terça-feira, setembro 29, 2009

Tradição vs lei e democracia

Como se pode ler no trecho abaixo, parece que a reitora da Universidade de Aveiro, Helena Nazaré, ficou "agastada" pelo facto de ter sido obrigada a ceder um espaço da Universidade para que o Bloco de Esquerda fizesse uma sessão/debate de ideias políticas.



Quando a tradição é argumento estamos conversados. Não há lógica que sustente que o debate político se mantenha afastado de espaços tão importantes na formação de um indivíduo. Recordo-me de um discurso do actual Presidente da República que sublinhava o afastamento dos jovens em relação à política, ora nada melhor para fortalecer os laços entre juventude e política do que afastar a política de espaços públicos predominantemente juvenis. Parece que está subjacente a ideia da política como conspurcadora do meio académico, a política como "coisa suja" que polui o ambiente profissional e independente das universidades. Mas, mais uma vez, a realidade colide frontalmente com estes preconceitos, é que a própria universidade é ela um meio político, onde se concorrem a eleições para diversos órgãos e onde se reconhece uma relação não assumida entre algumas "jotas" e associações estudantis. Entre a política estar travestida no meio académico e estar assumidamente no mesmo, parece-me claro o valor da honestidade da segunda forma. A passagem a fundação de direito privado da UA foi uma decisão política, altamente negociada entre universidade e governo que "acenou" com um aumento de verbas para incentivar tal mudança. Aliás, tal decisão política acarreta consequências políticas nefastas. A política está nas universidades, está nas empresas, está na comunicação social, está um pouco por todo o lado. Se a política está presente, as decisões políticas devem ser assumidas abertamente e o debate deve ser alargado e não silenciado.

Mas se a lógica não corrobora a tradição, nem a lei fez esse frete e manteve-se o imperativo de que espaços públicos são espaços abertos a todos e abertos ao debate político.

Constato com prazer que Helena Nazaré, apesar de "agastada", recuperou o fôlego para receber pessoalmente figuras ilustres da sociedade portuguesa sem qualquer vínculo partidário (ver abaixo). Constato também que no mesmo momento em que a reitora lamentava o sucedido, tinha como convidado para orador Medeiros Ferreira. Não duvido dos méritos académicos de Medeiros Ferreira mas também não duvido que seja membro assumido do Partido Socialista. Ai a coerência...




P.S. Depois da CNE "injustamente" obrigar a cedência de espaços públicos para iniciativas políticas, nada como uma visita de candidatos do PS às legislativas para que a reitora recupere o sorriso.

1 comentário:

Arrastão disse...

Desculpem o abuso. Mas só para informar que o Arrastão está a fazer um inquérito às intensões de voto nas próximas autárquicas em 38 concelhos. Aveiro é um deles. Se quiserem ajudar a divulgar... Obrigado.