domingo, abril 30, 2006

Comentário vira post



Na sequência deste do post A gestão privada é outra coisa do Pedro Silva do blogue Armadilhasparaursosconformistas fiz o seguinte comentário, ao qual o mesmo Pedro Silva desafiou a publicar em forma de post (vai com erros e tudo):

Bem, falto eu, a 6ª pessoa a ler o blogue.
Eu acho no mínimo hipócrita, relembre-se o discurso neoliberal de que é preciso correr riscos e veja-se os riscos que correm os gestores obsoletos de Portugal, é muito mais arriscado ser um trabalhador assalariado do que ser dono e gestor de uma empresa. Só tugas muito distraídos é que confundem capacidade de pôr dinheiro ao bolso com dinamismo e capacidade de gestão. Mas eu sou o Satanás a criticar estes exemplares tugas, estes Mourinhos da nossa sociedade, eu tenho é inveja...

Assim sendo temos gestores a auferir salários de qualidade e sem sentirem a instabilidade das suas políticas de gestão erróneas, nas quais se inclui o documentado exemplo da aventura com a Eureko. Além disso vemos que estes neoliberais nem sequer respeitam a sua ideologia mãe, o liberalismo, que por definição defende a liberdade e competitividade sendo que tal é incompatível com monopólios. Ora as OPAs nada mais são do que a tentativa de criar monopólios, além disso sabemos perfeitamente quem vai pagar o investimento, vai pessoal para a rua, decresce a qualidade do serviço mas ficamos com um mercado
monárquico regido pelos nossos exemplares gestores que têm um gozo imenso pelo risco...

Quanto ao Mexia e o seu camarada nada a dizer, amigos são para as ocasiões

Um país em que os maiores lucros estão no sector bancário que não produz mais valia nenhuma a não ser prestar serviços, acho que diz bem das potencialidade sque a nossa economia tem para vir a ser competitiva. É uma herança seremos sempre os comerciantes espertalhões, os tipos do desenrasca, mas tecnologia, emprego, inovação...isso fica para os burros dos nórdicos...coitados.

Imagino se o dinheiro estivesse todo concentrado nos serviços públicos, ia se assistir a um discurso por parte dos neoliberais que encaixaria na perfeição para os bancos privados...

P.S. Acabo de saber que morreu a "mãe" destes beneméritos, JK Galbraith, os meus sinceros pêsames e que juntamemente com o homem morra alguma parte do seu legado e fique outra.

9 comentários:

Max @ Devaneios Desintéricos disse...

Quando me lembro do que tive de estudar na Faculdade...N livros de Galbraith...que pesadelo :S

João Dias disse...

Os meus pêsames tb para ti Max.
:-p

pedro silva disse...

atenção que a "sociedade da abundancia" não é mau.

eo homem é de algum modo keinesianista. ou dito de outra maneira: não era liberal económico.

quanto ao post acho muito bem que o tenhas feito joão.
O comentário estava muito incisivo.

Nota ainda em relação ao galbraith: ele queria empresas maiores para criar economias de escala e aumentar produtos e a respectiva qualidade, mas também criticou muito os resultados que daí adviam em termos de desemrpego, instabilidade social, burocracia interna das empresas,etc.. e alémdisso era democrata ,acreditava ana democracia.
Os liberais económicos actuais não acreditam na democracia, não gostam dela.Apesar de tudo existe uma diferença entre gente como o galbraith e os actuais...

João Dias disse...

Pedro Silva:
De acordo, aliás tive o cuidado de escrever " ...morra alguma parte do seu legado e fique outra."

O grande problema de Galbraith está em este ter uma dualidade algo incosistente e passo a explicar. Ele defende que um julgamento prático da economia de cada nação, ou seja num sítio será mais passível haver intervenção do estado noutros será mais natural haver um mercado mais liberal. Ora o problema está em que, qualquer seja o país, é fácil perceber que um país mais liberal está mais sujeito a ciclos económicos, e num país liberal é regra haver mais desemprego e problemas inerentes. A intervenção do Estado tem de estar sempre presente mesmo que a economia tenha alguma liberdade para fluir, isto no sentido de criar legislação e fiscalização que garanta os requisitos minímos a trabalhadores e consumidores. Existindo um mercado verdadeiramente liberal as condicionantes distribuição de riqueza e justiça social ficam muito pendentes do sector privado que raramente tem sensibilidade para isso ou até para desviar o olhar do seu umbigo.
Apesar disso subscrevo imensas das críticas de Galbraith, talvez tenha pena de este não ir até às últimas consequências, à medida que tenho percebido algumas regras do mercado, liberalismo (económico) e capitalismo tenho me cada vez mostrado mais contra as mesmas. Eu acho que se Galbraith fosse ainda mais fundo na questão talvez fosse, como eu, anti capitalista, portanto a minha dúvida persiste, Galbraith não quis ir até às últimas consequências porque quis preservar a visão que criou o sonho americano ou simplesmente não conseguiu ir mais longe?

pedro silva disse...

OLHA JÕAO, tenho duvidas que tenha muito aver com preservação do sonhoamericano ,embora isso tenha algo a ver já que toda a gente te vaidade prórpia,digamso assim.peno que ele não conseguiu ir mais longe, ou não percebeu que deveria ir mais longe.
repara,galbraith seria chamado dehipercapitalsita nos anos 60,embora actualemnte ,comparando aos artistas actuais quase pareça marxista.
e o tipo foi ,digamos assim, "afastado" da cena a aprtir do final dos anos 60 ,quandoa admnsitração jfk saiu.
galbraith aí foi marginalzado digamos.

galbrith do que eu sei queria mercado. mAS entendia que existiam muitos ectores em que só o estado deveria intervir ,para preservar a estabilidade social e uma ordenada sociedade. noutros não queria lá o estadopura e simplesmente ,ms era um tipo que acreditava na democracia e defednia a questão da public choice, ous ej aque os cidadaos e aos cidadaos fosse dada a escolher opções em termos de escolha publica e que fossem mostradas as opcoes e que depois ,o mais conscientemente possivel os cidadaso escolhessem.

nada a ver com os liberais económicos actuais...

E atenção:que regras do mercado, capitalismo e liberalismo económico são coisas de algum modo diferentes.
Com regras de mercado e capitalismo até as suporto.
com liberalismo económico é que não.
Nada tem a a ver com as anteriores ou com mercado ou o que quer que seja.
São apenas uns canalhas armados em espertos a gerirem uma ditadura social disfarçada de democracia.

João Dias disse...

Eu sei que são coisas diferentes, basta dizer que em economia (académica) se defende o fim dos monopólios e no capitalismo privilegia-se.

A meu ver:
Regras de Mercado - compreendo-as
Liberalismo - suporto 25% do conteúdo*
Capitalismo - desprezo total

*Do liberalismo aproveita-se a "livre" troca internacional de produtos (globalização) e competitividade.
Aliás não sou anti-globalização, defendo-a noutros moldes completamente diferentes

pedro silva disse...

olha eu distingo sempre entre liberalismo políttico e económico.
Eu sou anti globalização ,na forma actual seguramente ,mas sou contra por razões geoestratégicas. principalmente.

mas isso levava a uma outra conversa muito longa.

no futurono armadilha quer eu ,que ro cão rafeiro iremos meter alguns posts a analisar finanças e militarismo e outras coisas que me levam a ser profundamente contra a brincadeira que se está a fazer.
depois espero que aqui ,voç~es também "acompanhem" a coisa se quiserem.

Acompanhem também fazendo posts....
e da proxima vez que meteres umcomenta´rio tão bom como o que deu origem a este post faz isso mesmo:trasnforma-o em post,senão meto-o eu no armadilha como post.

certos comentários de algumas pessoas tem o enorme condão de gerarem pistas de reflexão que interessa aprofundar.
há certos assuntos que nunca é demais falar deles...

João Dias disse...

Claro Pedro Silva, eu sou liberal em termos políticos (e costumes) e não em termos económicos.
Tenho por defeito falar em liberalismo sempre com a economia em mente, mas em termos políticos sou bastante liberal.
Defendo a liberdade individual (não a que a direita reclama que é a liberdade de tramar os outros), sou a favor da despenalização do aborto, da legalização da prostituição, a "favor" da eutanásia...etc.

pedro silva disse...

(não a que a direita reclama que é a liberdade de tramar os outros)
pois isto não sou também a favor..

"sou a favor da despenalização do aborto, da legalização da prostituição, a "favor" da eutanásia...etc. "

menos a legalização da prostituição...