Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

A crise artificial e a real

Desconfio que esta crise artificial a propósito da lei das finanças regional na realidade seja uma crise criada porque o "Risco da dívida portuguesa bate recorde".
Aplicada a receita à Grécia as atenções parecem-se virar para Portugal, os mercados financeiros pressionam os Estados Nação, aproveitando a sua fragilidade para um bom negócio. De salientar que para um governo que se apresentava com o dogma do rigor orçamental (quando na realidade aplicava a contenção assimétrica juntamente com o regabofe para os mercados financeiros) este é um duro golpe com graves consequências para o país. Não querendo ser alarmista, a continuar esta política das agências de rating ao serviço dos seus clientes, os Estado Nação podem estar a hipotecar o seu futuro a especuladores. O capitalismo português expôs-nos ao capitalismo global onde não há amigos, os especuladores que querem fazer um bom negócio com a compra de títulos de tesouro do Estado Português querem lá saber do bom discipulo Sócrates, querem mesmo é agarrar esta oportunidade.

Ana Sá Lopes em comentário na televisão, sugeriu por diversas vezes que Sócrates estaria mesmo com vontade de abandonar a governação. Por um lado pode ser o expoente máximo do clima de chantagem, por outro, tendo em conta o clima social e este novo dado começo a achar que a hipótese, sendo especulativa, já foi mais irrealista.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Parabéns à burguesia burlada...

...pela classe.
...por terem passado pela polícia de choque.
...por terem consciência de classe.
...por serem defensores do sector público (Estado).

É por estas e por outras que a burguesia merece respeito, queria ver os funcionários públicos, mais recentemente os enfermeiros, a conseguirem entregar em mão ao Ministro das Finanças uma folha A4, sem dentes partidos, sem violência e com a classe e distinção destes senhores.


Terça-feira, Janeiro 19, 2010

Brilhante como sempre!

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Clusterf#@k to the Poor House - Flight Delay
www.thedailyshow.com
Daily Show
Full Episodes
Political HumorHealth Care Crisis

Olhó Tó Colante!

10 "tó colantes" novinhos a estrear para o ano de 2010!














Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

Ouvir o tuga dizer que "não há dinheiro" em Portugal e depois analisar a realidade é um exercício deprimente

Os investidores da Bolsa de Lisboa tiveram os seus activos valorizados em 33,5% em 2009, a segunda maior subida da Europa, depois da Bolsa de Amesterdão (36,34%).

A empresa que mais se valorizou foi a Sonae (99,08%), seguida por Sonaecom (92,24%), Altri - produtora de pasta de papel (90,69%), Cimpor (84,74%), Jerónimo Martins (75,94%) e Teixeira Duarte (74,92%). As maiores empresas industriais, de comércio e serviços valorizaram-se mais do que a banca.

Segundo o jornal I de 26 de Dezembro de 2009, os 16 principais accionistas portugueses terão tido ganhos superiores a 5.300 milhões de euros e os 10 maiores 5 mil milhões.

Américo Amorim foi o que mais ganhou - 1.175 milhões de euros, continuando a ser o mais rico da bolsa portuguesa.

Soares dos Santos, o senhor da Jerónimo Martins - empresa detentora de uma grande cadeia de distribuição, foi o segundo maior ganhador com 1.075 milhões de euros.

O terceiro maior ganhador da bolsa portuguesa foi Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, com 811 milhões de euros.

Nos dez que mais ganharam em 2009 incluem-se ainda: Vasco de Mello - presidente do grupo José de Mello - com 383 milhões de euros; Ricardo Salgado - líder do grupo Espírito Santo - 371 milhões, Horácio Roque (Banif) 67 milhões, Joaquim Oliveira (Controlinveste e Sport TV) 63 milhões, Luís Silva (Cinveste e ex-patrão da Lusomundo) 47 milhões, Pinto Balsemão (Impresa) 41 milhões e Joe Berardo 33 milhões de euros.

Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

Um bocadinho mais democrático

Portugal caminha no sentido de se tornar um país um pouco mais democrático, isto porque finalmente o PS decidiu dar uma de esquerda (pena que somente nesta matéria). À esquerda "sempre" existiu vontade (BE), disponibilidade (Verdes) e aceitação (PCP) para acabar com a discriminação que impedia casais homossexuais de aceder ao casamento civil que, simultaneamente, acarrateria uma série de ganhos em matéria de direitos (acompanhar doença do parceiro, heranças...).


Apesar de tudo, a questão da adopção promete prolongar este combate durante mais algum tempo, porque o que o PS fez foi introduzir, imagine-se, uma discriminação que não existia. Ou seja, por estranho que possa parecer, um casal homossexual não podia adoptar até aos dias de hoje, não por negação expressa, mas porque não podia ser um casal formalmente reconhecido pelo Estado como casado. Aliás, esta proibição encerra até uma discriminação entre homossexuais casados e não casados, porque um elemento homossexual com uma relação não assumida/contractualizada pode adoptar, ao passo que um casal homossexual casado não pode. Esta proibição do regime de adopção é inconstitucional e viola o artigo 13º, o qual eu transcrevo de seguida:






Mais uma vez, parece que o oportunismo político de Sócrates não se esgota, instrumentalizando direitos civis para prolongar, através de um imbróglio jurídico, um circo mediático que o afaste da análise crítica. É óbvio que Sócrates e "sus muchachos" sabem da inscontitucionalidade da medida, logo querem prolongar esta querela mediática com dois objectivos: evitar discutir outros problemas onde o exercício da governação é calamitoso e desresponsabilizar-se da decisão que obrigatoriamente teriam de tomar, que era não inibir a adopção a casais homossexuais. Repare-se que se o PS somente legislasse no sentido de permitir o casamento, a adopção era automaticamente possível porque nada previa, até então, o contrário.


P.S. Não foi o "casamento gay" que foi legalizado, foi o casamento homossexual (gays e lésbicas)

Don't try so hard, go out and play

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

Para assinar clicar no texto!

Petição à Assembleia da República

PELO ALARGAMENTO DO ACESSO AO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO

Há hoje cerca de 600 mil desempregados registados nas estatísticas oficiais. Outros 100 mil homens e mulheres estão desempregados mas não constam dessas estatísticas. O desemprego é o maior problema nacional.

Sabendo que centenas de milhares destes desempregados não recebem subsídio e estão por isso sujeitos à pobreza, os abaixo assinados apelam à Assembleia da República para que alargue o acesso ao subsídio de desemprego a quem tenha trabalhado e descontado pelo menos seis meses no ano que antecede o desemprego.

Manifestamos assim a nossa solidariedade para com quem trabalhou, descontou e não consegue emprego na grave crise económica que vivemos.

Igualdade por inteiro! *

*Título do post "roubado" ao artigo de Francisco Louçã

No lançamento de um livro contra o casamento homossexual, a dois dias de serem discutidas as propostas dos partidos acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo, os autores Gonçalo de Almada e Pedro Vaz Patto, foram surpreendidos pelo protesto da activista lésbica Helena Martins, que reivindicou também ser «filha de Deus».

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Mercados municipais - perigo iminente



O vereador com o pelouro dos Mercados e Feiras do CDS-PP Miguel Fernandes considera pertinente instalar câmaras de vigilância nos mercados municipais. A questão que se põe é, logicamente, porquê nos mercados municipais? Será que existe alguma condição especial que justifique esta medida, será que existe perigo iminente nos mercados municipais que o comum cidadão desconheça?

A justificação do vereador diz tudo, não dizendo nada: "Se pensarmos em termos de segurança dos comerciantes, dos seus bem e do público em geral este sistema poderá dissuadir actos de vandalismo e contribuir para melhorar a qualidade de vida dos munícipes e comerciantes".

Um justificação tão generalista, leva a que a medida seja "razoável" e aplicável em todo o espaço público. Pode-se concluir que os mercados municipais terão video-vigilância não porque precisem, mas sim porque o vereador é do CDS-PP e como tal tem hipersensibilidade para questões securitárias. Por outras palavras, se o vereador tivesse o pelouro da cultura os teatros também teriam video-vigilância.

É bom salientar que, por exemplo, a Assembleia Municipal de Aveiro (Capitania de Aveiro) não tem video-vigilância, pelo menos que eu tenha reparado. O que é salutar, mas fazendo jus à desconfiança popular sobre os políticos...até se justificaria (ironia). Certamente que estes sistemas não resolvem nada, precisamente porque incidem sobre a pequena criminalidade e actuam indiferenciadamente, expondo lícitos e ilícitos. Não quer isto dizer que a video-vigilância é toda ela inócua e desnecessária, o que sucede é que ela não deve estar à mercê de derivas securitárias sem critério. Nesta matéria, é também necessário acautelar mecanismos de protecção e sigilo dos cidadãos, nesse sentido, não deixa de causar estranheza que partidos à direita tenham considerado uma violação da "intimidade" a quebra do sigilo bancário (parece que o PSD já mudou um pouco a sua posição), mas considerem a video-vigilância algo positivo e inerte em matéria de privacidade.

Mas fica aqui a sugestão de um "upgrade" em matéria de segurança para o vereador Miguel Fernandes: um "striptease surveilance". Um sistema desenvolvido para aeroportos que expõe o passageiro até à sua roupagem natural. Seria curioso imaginar como o CDS-PP conjugaria o seu ávido desejo securitário com a sua vertente mais conservadora "democrata cristã" (tem mesmo de estar entre parentesis, um partido que se diz cristão não pode ser democrata, precisamente porque não percebeu que a laicidade é condição de democracia).

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

Defina conhecimento relativo...

"O grande desafio passa logo por começarmos com a complicada missão de eleger o novo Reitor. Não conhecemos ninguém (eu e os restantes membros externos que integram o CG) e temos um conhecimento relativo da Universidade. Depois há também docentes que podem ser belíssimos professores mas não perceberem qual a missão da universidade. Vai ser uma escolha muito difícil: primeiro, não conheço os candidatos, segundo, vai ser um processo aberto ao público; terceiro, vai obrigar-nos a questionar violentamente, no bom sentido, os candidatos para ter a certeza de que escolheremos um candidato que sirva o interesse da universidade nos próximos anos"

A mercantilização do ensino superior é por demais óbvia, não deixa de ser sintomático que o Presidente do Conselho Geral seja proveniente de uma empresa conhecida pelo seu sector de distribuição alimentar. Ainda espero por uma parceria Pingo Doce-UA, onde os licenciados estagiam no dito supermercado, quem diz que o desemprego é mau não sabe mesmo o que é capitalismo.


Alexandre Soares Santos admite que tem um "conhecimento relativo" da Universidade mas, apesar disso, avisa que havendo bons professores estes podem não saber qual a missão da Universidade. Portanto: "não conheço isto muito bem, mas apesar disso estou disposto a descartar grandes académicos com anos de casa porque eu sei qual a missão e eles não". Confuso? Pelo contrário, bastante esclarecedor. Isto, parecendo que não, diz muito dos critérios de escolha...dou uma pista, não são critérios académicos.

A UA está a pagar o preço de ter uma reitora que, não querendo discussão política na Universidade, faz um jogo permanente de influências políticas ou alguém acharia que se passa uma instituição de ensino superior público para fundação de direito privado sem mais nem menos?


Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Iniciativa privada irrita liberais do Norte

A comicidade da política reside muitas vezes na incoerência alarve de agentes políticos. Na realidade, a incoerência, a desonestidade intelectual e outras coisas bonitas são coisas muito graves, mas o humor é a forma de sobreviver à tragédia, é a sanidade possível que nos permite coexistir com esta realidade. Aliás, repare-se na trágica citação que dá nome a este blogue: "A cultura actual impõe-nos uma coexistência humorística.".

Na realidade, não existe da parte deste sujeito que escreve nenhum sentido de humor apurado, existe sim o sentimento inglório de que o humor é nos imposto pela necessidade de coexistência. Em Portugal, coexistir com um estado de bo
vinidade abundante realiza-se na forma humorística porque, apesar das sérias consequências de maiorias elegerem personagens irresponsáveis, o pressuposto democrático leva-nos a aceitar coisas que a própria democracia permitiria corrigir.

Em Portugal não se reconhece gente pouco séria que use gravata, apesar de até os palhaços recorrem à dita peça de vestuário ainda há quem consiga mistificar e tirar ilações políticas de um pedaço de tecido que dignifica o usuário. Rui Rio e Luís Filipe Menezes usam gravata, no entanto não revestem a sua conduta de coerência, seriedade e responsabilidade social. Mas, volto a sublinhar, usam gravata, como tal não é estranho que o que lhes suscite a maior indignação seja a questão mais fracturante a nível nacional: o Red Bull Air Race vai para Lisboa. E que tal um referendo? E a Constituição permite? Será que não devíamos ter uma lei que tratasse esta matéria?

Os autarcas alinham o discurso: o governo centralizado sobre Lisboa e as suas instituições trataram de deslocalizar o evento. Como liberais que são, apontam os defeitos sempre para as instituições democráticas, apesar de liderarem as suas respectivas e gostarem bastante de usar as suas vitórias democráticas para justificarem medidas que a razão desconhece. Acontece que a decisão partiu da iniciativa da própria Red Bull...upa, upa, e agora? O liberalismo não interessa aos autarcas em causa, vão rever a matéria ou vão manter-se convictos apesar de a decisão de uma empresa privada lhes ser prejudicial? Estes são "liberais de bolso", porque tiram e voltam a pôr a cartilha no bolso conforme as circunstâncias.

Pois claro, as iniciativas privadas não se prendem com interesses democráticos ou coesão nacional. Efectivamente o Porto precisava mais desta iniciativa do que Lisboa, aliás um modelo político falhado é aquele que mais precisa de iniciativas privadas para reavivar a economia local. Nesse sentido Portugal inteiro precisava de um evento destes que, não resolvendo nada, ajuda o autarca a ganhar a simpatia dos comerciantes locais e a disfarçar a ausência de uma estratégia económica sustentável.

Mas apesar da extrema importância destes temas fracturantes, não devemos negligenciar temas menores como a forma como Rui Rio exerce a sua responsabilidade social no município do Porto. Antes demais devo dizer que Rui Rio é perspicaz, este percebeu que pobres a viver em terrenos com vista para o Douro representam um poderoso lobby que atrasa o desenvolvimento do Porto. Por isso mesmo, quer demolir o bairro do Aleixo. Os pobres impedem que o grupo Esírito Santo, através da parceria público-privada GESFIMO, possam ter uma receita de 63 milhões de euros em empreendimentos imobiliários com um preço por metro quadrado de 3000 euros.

P.S. Agora imagine-se o lamentável sucedido: agora que o Red Bull Air Race vai para Lisboa, será que o preço por metro quadrado descerá para os 2900 euros? São estas questões prementes às quais os liberais são sensíveis e para as quais a esquerda em geral é ignorante, irresponsável e radical.

Esta mania que a política tem de conspurcar os locais sagrados dedicados ao estudo! Que asco!

Pois é, razão tinha Ricky Gervais quando dizia que a política está em toda a parte! E a Universidade de Aveiro não é excepção!
AQUI o João tinha criticado o facto de Helena Nazaré se ter mostrado "agastada" quando se tratou de acolher na UA um debate promovido pelo B.E., chegando mesmo a considerar a situação como "lamentável"! MAS isso não impediu a reitora de receber, dois dias depois do debate promovido pelo B.E., e com um sorriso rasgado, os candidatos do P.S. à A.R. - Maria de Belém Roseira e Filipe Neto Brandão.
E agora? Que terá dito Helena Nazaré quando recebeu e cumprimentou (com ar subserviente) José Sócrates, José Mota e restante comitiva na sua Universidade?

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

É prechijo chubir och padrõejinhos!

E já agora alargar a protecção aos 600 mil desempregados também era bonito!