Rei" Roger Federer!
Para além disto, ganhou o seu 15º torneio do Grand Slam, ultrapassando o recorde de Pete Sampras e tornando-se, assim, o jogador com mais "Óscares" do Ténis!
Como se não bastasse, com esta vitória, acumulou pontos suficientes para voltar a subir ao nº1 do ranking mundial!

Parabéns Roger Federer!

domingo, junho 28, 2009

Claro como água

Da leitura do Dossier de Sessão da CMA sobre a nova parceria para gestão da água pode-se concluir que:

O nivelamento do preço da água e saneamento será feito pelos tarifários mais altos. Aliás, é fundamento da sustentabilidade económica do projecto.

"Os estudos desenvolvidos até ao momento e que se anexam, permitem desde já antever que a entidade gestora da parceria será sustentável do ponto de vista económico e financeiro praticando um plano tarifário referenciado com as tarifas mais elevadas em vigor na região."

Faz "bom" uso do código de trabalho recusando os contractos colectivos.

"O estatuto do pessoal das empresas é o do regime do contrato individual de trabalho."

É incoerente e falso.

"... compatível com a obtenção de tarifas socialmente sustentáveis e num quadro de equilíbrio com os demais parceiros."

Os municípios cedem as infra-estruturas esperando contrapartidas de um modelo de gestão baseado no encarecimento da água.

"Os municípios irão usufruir de uma contrapartida pela afectação das infra-estruturas sob a forma de retribuição, a recuperar através das tarifas."

Este governo e os municipios, por extensão, são responsáveis pela adopção de um modelo de gestão das águas baseado em modelos económicos de extrema direita. E a população da região vai pagar caro por isso, literalmente.


terça-feira, junho 23, 2009

Gestão da Água em Aveiro

"Assim sendo, os peticionários, cidadãos eleitores de Aveiro, dirigem-se à sua Assembleia Municipal, requerendo:
a) Que qualquer decisão referente à saída da gestão da água dos Serviços Municipalizados de Aveiro para qualquer outra entidade, seja remetida para os Órgãos Autárquicos que resultarem das eleições autárquicas, que se irão realizar em breve (Outubro ou Setembro);
b) Que, em qualquer caso, a decisão seja precedida de formas de esclarecimento e participação da população do Concelho, que evidenciem de que forma as soluções propostas correspondem, em simultâneo, ao interesse nacional e ao interesse local."

Assinar petição aqui.

quarta-feira, junho 17, 2009

segunda-feira, junho 15, 2009

Demorou!

Não é que já não se soubessem, mas foram hoje divulgados os resultados oficiais e "finais" das Europeias!

"Tává ver que não!" ou parafraseando a Mafalda de Quino "Malditos burocratas!"

(clicar para aumentar)

domingo, maio 24, 2009

I know it's only "Rock & Roll" but I like it



It takes a hundred miles of love
To heal a mile of pain
I never say goodbye to the scene
And I never blow out a flame
And I got

White lies for dark times and I don't need your crutch
I'm kicking out stained glass windows and I'm
Tender to the touch

Shimmer and shine
We leave it all behind
Shimmer and shine
When you tell me that you're mine
Shimmer and shine, shimmer and shine

Bring me the music for the revolution
It puts my mind at ease, to know
We're the problem, we're the solution
The cure and the disease
But life is trying to force me
Force me to trust
I've done all I can
I do what I must

Shimmer and shine
We leave it all behind
Shimmer and shine
When you tell me that you're mine

Shimmer and shine
We leave it all behind
Shimmer and shine
When you tell me that you're mine
Shimmer and shine, shimmer and shine

terça-feira, maio 19, 2009

Let's hope!

Com o Festival de Cannes deste ano a meio, espero que os filmes em competição não demorem quase um ano a estar disponíveis em Portugal, como aconteceu com uns quantos da edição do ano passado.

quarta-feira, maio 13, 2009

Correr com Sócrates


Não percam esta oportunidade! No próximo mês de Outubro, dirijam-se à secção de voto mais próxima para correr com o nosso PM do cargo... ai não, afinal parece que é já no próximo dia 17 de Maio! Ora bolas! Afinal ainda não é desta!
Trata-se apenas de mais uma das parolices de Sócrates!

segunda-feira, maio 04, 2009

sábado, maio 02, 2009

Mayday Porto 2009

Infelizmente, não pude ir!
Mas a fotogaleria do Mayday Porto pode ser vista clicando AQUI.
E há mais informação nos blogs do Mayday Porto e do Mayday Lisboa (links na coluna da direita)!

Parabéns às duas organizações!

quarta-feira, abril 29, 2009

Absolutamente a não perder!

A 3ª temporada começa no próximo domingo, 03-05-2009, às 22h30, na Rtp1!

terça-feira, abril 28, 2009

O que têm em comum Vital Moreira, Rubens Barrichello e o Avô Cantigas?




O cabelo, pois claro! Mas só um "é um professor doutor de Coimbra, meu Deus!"

Na crónica que MEC assinou ontem no Público pode ler-se isto:

Vital Sassoon (Miguel Esteves Cardoso, Público, 28/4/2009)

O cabelo de Vital Moreira deixa-me transfixo. A tal ponto que não consigo ouvi-lo quando o vejo ou ler o que escreve se houver um retrato dele lá no meio. O que é que aquele cabelo está a tentar dizer-me? Como foi alcançado? Aquele risco ao lado que levanta voo como uma esquadra de caças F-16 está aberto a qualquer um? Ou é preciso tomar precauções especiais?

Bem sei que é feio julgar as pessoas pela aparência e que eu próprio teria sido condenado à morte se assim não fosse. Mas um cabelo tão imperiosamente modelado é, tal como o bigode, uma escolha consciente. Não se nasce com um cabelo daqueles ou, caso se nasça, o obstetra não sobrevive.

A opção de configurar e trazer assim o cabelo é inteiramente da responsabilidade de Vital Moreira. Tanto Deus como Viriato estão inocentes. Podemos assim julgar o penteado sem ofender a humanidade e gozar com ele sem estarmos a rir do infortúnio alheio. Não sei quanto tempo e quantos produtos - quantas pessoas - são necessários para obter aquela onda compacta e inamovível. Mas uma coisa é certa: emana soberba e autoridade. Olha-se para aquele resplandecente capacete de oiro branco e cisma-se: “Eis o Rubens Barrichello da Anadia.”

Veja-se a foto na página 9 do PÚBLICO de ontem. Longo, espesso, repetitivo, vaidoso, impenetrável e sempre a pender para o mesmo lado, o penteado de Vital Moreira é bem o oposto dos seus textos e discursos. Aí residirá a contradição que torna ambos tão irresistíveis.

Tempo de antena??? (II)

Depois de neste post ter manifestado o meu repúdio pelo "tempo de antena" do PS que utiliza a "geração Magalhães" como se de mercadoria se tratasse, agora descobre-se que os contornos da coisa são ainda piores.
Para isso, basta ler o conteúdo desta notícia.

O único comentário que se me apraz fazer sobre a situação é tão somente este:
P. Q. os P.!!!

Aqui fica um excerto do "tempo de antena"! Era bom se alguém o conseguisse por inteiro para que se vissem os 5 minutos de merda/propaganda produzidos pelos "muchachos" de Sócrates!

sábado, abril 25, 2009

Basta juntar 7500 assinaturas...

e o 25 de Abril já se pode candidatar à Presidência da República!

PARABÉNS!

sexta-feira, abril 24, 2009

Festa MayDay Porto::Sábado::25 de Abril::Maus Hábitos::Porto

No dia 25 de Abril, a partir das 23h00, o MayDay Porto promove uma festa no espaço Maus Hábitos (Rua Passos Manuel) sob o lema
"NÃO HÁ LIBERDADE ENQUANTO HOUVER PRECARIEDADE".

Porque somos dois milhões de precárias/os em Portugal;

Porque acreditamos que a precariedade não está inscrita na ordem do Universo;

Porque sabemos que não tem que ser assim;

Porque acreditamos em trabalho com direitos para todas/os;

NO DIA 1 DE MAIO, DIA DO/A TRABALHADOR/A, VAMOS SAIR À RUA E FAZER OUVIR A FORÇA DA NOSSA VOZ!

PORQUE SE TODAS/OS AS/OS PRECÁRIAS/OS BATEREM O PÉ, O MUNDO TREME!

quarta-feira, abril 22, 2009

Tempo de antena???

Eu chamar-lhe-ia PUBLICIDADE ou PROPAGANDA ou ANÚNCIO!

Na minha modesta opinião, este "tempo de antena" do PS é de "limpar às mãos à parede"! ou se preferirem, o cú!

"Magalhães" é tema do primeiro tempo de antena de 2009 transmitido hoje

sábado, abril 18, 2009

O "tintol" enquanto orgulho nacional

Sócrates esteve em Viseu para elogiar o "tintol" da região do Dão que, segundo as palavras do próprio, "tem vinhos de altíssima qualidade"!


Ainda não há três anos (em Setembro de 2006) "26 milhões de litros de vinho corrente foram apreendidos e selados em depósitos localizados em Lajeosa do Dão, Bombarral, Olhalvo, Cadaval e Gafanha da Nazaré, pertencem à maior empresa armazenista e exportadora portuguesa de vinho a granel, a Cruz & Companhia, pertencente a Alfredo Rodrigues da Cruz. A denominada Operação Ânfora, [...] incidiu exclusivamente sobre as movimentações de gigantescas quantidades de produto feitas pelo armazenista com sede em Lajeosa do Dão, segundo um comunicado da ASAE, sem "documentação relativa a aquisição e trânsitos". Da iniciativa fiscalizadora resultou a selagem de cerca de um quarto da capacidade de operação da Cruz & Companhia, que ronda os cem milhões de litros, o equivalente a vinte por cento de toda a produção vitivinícola portuguesa."

Deve ter sido por isto que Sócrates também afirmou que "Este é um sector que melhorou muito".

quinta-feira, abril 16, 2009

O que tem de bom uma declaração de princípio

28 de Fevereiro de 2009 - António Costa classifica BE como "um partido oportunista que parasita a desgraça alheia e incapaz de assumir responsabilidades" - no XVI Congresso do PS, em Espinho.

16 de Abril de 2009 - BE, PS, PCP e Verdes, e uma deputada não-inscrita votam favoravelmente e aprovam um projecto de lei do Bloco de Esquerda que determina o fim do sigilo bancário.

Poder-se-ia principiar esta "posta" com uma acusação de incoerência ao PS, mas isso já não é novidade para ninguém.
Poder-se-ia dizer que, hoje, António Costa deve ter "engolido um sapo" mas, tendo em conta a flexibilidade da sua "espinha dorsal", nem sequer deve ter parado um segundo para reflectir.
Poder-se-ia dizer que a proposta do BE pouco vem acrescentar ao que já existe ou que tem poucos efeitos práticos.
Poder-se-ia dizer tudo isto e muito mais, porém uma coisa não se pode dizer: que Portugal continuará a compactuar com uma das muitas formas de fraude existentes.
Obviamente que muitas outras continuam a existir (paraísos fiscais e judiciais, à mistura com hedge funds, especulação and so on and so on) mas depois da aprovação desta proposta algo mudou na forma de fazer política.
Uma forma mais coerente, mais límpida, menos corrupta, mais "às esquerdas"!

Será apenas uma declaração de princípio? mas, felizmente, já temos tradição na adopção deste tipo de medidas.

quinta-feira, março 26, 2009

As sondagens valem o que valem...

Mas os resultados desta falam por si.

(clicar na imagem para aumentar)

De como se percebe que aquilo que a maioria quer nem sempre é posto em prática (o que diz muito sobre a democracia pouco representativa de índole capitalista em que vivemos)! De como não se fica a perceber que, daqui a seis meses, a abstenção volte a ter maioria! E, finalmente, não se percebe de que é que estamos à espera para ganhar a coragem de eleger quem tem coragem para aplicar medidas de que todos precisamos!
Sem pré-conceitos, sem medos, sem "variações à volta dos colh..."!!!

sexta-feira, março 13, 2009

Manifestação junta 200 mil pessoas por uma mudança de rumo político

Com o lema "Mudar de Rumo, Mais Emprego, Salários e Direitos", a CGTP encheu a Avenida da Liberdade e o seu líder diz que esta foi a "maior manifestação deste tipo que tivemos em Lisboa". Carvalho da Silva fez um discurso de mobilização contra o desemprego e por "políticas que ponham a economia ao serviço do desenvolvimento do país".

"A solução para os problemas do País e dos portugueses passa por romper com esta política", afirmou Carvalho da Silva, por entre críticas à atitude dos patrões que "aproveitam a situação para praticar ilegalidades de toda a ordem, aumentarem a exploração e a chantagem sobre os trabalhadores", ou dos que procuram "reduzir os custos do trabalho, reduzindo os salários e transferindo encargos para a Segurança Social", através do recurso ao lay-off. Carvalho da Silva não deixou de fora o aumento do número de empresas com salários em atraso nem o aumento das dívidas à Segurança Social e ao fisco.

"É preciso que os 550 inspectores do trabalho que são necessários possam entrar em funcionamento nos próximos meses, até porque não faltam candidatos em condições de desemprenhar essa função", disse Carvalho da Silva, em reacção à promessa do PS feita esta semana no parlamento de integrar 50 inspectores por ano até 2011, acrescentando a exigência que "a Autoridade para as Condições do Trabalho assuma as suas responsabilidades e combata com eficácia as ilegalidades patronais"

"Não podemos permitir que se façam mais favores ao patronato, reduzindo a taxa social única", defendeu o líder da CGTP, para quem a política seguida por sucessivos governos teve um caminho único de "pôr os trabalhadores a pagar e o grande patronato a lucrar, seja quando fizeram uma grande e injusta acumulação de riqueza, seja quando é preciso tapar os buracos da sua gestão ruinosa, como aconteceu recentemente no BPN e no BPP".

O líder da CGTP disse também que "é urgente acabar com os paraísos fiscais", e apelou à continuação da luta contra "os aspectos mais gravosos do Código do Trabalho, porque contribuem para um maior desequilíbrio das relações laborais nos locais de trabalho e para uma maior desregulação do mercado de trabalho" e contra o regime laboral da Administração Pública, também com algumas normas a serem sujeitas a verificação da sua constitucionalidade. Carvalho da Silva apelou ainda à participação dos presentes para um "grande 1º de Maio" em defesa dos direitos dos trabalhadores.

A manifestação contou com a presença de Miguel Portas e Francisco Louçã, que viu neste protesto "uma grande demonstração da força popular, que é a força da democracia de resposta ao desemprego, ao trabalho precário, ao abuso enorme que se instalou na sociedade portuguesa". "É a Galp e a EDP que têm lucros mas aumentam os preços, atingindo em particular as famílias mais pobres, são os bancos, são os juros, é o Código de Trabalho que aumenta a precariedade. A resposta a isto tem de ser este povo que fala", afirmou o deputado bloquista.

Via Esquerda.Net

domingo, março 08, 2009

"É fazer a conta!"

159,72 euros! É este o valor que os/as trabalhadores/as independentes terão agora que pagar à Segurança Social!

Este valor representa um acréscimo de quatro euros face ao anterior, que datava de Abril de 2008.

Se tivermos em conta que são quase um milhão os ‘falsos’ recibos verdes em Portugal, constatamos que o Estado arrecadará com este acréscimo quase quatro milhões de euros.

Via FERVE

sábado, março 07, 2009

Pilhas "Duracell"

Denicioso!

Não, não estou fanhoso, nem constipado! Estou é maravilhado com os erros do mui propagandeado "Magalhães"!

O FESTIVAL DE ERROS DO MAGALHÃES

Na minha modesta opinião, estas são as melhores:

* "Carrega em qualquer elemento que tem uma zona livre ao lado dele. Ele vai ir para ela."

* "Ao princípio do jogo 4 sementes são metidas em cada casa. O jogadores movem as sementes por vês. A cada torno, um jogador escolhe uma das 6 casas que controla. (...) Se a última semente também fês um total de 2 ou 3 numa casa do adversário, as sementes também são capturadas, e assim de seguida. No entanto, se um movimento permite de capturar todas as sementes do adversário, a captura é anulada (...). Este interdito é ligado a uma ideia mais geral, os jogadores devem sempre permitir ao adversário de continuar a jogar."

* "Quando o tangram for dito frequentemente ser antigo, sua existência foi somente verificada em 1800."

Sócrates bem procurou mas não encontrou nenhuma destas "calinadas"!

sexta-feira, março 06, 2009

Agora não, que eu acho que não posso...

Em notícia publicada ontem, no Público, já se previa que o PS não aprovasse, hoje, na AR, as propostas da oposição sobre as taxas moderadoras. Até aqui tudo bem, já se sabe que este governo não gosta de ideias alheias! O problema reside no facto de, mais tarde, pegar nas ideias dos outros e impô-las passados alguns meses!
Já tinha acontecido o mesmo com o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a 10 de Outubro do ano passado (o vídeo do post abaixo dá conta disso mesmo)!
Hoje, aconteceu exactamente a mesma coisa com o projecto de lei do B.E. para acabar com as taxas moderadoras nos internamentos/cirurgias e com as outras propostas da oposição!
Mais uma vez, o PS chumbou uma proposta que diz querer aplicar em 2010, como ficou claro com a recomendação feita, ontem, pelo grupo parlamentar do PS (que propôs ao governo "fazer uma avaliação global" da questão, de modo a mudar a lei em 2010).
Como se não bastasse, o vice-presidente da bancada do PS, José Junqueiro, criticou ontem as iniciativas da oposição porque, segundo palavras do próprio, não têm efeitos práticos em 2009!!!

Ora, eu que gosto de coisas práticas (e que tenho consciência que o tempo é relativo) pergunto:
"Não era melhor mudarem já a lei do que alterá-la só em 2010?"

É que assim (a ser aprovada só em 2010) os efeitos práticos de que falava Junqueiro só serão visíveis em 2011.

O PS parece esquecer que o tempo, para além de relativo, também é psicológico!!! Haja pachorra até Outubro!!!

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Amanhã e só amanhã!


Sessão Pública sobre a Crise Financeira com Francisco Louçã

Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009 às 16h00

Local: Anfiteatro DEGEI (Dep. de Economia, Gestão e Engenharia Industrial)
Universidade de Aveiro

«No dia 17 de Fevereiro, a partir das 16h00, no Auditório do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, um grupo de alunos da UA promove uma sessão pública para discutir a actual crise financeira. A conferência será iniciada pelo docente e economista Francisco Louçã, que fará a sua interpretação sobre o impacto da crise financeira na economia portuguesa, primeiro, apresentando uma comparação desta com a de 1929 (a maior crise económica do século XX), para verificar semelhanças e diferenças, e, depois, sobre a natureza das características desta crise, as suas origens, a sua possível duração e os seus impactos. Após esta exposição, o público é convidado a partilhar a sua opinião, a colocar questões e a debater o tema.»

P.S. - É aberta à participação de todos e todas!

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Olha a fossa abissal e deixa lá a pegada do elefante!

Perante as notícias que dão conta de um "buraco negro" de 1800 milhões de €uros (mais de 360 milhões de contos) no BPN, apetece-me perguntar "Ainda há quem esteja preocupado com o dinheiro que se gasta no RSI?"
Se a resposta for afirmativa, nas próximas linhas tentarei demonstrar porque é que essa preocupação está centrada em "ninharias", ou "peanuts" como diria o comendador Berardo.

Para isso, convém ter presente que a CGD já gastou 1400 milhões de €uros na "brincadeira" levada a cabo por Oliveira e Costa y sus muchachos. No que diz respeito ao RSI convém estar na posse de alguns factos:

- 334.865 pessoas recebem RSI;

- em média, cada beneficiário do RSI em Portugal recebe por mês 88€;

- 334.865 x 88€ = 29.468.120€ (cerca de 6 milhões de contos por mês gastos com o RSI);

- 29.468.120€ x 12 meses = cerca de 350 milhões de euros (70 milhões de contos) por ano gastos com o RSI. De facto, é uma "quantia astronómica" quando comparada com os 1400 milhões de euros (mais de 280 milhões de contos) que já foram "enterrados" no BPN. Isto porque:

280.000.000 - 100%
70.000.000 - x = 25% daquilo que se gastou no BPN, ou 1/4 se preferirem.

De uma forma mais comezinha, por cada 1€ gasto no RSI foram gastos 4€ no BPN.

ESTÁ CLARA AGORA QUAL DEVE SER A PREOCUPAÇÃO?

domingo, fevereiro 01, 2009

Porque ainda há quem ache que não têm razões para se queixar

O governo apresentou a descida do número de professores inscritos nos Centros de Emprego nos últimos quatro anos como uma prova da eficiência do sistema educativo. Mas a verdadeira razão desta quebra está no fim dos estágios remunerados, que antes de 2006 davam direito ao subsídio de desemprego, e na "necessidade de sobreviver" que leva muitos desempregados a aceitarem empregos "precários e mal pagos".

O Secretário de Estado da Educação garantiu à agência Lusa que a diminuição do número de professores inscritos nos centros de emprego se deve ao alargamento das oportunidades de ensino. "Foi necessário recrutar professores e é isso que permite verificar que hoje temos menos de metade do desemprego docente que tínhamos em 2005", afirmou Valter Lemos.

Mas as razões do governo para a quebra no número de inscritos nos centros de emprego - passou de 12.877 para 5.521 entre Dezembro de 2005 e Dezembro de 2008 - não são aceites pelos professores, que apontam outras razões para o facto. Antes de mais, a inutilidade da inscrição. "O centro de emprego também não é necessariamente o melhor local para obter trabalho na área da educação. Cada vez mais os concursos e as vagas para leccionar estão na Direcção Geral de Recursos Humanos da Educação", explicou João Dias da Silva, da FNE.

Na opinião da Fenprof, é o fim dos estágios remunerados que provoca aquela quebra de inscrições. "Antes de 2006, esses estágios eram remunerados, contavam como tempo de serviço efectivo e os professores descontavam para a segurança social. Quando acabavam o estágio, se ficassem desempregados, milhares inscreviam-se no centro de emprego. Agora isso já não acontece", diz Mário Nogueira.

O líder da Fenprof aponta ainda outros motivos para que os professores desistam de procurar emprego na sua área, como o aumento dos professores contratados, que vieram preencher as vagas abertas por aposentação de milhares de professores nos últimos anos, a diminuição da procura dos cursos universitários com via de ensino e a "necessidade de sobreviver", que leva muitos jovens a aceitar um emprego "precário e mal pago" nas actividades de enriquecimento curricular.

A Fenprof reagiu ainda ao despacho aprovado pelo Ministério da Educação sobre a mobilidade dos professores titulares, acusando o governo de "consolidar a fractura da carreira, impedindo os professores titulares de se candidatarem livremente a qualquer escola como farão os seus colegas". O comunicado da estrutura sindical diz ainda que com este despacho da 5 de Outubro, os professores titulares "não só estarão impedidos de se candidatarem livremente no próximo concurso para colocação de docentes, como lhes foi retirada a possibilidade de serem destacados por condições específicas (protecção na doença ou acompanhamento de familiares a cargo) ou para aproximação à residência, como qualquer colega seu".

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Todos estão errados, excepto nós!


Maioria PS chumba propostas de alargamento do subsídio de desemprego apresentadas por BE, PCP, PSD e CDS

De facto, as votações desta tarde na AR são bem o reflexo desta governação PS! Em vez de se preocupar com a realidade gritante que se vive no país, revela comportamentos ensimesmados, o mesmo é dizer que enterra a cabeça na areia! Serve esta figura para ilustrar ainda o facto de, cada vez que é confrontado com o factos, este governo querer constantemente atirar essa mesma areia para os olhos do país, como que a dizer "Enterrem connosco as vossas cabeças!"

Como diria aquele senhor que deu uma bofetada a Durão Barroso: "A mim não me enganas tu!"

sábado, janeiro 10, 2009

Este jovem está crescido!

No dia em que se comemoram os 80 anos do começo da publicação no "Le Petit Vingtième" da aventura que levou Tintim ao País dos Sovietes, importa relembrar alguns dos dados mais interessantes das aventuras deste pequeno repórter:
- entre 1930 e 1976 foram publicados 22 álbuns das Aventuras de Tintim;
- já venderam mais 230 milhões de exemplares;
- estão traduzidas em mais de 80 línguas;
- e, finalmente, Steven Spielberg está a trabalhar numa adaptação para o cinema!

Visitem:
http://tintin.france5.fr/#home/une.swf&lang=fr/
http://www.imdb.com/title/tt0983193/

Boas leituras!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Não existe agressão, apenas legítima defesa

Uma das coincidências que me tem intrigado é porque é que os países que têm uma parte significativa da economia baseada na poder militar estão sempre a ser agredidos ou sobre ameaça. Morre gente em Bombaim, no Iraque, no Afeganistão, mas os Norte Americanos é que estão sobre a ameaça, morreram até então 760 Palestinianos (quantos civis inocentes?) e Israel está sobre ameaça. Hitler deve estar aos pulos no túmulo a pensar: "como é que eu não me lembrei dessa?"

Algum agressor alguma vez se assumiu como agressor?

A direita portuguesa está a ir por esse caminho, o que me leva a reafirmar que ainda não temos uma verdadeira direita em Portugal mas sim pessoas que ainda não assimilaram os conceitos base de democracia e direitos humanos. O que é condenável é o massacre, a mesma posição eu, ou qualquer defensor dos direitos humanos, tomaria se fosse a Palestina a realizar um massacre sobre Israel, assim como todos recordamos com mágoa o Holocausto devemos lutar para que não aconteça mais um em pleno século XXI. Sobre o massacre que está a decorrer em Gaza não existem posições ideológicas, existem os defensores da paz e dos direitos humanos e...os outros.