sexta-feira, agosto 01, 2008
Pedido de uma amiga (II)
No seguimento do pedido publicado no dia 28, acrescenta-se agora um trabalho com veia "artística" de um tal "PANKADAS", visando a carta que a Milú escreveu ao Director do jornal "Público" a denunciar a situação que já conhecem. Para além disso, fica também "postada" a referida carta, publicada no "Público", no passado dia 29.
Pode-se facilmente concluir que o Coexistência Humorística teve tratamento preferencial, o que nos coloca numa posição privilegiada - denunciámos toda esta situação mais depressa que o "Público"! :p (e ainda servimos de rampa de lançamento a artistas emergentes)
Pode-se facilmente concluir que o Coexistência Humorística teve tratamento preferencial, o que nos coloca numa posição privilegiada - denunciámos toda esta situação mais depressa que o "Público"! :p (e ainda servimos de rampa de lançamento a artistas emergentes)
segunda-feira, julho 28, 2008
Começou hoje
pelas 10h30m, o Trilho da Esperança, que vai ser feito de Melgaço a Vila Real de Santo António, em bicicleta. É uma viagem, com chegada prevista para o dia 22 de Agosto, que servirá ao professor António Morais (da EBI de Eixo) para protestar contra as medidas do Ministério da Educação e uma prova de solidariedade para com os outros docentes.Mais informações AQUI e AQUI.
Pedido de uma amiga
Recebi por email um pedido de uma amiga que tem um filho autista. Em vez de apresentar eu a situação, fica aqui o apelo pelas palavras da própria!
"Tenho o meu filho internado em Psiquiatria no Hospital de Aveiro. Estar no hospital já não é nada agradável, agora imagina o Serviço de Psiquiatria! Assim, e como já me deves conhecer, há coisas que não tolero. Sou muito paciente em tudo e tenho aguentado a barra sozinha, mas agora chegou a hora de dizer basta. Incitada pelas condições desumanas (suponho que este termo não é assim tão forte para a realidade que lá existe) em que estão os doentes de Psiquiatria e os profissionais de Saúde daquele Serviço, escrevi um artigo para o jornal Público, cuja publicação ansiosamente aguardo, na secção das cartas ao Director (como me foi garantido). Amanhã também segue uma carta para o Senhor Presidente da República. O tema das minhas missivas tem a ver com o ex-Centro de Saúde Mental em S. Bernardo, pois é inadmissível, tal como disse ao Sr. Presidente, haver terrenos do Estado a apodrecer enquanto 33 doentes, porque não há espaço para mais, estão emparedados numa ala de Hospital sem ar fresco e céu. Face ao que te disse, preciso de todos vós, ou melhor, sem politiquices nem outra qualquer cor, Aveiro precisa de um lugar condigno para aqueles que não o podem pedir e seremos todos nós a pedir em nome deles. Que quero eu de ti afinal? Que leias a carta e que divulgues ao máximo esta intenção, pois sei que és filho de Aveiro e meu amigo.
Sei que o meu pedido não vai esmorecer em ti nem naqueles a quem eu já falei e que se predispuseram ajudar, porque o caso não passa só pelo encerramento de S. Bernardo, que já foi, mas de muitas Instituições, nomeadamente o Casci, que eles, gostariam de ver encerrado e os pais que se amanhem, pois segundo alguém proferiu a seu tempo e em outras circunstâncias, mas não a mim, não estamos aqui para resolver todos os problemas do mundo."
Resta-me pedir a colaboração de todos e remeter-vos para o modus operandi do Governo no que respeita estas matérias, que se encontra na Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2008.
P.S. - Como é óbvio, esta resolução tem pouco de resoluto, se é que me faço entender.
"Tenho o meu filho internado em Psiquiatria no Hospital de Aveiro. Estar no hospital já não é nada agradável, agora imagina o Serviço de Psiquiatria! Assim, e como já me deves conhecer, há coisas que não tolero. Sou muito paciente em tudo e tenho aguentado a barra sozinha, mas agora chegou a hora de dizer basta. Incitada pelas condições desumanas (suponho que este termo não é assim tão forte para a realidade que lá existe) em que estão os doentes de Psiquiatria e os profissionais de Saúde daquele Serviço, escrevi um artigo para o jornal Público, cuja publicação ansiosamente aguardo, na secção das cartas ao Director (como me foi garantido). Amanhã também segue uma carta para o Senhor Presidente da República. O tema das minhas missivas tem a ver com o ex-Centro de Saúde Mental em S. Bernardo, pois é inadmissível, tal como disse ao Sr. Presidente, haver terrenos do Estado a apodrecer enquanto 33 doentes, porque não há espaço para mais, estão emparedados numa ala de Hospital sem ar fresco e céu. Face ao que te disse, preciso de todos vós, ou melhor, sem politiquices nem outra qualquer cor, Aveiro precisa de um lugar condigno para aqueles que não o podem pedir e seremos todos nós a pedir em nome deles. Que quero eu de ti afinal? Que leias a carta e que divulgues ao máximo esta intenção, pois sei que és filho de Aveiro e meu amigo.
Sei que o meu pedido não vai esmorecer em ti nem naqueles a quem eu já falei e que se predispuseram ajudar, porque o caso não passa só pelo encerramento de S. Bernardo, que já foi, mas de muitas Instituições, nomeadamente o Casci, que eles, gostariam de ver encerrado e os pais que se amanhem, pois segundo alguém proferiu a seu tempo e em outras circunstâncias, mas não a mim, não estamos aqui para resolver todos os problemas do mundo."
Resta-me pedir a colaboração de todos e remeter-vos para o modus operandi do Governo no que respeita estas matérias, que se encontra na Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2008.
P.S. - Como é óbvio, esta resolução tem pouco de resoluto, se é que me faço entender.
sexta-feira, julho 18, 2008
quarta-feira, julho 09, 2008
Quebrar o hábito
Quebro aqui o hábito de falar sobre política para falar sobre Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD que se afigura de carácter temporário, a própria já terá manifestado que se não ganhar as eleições não irá para a assembleia fazer oposição, coisa que se percebe perfeitamente dado que não tem ideias políticas. Mas como sobre política nada posso dizer sobre MFL, aproveito para falar da sua fraca capacidade de raciocínio lógico e conservadorismo moral envergonhado, a cidadã MFL não conseguiu arranjar um bom raciocínio para negar os direitos mais básicos a cidadãos homossexuais. Tentou associar o casamento e os benefícios associados ao pressuposto da procriação, acontece que os homofóbicos não estão isentos de obedecer à lógica, acontece que o casamento não tem pressupostos procriativos. O casamento é um contrato público em que duas pessoas assumem um compromisso amoroso formal (sublinho formal), não assumem perante o Estado nenhum compromisso de procriação, logo, o que MFL disse, além de asqueroso do ponto de vista intelectual e moral, é mentira.
Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". E a seguir especificou que essas medidas eram "no sentido de que a família tem por objectivo a procriação"
As ideias de MFL são más de mais, mesmo aplicadas a criação de porcos, o Estado não define os objectivos das familias, muito menos MFL, os casais definem para si o seu objectivo de vida, o Estado assume-se como "pessoa de bem" e simplesmente acompanha de forma positiva as opções das mesmas.
Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família". E a seguir especificou que essas medidas eram "no sentido de que a família tem por objectivo a procriação"
As ideias de MFL são más de mais, mesmo aplicadas a criação de porcos, o Estado não define os objectivos das familias, muito menos MFL, os casais definem para si o seu objectivo de vida, o Estado assume-se como "pessoa de bem" e simplesmente acompanha de forma positiva as opções das mesmas.
quarta-feira, junho 25, 2008
Brilha na escuridão
Quando a sociedade se vê vergada às piores directivas europeias e em Portugal se assiste a uma política tão extremada à direita que deixa confuso o espectro que se auto proclama de direita, o sindicalismo resiste. E resiste porque revelou-se um verdadeiro "parceiro social" na medida em que assumiu uma parceria afincada com a sua base de apoio, os trabalhadores. Falo, claro está, dos verdadeiros sindicatos, falo neste caso da CGTP que não se verga e que não verga os que contam consigo perante o fado das políticas de sempre do bloco central, "parceiro social" afincado das estruturas dirigentes empresariais.
Propostas do governo prevêem a possibilidade de 36 horas de trabalho em 3 dias, o que deita por terra a lógica da produtividade e que entra em contraclico com a necessidade de criar emprego. Eu cá vou dar provas de produtividade, em 2009 só preciso de um dia para resolver os problemas de Portugal, em 2009 a "cruzinha" vai para o sítio certo, vai, como sempre, para a esquerda.
Propostas do governo prevêem a possibilidade de 36 horas de trabalho em 3 dias, o que deita por terra a lógica da produtividade e que entra em contraclico com a necessidade de criar emprego. Eu cá vou dar provas de produtividade, em 2009 só preciso de um dia para resolver os problemas de Portugal, em 2009 a "cruzinha" vai para o sítio certo, vai, como sempre, para a esquerda.
quinta-feira, junho 19, 2008
O futebol que conta
Isto é futebol...
...já isto, é outra coisa qualquer...
P.S. Só vi os primeiros 23 segundos do segundo vídeo
...já isto, é outra coisa qualquer...
P.S. Só vi os primeiros 23 segundos do segundo vídeo
quinta-feira, junho 12, 2008
Grande "cromo"!
Neste vídeo de boa qualidade, podemos ver o magnífico baixista Pepe Bao a "malhar" como deve ser...
É, sem sombra de dúvida, o melhor baixista espanhol e ainda mistura nos seus solos umas "rodelas" de flamenco!
Solo de Pepe Bao en sevilla
É, sem sombra de dúvida, o melhor baixista espanhol e ainda mistura nos seus solos umas "rodelas" de flamenco!
Solo de Pepe Bao en sevilla
quarta-feira, junho 11, 2008
Para celebrar o "dia da raça"
Embora atrasado, deixo aqui a minha solidariedade com Cavaco e um pequeno vídeo de celebração do "dia da raça".
quinta-feira, junho 05, 2008
Chiça!
200 mil pessoas esta tarde nas ruas de Lisboa!
Só uma besta como Sócrates é que pode ignorar isto... deve estar à espera que os 200.000 lhe entrem pela casa dentro para deixar de ser teimoso!
Só uma besta como Sócrates é que pode ignorar isto... deve estar à espera que os 200.000 lhe entrem pela casa dentro para deixar de ser teimoso!
Pena não morar em Lisboa

Tem hoje lugar, pelas 18h30, na Bertrand do Chiado, uma sessão em que Ricardo Araújo Pereira, Rui Zink e Paulo Nogueira conversam com Carlos Vaz Marques e respondem à pergunta «A literatura portuguesa tem sentido de humor?»
Não conheço a obra de Paulo Nogueira mas da parte de Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink pode-se dizer que sentido do humor nunca faltou...
sábado, maio 31, 2008
Crise? Qual crise?
Se alguém tinha dúvidas de que a crise não existe (é apenas um "pequeno crescimento" como gosta de apregoar o sr. Pinto de Sousa a.k.a. Sócrates) eis que o facto de, ontem, terem comparecido 90 mil pessoas no Rock in Rio vem provar que ela já está mais do que ultrapassada!
Na verdade, só as receitas de bilheteira ascenderam a 4.770.000 € (perto de um milhão de contos), e atendendo ao facto de cada bilhete custar 53€! (para ver concertos pré-embalados e prontos a mastigar?), o PM tem aqui um pretexto fantástico para anunciar que a crise acabou.
Enfim, 53€ para ver uma brasileira a abanar a peida, uma inglesa embriagada, um português que deu "quatro escudos" a uma gaja qualquer e fez disso uma canção, e um americano com a mania que é o Jimi Hendrix... prioridades (cada um tem as suas)!!!
Espero que, ao menos tenham ido de transportes públicos, mas ouvi dizer que os preços dos comboios também não eram assim tão baratos, o que só prova mais uma vez que a crise acabou!
Na verdade, só as receitas de bilheteira ascenderam a 4.770.000 € (perto de um milhão de contos), e atendendo ao facto de cada bilhete custar 53€! (para ver concertos pré-embalados e prontos a mastigar?), o PM tem aqui um pretexto fantástico para anunciar que a crise acabou.
Enfim, 53€ para ver uma brasileira a abanar a peida, uma inglesa embriagada, um português que deu "quatro escudos" a uma gaja qualquer e fez disso uma canção, e um americano com a mania que é o Jimi Hendrix... prioridades (cada um tem as suas)!!!
Espero que, ao menos tenham ido de transportes públicos, mas ouvi dizer que os preços dos comboios também não eram assim tão baratos, o que só prova mais uma vez que a crise acabou!

P.S. - A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, esteve na Cidade do Rock e disse que gostava de ficar para ouvir Rui Veloso. No entanto, o português não integra o cartaz desta edição do festival. (ESTA INFORMAÇÃO ESTÁ NO SITE DO CORREIO DA MANHÃ MAS RUI VELOSO ESTEVE NA CIDADE DO ROCK HOJE, PARA RECEBER UMA HOMENAGEM, NÃO PARA UM CONCERTO).
sexta-feira, maio 23, 2008
O lado ternurento de Meirelles e Saramago
Para além de ser um realizador brilhante, Fernando Meirelles é também um bom cronista.
Vale a pena ler o artigo escrito pelo realizador, em que ele descreve como foi a sensação de ter assistido a "Blindness" (filme adaptado a partir de "Ensaio sobre a cegueira") ao lado de José Saramago, em Lisboa. Leia-se o artigo para ver como o relato de Meirelles é fiel. Ou, então, faça-se o contrário. Seja vendo o vídeo, seja lendo o texto, acompanhamos o desespero de Meirelles naquele momento crucial em que a ficha técnica começa a passar e Saramago fica calado, pensativo...
Por Fernando Meirelles
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme “Ensaio sobre a Cegueira” para o autor da história, José Saramago.
Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso _e não estava errado.
Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.
Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma.
Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.
Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: “Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever ‘O Ensaio sobre a Cegueira’”.
Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua.
Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente.
Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo.
Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança.
Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: “Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?”. Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno.
Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem.
“É isso que faço sempre”, concluiu o escritor.
Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida.
Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira.
Vale a pena ler o artigo escrito pelo realizador, em que ele descreve como foi a sensação de ter assistido a "Blindness" (filme adaptado a partir de "Ensaio sobre a cegueira") ao lado de José Saramago, em Lisboa. Leia-se o artigo para ver como o relato de Meirelles é fiel. Ou, então, faça-se o contrário. Seja vendo o vídeo, seja lendo o texto, acompanhamos o desespero de Meirelles naquele momento crucial em que a ficha técnica começa a passar e Saramago fica calado, pensativo...
Por Fernando Meirelles
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme “Ensaio sobre a Cegueira” para o autor da história, José Saramago.
Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso _e não estava errado.
Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.
Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma.
Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.
Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: “Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever ‘O Ensaio sobre a Cegueira’”.
Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua.
Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente.
Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo.
Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança.
Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: “Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?”. Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno.
Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem.
“É isso que faço sempre”, concluiu o escritor.
Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida.
Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira.
quinta-feira, maio 22, 2008
Mais do mesmo
Na terça-feira passada, dia 20, segundo notícia publicada no site do Sol, o ministro Vieira da Silva, ao referir o concurso para integrar os trabalhadores precários do Programa Novas Oportunidades (em que se incluem técnicos dos CNO, de RVC, e, claro, formadores) saiu-se com a seguinte "pérola": o concurso abrange cerca de 1600 pessoas e destina-se apenas a trabalhadores permanentes, uma vez que «existem prestadores de serviços, como formadores, que querem permanecer com esse vínculo». Uma ova!
Sr. Ministro faça uma rápida sondagem entre os formadores a trabalhar nos CNO's do nosso país e veja a dimensão da asneira que disse. Mas alguém no seu perfeito juízo se lembra de uma destas? Ai os formadores querem manter o vínculo de trabalhadores precários? Não sabia!!! Imbecil!!!
Como se não bastasse, e estando toda a gente farta de saber que, em Portugal, há excesso de professores, na Visão de hoje, sai este artigo de Teresa Campos, que denuncia a falta de professores de Língua Portuguesa (uma fatia jeitosa dos professores desempregados) em países como a Alemanha e Inglaterra, para leccionarem português aos filhos de emigrantes. Pior mesmo só o facto de numa União Europeia do século XXI, dois governos como o português e o alemão não se entenderem relativamente a esta matéria.
Sr. Ministro faça uma rápida sondagem entre os formadores a trabalhar nos CNO's do nosso país e veja a dimensão da asneira que disse. Mas alguém no seu perfeito juízo se lembra de uma destas? Ai os formadores querem manter o vínculo de trabalhadores precários? Não sabia!!! Imbecil!!!
Como se não bastasse, e estando toda a gente farta de saber que, em Portugal, há excesso de professores, na Visão de hoje, sai este artigo de Teresa Campos, que denuncia a falta de professores de Língua Portuguesa (uma fatia jeitosa dos professores desempregados) em países como a Alemanha e Inglaterra, para leccionarem português aos filhos de emigrantes. Pior mesmo só o facto de numa União Europeia do século XXI, dois governos como o português e o alemão não se entenderem relativamente a esta matéria.
Realmente, de um "Pedreira" só saem "calhaus"!
(clicar na imagem para aumentar)
quarta-feira, maio 21, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
"Baichar och padrõejinhos"
Os padrõezinhos lá para baixo é o que pretende este Governo. Cada vez mais baixos até chegar a um nível rasteirinho!Depois de, no sábado, o jornal Expresso ter "descoberto" que o programa Novas Oportunidades (promovido e implementado pelo Governo) incorpora trabalhadores com situações precárias (Ah! de admiração), agora foi a vez do Jornal de Negócios destacar o facto de "há dez anos, o salário médio dos trabalhadores, com idades entre os 25 e os 34 anos, representar 96% do salário médio nacional. Desde então a situação salarial destes trabalhadores tem vindo a degradar-se e actualmente o seu salário médio é de 634 euros mensais, 87% do salário médio nacional, cujo valor é 726 euros."
Mas estes são valores médios e, como tal, convém lembrar que há quem ganhe muito menos do que isto. O mais preocupante continua a ser o facto de que todos estes "precários", quer aufiram acima ou abaixo da média apresentada, serem obrigados a:
1) pagar as contribuições da Segurança Social (que podem ir dos 50€ aos 200€ mensais e que, com toda a certeza, lhes possibilitarão uma reforma segura);
2) pagar o prémio anual do Seguro de Acidentes de Trabalho OBRIGATÓRIO para Trabalhadores Independentes (que oscila entre os 70€ e 150€, consoante a cobertura oferecida);
3) nalguns casos pagar o IVA.
Para mais esclarecimentos, visite-se o FERVE para ter uma ideia mais concreta de alguns testemunhos que lá são apresentados.
AMI helps those who help themselves...
...aqueles que não querem ser ajudados, têm que receber essa ajuda por outros meios.
Fernando Nobre diz que Birmânia recusou ajuda da AMI que pretendia auxiliar as vítimas do ciclone que há duas semanas abalou o país.
Uma vez que a AMI "não pode saltar de pára-quedas com a ajuda às costas", a organização está a ponderar enviar uma ajuda financeira de 10 mil euros, transferindo o dinheiro para o arcebispo de Rangum.
Fernando Nobre diz que Birmânia recusou ajuda da AMI que pretendia auxiliar as vítimas do ciclone que há duas semanas abalou o país.
Uma vez que a AMI "não pode saltar de pára-quedas com a ajuda às costas", a organização está a ponderar enviar uma ajuda financeira de 10 mil euros, transferindo o dinheiro para o arcebispo de Rangum.
terça-feira, maio 13, 2008
Começa amanhã...

... o grandioso Festival de Cannes, que este ano abre com Blindness, adaptado a partir de "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago, realizado pelo brasileiro Fernando Meirelles, e com um brilhante elenco. Apesar de ainda não ter visto nem este, nem nenhum dos outros filmes, espero que seja este a receber a Palma de Ouro. Ou então o Linha de Passe de Walter Salles.
Bons filmes!
sábado, maio 10, 2008
quarta-feira, maio 07, 2008
The amazing adventures of Vieira da Silva
O Ministro do Trabalho e da Segurança Social está prestes a atingir um novo ponto máximo de sofisticação!
Após ter afirmado na TSF desconhecer a realidade dos 'falsos' recibos verdes nos CNO's, Vieira da Silva foi confrontado com esta realidade na interpelação ao Governo, promovida pelo Bloco de Esquerda.
Também o FERVE interpelou o ministro acerca desta questão no programa "Prós e Contras", ao que Vieira da Silva respondeu afirmando que o Governo cumpriria com as suas obrigações, tal como já o havia feito no passado.
Ora, o que o Governo está a fazer é a afastar liminarmente todos os técnicos a recibos verdes nos Centros Novas Oportunidades (CNO's) de gestão directa do IEFP, ou seja, tratam-se de CNO's de gestão directa do próprio ministério do Trabalho.
Para celebrar esta situação, Vieira da Silva irá estar na próxima sexta-feira no CACE Cultural do Porto, para proceder à entrega de diplomas obtidos ao abrigo do programa Novas Oportunidades. Apelamos a que não deixem esta incongruência passar impune!
Esta situação é apenas um dos exemplos que começam a ocorrer na administração pública, onde existem mais de 100 mil pessoas a trabalhar a recibos verdes!
Via FERVE
terça-feira, maio 06, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
Vieira da Silva não fez as contas
"O ministro do Trabalho garante que a reforma será "neutral" do ponto de vista financeiro. O que se perde pela redução de um ponto percentual da taxa contributiva relativa a três milhões de trabalhadores é compensada pela receita adicional obtida com o aumento em três pontos da taxa correspondente aos 685 mil contratados a termo (a maioria dos quais, a prazo)."
3.000.000 x0.01= 30.000
685.000 x 0.03 = 20.550
Para os cofres do Estado:
20.550 - 30.000 = - 9.450
Estas contas agravam-se no sentido em que os 685 mil trabalhadores a prazo auferirão salários menores do que os 3 milhões de trabalhadores com contrato sem termo, assim, e mais uma vez, confirma-se que a reforma não é "neutral" do ponto de vista financeiro, porque efectivamente a participação do patronato nas contas do Estado diminui .
3.000.000 x0.01= 30.000
685.000 x 0.03 = 20.550
Para os cofres do Estado:
20.550 - 30.000 = - 9.450
Estas contas agravam-se no sentido em que os 685 mil trabalhadores a prazo auferirão salários menores do que os 3 milhões de trabalhadores com contrato sem termo, assim, e mais uma vez, confirma-se que a reforma não é "neutral" do ponto de vista financeiro, porque efectivamente a participação do patronato nas contas do Estado diminui .
The Nuno Lopes Show
Depois da estreia d'Os Contemporâneos, ontem, na RTP1, confirmei uma suspeita que já tinha desde que ouvi falar do programa e do brilhante elenco de actores: este programa corre sérios riscos de se tornar num one man show protagonizado pelo extraordinário Nuno Lopes.
domingo, maio 04, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
Maio 68 - Maio 08
sexta-feira, abril 25, 2008
Espírito de Abril
"Não percebo porque é que Abril não é unanimemente celebrado.
Aqueles que amavam e lutavam pela Liberdade, têm todas as razões para celebrar.
Aqueles que não amavam, não gostavam da Liberdade, tiveram finalmente oportunidade de fazer a tal viagem ao Brasil que andavam há tanto tempo a adiar."
Aqueles que amavam e lutavam pela Liberdade, têm todas as razões para celebrar.
Aqueles que não amavam, não gostavam da Liberdade, tiveram finalmente oportunidade de fazer a tal viagem ao Brasil que andavam há tanto tempo a adiar."
Ricardo Araújo Pereira
quinta-feira, abril 24, 2008
O contorcionista
"O ex-ministro chamou ainda a atenção do Governo para o facto de esta penalização vir, provavelmente, a ser paga pelos trabalhadores.
"São os trabalhadores que vão ser vítimas desta medidas porque vão receber menos três por cento, porque têm que aceitar isso porque há desemprego", salientou."
Bagão Félix sobre aumento nas taxas sociais.
A forma que Bagão encontrou para contestar o aumento das taxas proposto pelo governo, foi a de salientar a (real) irresponsabilidade das empresas que ele pretende salvaguardar deste aumento. Só mesmo quem não tem espinha é que consegue fazer isto...
"São os trabalhadores que vão ser vítimas desta medidas porque vão receber menos três por cento, porque têm que aceitar isso porque há desemprego", salientou."
Bagão Félix sobre aumento nas taxas sociais.
A forma que Bagão encontrou para contestar o aumento das taxas proposto pelo governo, foi a de salientar a (real) irresponsabilidade das empresas que ele pretende salvaguardar deste aumento. Só mesmo quem não tem espinha é que consegue fazer isto...
quarta-feira, abril 23, 2008
Não dão ponto sem nó
A propósito do novo código laboral o governo tem a cobertura mediática que queria, quase todos, sem excepção, apontam a penalização das taxas sociais relativas aos serviços prestados a recibos verdes, mas este governo não dá ponto sem nó. Acontece que, mantendo-se o cenário actual, existe uma diminuição real da contribuição dos empregadores/patrões em termos líquidos. Ora, os trabalhadores a recibos verdes (doravante abreviado para TRV) rondam os 900 mil (898 mil), a população activa situa-se nos 5.500 mil, podemos dizer então que:
900/5500= 16,4 % da população activa está a recibos verdes
Façamos um exercício conservador, vamos supor que os trabalhadores com contrato sem termo (doravante abreviado para TCST) ganham o mesmo que os trabalhadores a recibos verdes, e imaginemos que têm rendimentos na ordem dos 1000 euros mensais brutos.
1000 x .2375 = 237.5 € que pagavam os patrões por TCST ou TRV
1000 x .2275 = 227.5 € que pagarão por TCST
1000 x .2675 = 267.5 € que pagarão por TRV
Imaginemos uma empresa com 1000 trabalhadores que tem um rácio entre TCST e TRV igual ao rácio nacional:
164 x (267.5-237.5) = 4920 € representa o aumento que o patronato associado às taxas sociais relativas a TRV
836 x (237.5-227.5) = 8360 € representa a poupança que o patronato fará nas taxas sociais relativas a TCST
8360-4920= 3440 € ou seja, o patronato pagaria menos 3440 € do pagaria antes...menos dinheiro para os cofres do Estado.
Conclusão:
.Depois das empresas viciarem o mercado laboral com mecanismos injustos, o Estado dá-lhes um presente, isto porque se as empresas mantiveram a situação vigente ou mesmo piorando-a com cautela vêm a sua participação para com o Estado diminuir.
.Apesar da medida ser efectivamente considerada um estímulo para diminuir os números de índices de TRV, esta taxação não serve para diminuir os valores registados, porque, como se viu, os patrões pouparão dinheiro em relação a anos homólogos mantendo o rácio já vigente.
.Os valores auferidos pelos TRV serão, obviamente, bastante inferiores aos auferidos pelos TCST, o que indica que os gastos dos patrões para com salários ainda decairão mais do que aqui foi registado. Este exercício pretende salientar que, mesmo assim, é possível concluir com segurança uma diminuição da participação do patronato nas receitas do Estado.
. Se o governo queria efectivamente penalizar tinha duas hipóteses:
1. Propor um aumento na taxa associada a TRV e a manutenção da taxa associada a TCST.
2. Propor, como fez, uma aumento numa taxa e a diminuição noutra, mas para garantir que as empresas eram penalizadas pela situação vigente tinham de ter em conta o rácio entre os TCST e TRV e multiplicá-lo pelo rácio entre salários de TCST e TRV. Tendo esses dados, propor um aumento que fosse superior à diminuição num rácio superior ao rácio verficado anteriormente.
Exemplo:
Os trabalhadores a recibos verdes ganham 50% do que ganham os trabalhadores com contrato sem termo, ou seja o rácio entre salários de TCST e TRV é de 2.
2 x (.836/.164) = 10.195...
Propondo uma diminuição de 1% para a taxa associada a rendimentos de TCST, deveria-se propor um aumento de mais de 10.195% na taxa associada a rendimentos de TRV.
23.75%+10.195%=33.945%
Fazendo novamente as contas:
500 (50% de 1000) x .33945 = 169.73 € que pagarão por TRV
500 x .2375 = 118.75 € que pagavam por TRV
164 x (169.73-118.75) = 8360 € representam o aumento que o patronato terá de suportar em função da proporção de TRV na população activa
Ou seja, com estas taxas (supondo que os TRV ganham metade dos TCST) os impostos em relação a anos homólogos seriam iguais, bastava agora o governo subir mais do que 10.95% nos impostos associados a TRV para garantir a penalização da situação vigente.
P.S. Este post incidiu só sobre as boas notícias do governo, nem se atreve, por enquanto, a expor as más notícias que não aparecem na "imprensa cor-de-rosa" (sim, é um duplo trocadilho)
900/5500= 16,4 % da população activa está a recibos verdes
Façamos um exercício conservador, vamos supor que os trabalhadores com contrato sem termo (doravante abreviado para TCST) ganham o mesmo que os trabalhadores a recibos verdes, e imaginemos que têm rendimentos na ordem dos 1000 euros mensais brutos.
1000 x .2375 = 237.5 € que pagavam os patrões por TCST ou TRV
1000 x .2275 = 227.5 € que pagarão por TCST
1000 x .2675 = 267.5 € que pagarão por TRV
Imaginemos uma empresa com 1000 trabalhadores que tem um rácio entre TCST e TRV igual ao rácio nacional:
164 x (267.5-237.5) = 4920 € representa o aumento que o patronato associado às taxas sociais relativas a TRV
836 x (237.5-227.5) = 8360 € representa a poupança que o patronato fará nas taxas sociais relativas a TCST
8360-4920= 3440 € ou seja, o patronato pagaria menos 3440 € do pagaria antes...menos dinheiro para os cofres do Estado.
Conclusão:
.Depois das empresas viciarem o mercado laboral com mecanismos injustos, o Estado dá-lhes um presente, isto porque se as empresas mantiveram a situação vigente ou mesmo piorando-a com cautela vêm a sua participação para com o Estado diminuir.
.Apesar da medida ser efectivamente considerada um estímulo para diminuir os números de índices de TRV, esta taxação não serve para diminuir os valores registados, porque, como se viu, os patrões pouparão dinheiro em relação a anos homólogos mantendo o rácio já vigente.
.Os valores auferidos pelos TRV serão, obviamente, bastante inferiores aos auferidos pelos TCST, o que indica que os gastos dos patrões para com salários ainda decairão mais do que aqui foi registado. Este exercício pretende salientar que, mesmo assim, é possível concluir com segurança uma diminuição da participação do patronato nas receitas do Estado.
. Se o governo queria efectivamente penalizar tinha duas hipóteses:
1. Propor um aumento na taxa associada a TRV e a manutenção da taxa associada a TCST.
2. Propor, como fez, uma aumento numa taxa e a diminuição noutra, mas para garantir que as empresas eram penalizadas pela situação vigente tinham de ter em conta o rácio entre os TCST e TRV e multiplicá-lo pelo rácio entre salários de TCST e TRV. Tendo esses dados, propor um aumento que fosse superior à diminuição num rácio superior ao rácio verficado anteriormente.
Exemplo:
Os trabalhadores a recibos verdes ganham 50% do que ganham os trabalhadores com contrato sem termo, ou seja o rácio entre salários de TCST e TRV é de 2.
2 x (.836/.164) = 10.195...
Propondo uma diminuição de 1% para a taxa associada a rendimentos de TCST, deveria-se propor um aumento de mais de 10.195% na taxa associada a rendimentos de TRV.
23.75%+10.195%=33.945%
Fazendo novamente as contas:
500 (50% de 1000) x .33945 = 169.73 € que pagarão por TRV
500 x .2375 = 118.75 € que pagavam por TRV
164 x (169.73-118.75) = 8360 € representam o aumento que o patronato terá de suportar em função da proporção de TRV na população activa
Ou seja, com estas taxas (supondo que os TRV ganham metade dos TCST) os impostos em relação a anos homólogos seriam iguais, bastava agora o governo subir mais do que 10.95% nos impostos associados a TRV para garantir a penalização da situação vigente.
P.S. Este post incidiu só sobre as boas notícias do governo, nem se atreve, por enquanto, a expor as más notícias que não aparecem na "imprensa cor-de-rosa" (sim, é um duplo trocadilho)
terça-feira, abril 22, 2008
Quero o meu nome no espelho de um F1
Atendendo ao facto de o Governo ter atribuído um subsídio de 2 milhões de euros a Tiago Monteiro e de Laurentino Dias considerar isso um "acto normal" (chegou mesmo a afirmar que o montante em causa, na Fórmula 1, corresponde "quase a um nome no retrovisor de um automóvel"), exijo, portanto, que o meu nome e dos outros contribuintes que ajudaram a pagar este subsídio apareçam no espelho retrovisor de um F1. Quem quiser ler a notícia pode fazê-lo AQUI.


segunda-feira, abril 21, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
"Human merchandise"
"The product is you
So just step on the facts
And come right through
The product is you (...)
If you stand up strait and fight the rules
We'll look back on those petty fools
Who will still continue to
Drown in it "
Flaw
quinta-feira, abril 03, 2008
Sr. Ministro, conhece o INE?
Perante ESTAS DECLARAÇÕES do ministro Mariano Gago, a única coisa que posso dizer é: "Fume menos ganza, consulte os dados do INE e ouça o ministro do trabalho!"
Ora aqui fica a tabela do Instituto Nacional de Estatítica que pulveriza a frase proferida pelo próprio ministro, quando afirma que "quase não há desemprego entre licenciados".

Ora isto em números redondos (para não serem só percentagens) dá cerca de 65.600 licenciados. E só a título de curiosidade, são mais 16,1% do que no final de 2006 e mais 1% que no final do terceiro trimestre de 2007.
O ministro do trabalho, Vieira da Silva, só entra nesta confusão porque afirmou hoje que "um licenciado demora, em média, oito meses a encontrar emprego". Ora, se demoram este tempo a encontrar emprego, é porque existem.
Ora aqui fica a tabela do Instituto Nacional de Estatítica que pulveriza a frase proferida pelo próprio ministro, quando afirma que "quase não há desemprego entre licenciados".
Ora isto em números redondos (para não serem só percentagens) dá cerca de 65.600 licenciados. E só a título de curiosidade, são mais 16,1% do que no final de 2006 e mais 1% que no final do terceiro trimestre de 2007.
O ministro do trabalho, Vieira da Silva, só entra nesta confusão porque afirmou hoje que "um licenciado demora, em média, oito meses a encontrar emprego". Ora, se demoram este tempo a encontrar emprego, é porque existem.
segunda-feira, março 31, 2008
Vale a pena ver...
... o documentário "Por favor votem em mim" que a RTP1 exibiu no sábado passado (às 00h25m), acerca de uma turma com crianças chinesas de oito anos e o seu "percurso" para serem eleitos Delegados de Turma. Com algumas partes que roçam o cómico, o adjectivo que encontro para melhor descrever este documentário é ATERRADOR!
Aqui fica a sinopse: "Numa escola primária da China os alunos aprendem o que é a democracia elegendo pela primeira vez o seu monitor.
Wahun é uma cidade da China do tamanho de Londres, onde foi feita uma experiência sobre democracia. Na escola primária de Evergreen, o terceiro ano aprende o que é a democracia, ao eleger pela primeira vez o monitor da classe. Três crianças são escolhidas pelo professor para candidatos e têm apenas alguns dias para fazerem a campanha e convencerem os colegas a votarem neles.
Este documentário acompanha as três crianças quer na escola quer em casa, onde os pais dão o seu melhor para terem a certeza de que eles ganham a eleição."
E aqui ficam os vídeos com legendas em inglês:
Aqui fica a sinopse: "Numa escola primária da China os alunos aprendem o que é a democracia elegendo pela primeira vez o seu monitor.
Wahun é uma cidade da China do tamanho de Londres, onde foi feita uma experiência sobre democracia. Na escola primária de Evergreen, o terceiro ano aprende o que é a democracia, ao eleger pela primeira vez o monitor da classe. Três crianças são escolhidas pelo professor para candidatos e têm apenas alguns dias para fazerem a campanha e convencerem os colegas a votarem neles.
Este documentário acompanha as três crianças quer na escola quer em casa, onde os pais dão o seu melhor para terem a certeza de que eles ganham a eleição."
E aqui ficam os vídeos com legendas em inglês:
quarta-feira, março 26, 2008
Governação demissionária
José Rodrigues questiona Teixeira dos Santos no jornal da RTP1 se a descida do IVA não acabará por não se reflectir nos preços, dado que à semelhança da descida no IVA nos serviços associados aos ginásios os preços mantiveram-se e portanto aumentou-se o lucro para as empresas ao invés de descer o preço para o consumidor. Teixeira dos Santos, em resposta, apela à responsabilidade dos agentes económicos...
Para mim, um Ministro das Finanças cuja acção para salvaguardar os direitos dos consumidores/eleitores é fazer apelos, deve demitir-se no dia seguinte.

Legenda: Teixeira dos Santos durante o exercício do seu cargo político
A propósito de ginásios...
As mensalidades mais baratas dos ginásios rondam os 50 euros, ora podemos então ter uma ideia conservadora de quanto estes ganham com a descida de impostos.
21%-5%=16%
50 x 0.21= 10,5 €
50 x 0.16= 8 €
10,5 - 8 = 2,5 €
Ou seja, dos 10,5 euros que iriam para o Estado, para o SNS, para infra-estruturas públicas, educação... oito euros foram directos para o bolso dos empresários e cabe agora 2,5 € para o Estado. Com este rigor, este governo ou qualquer outro não tem qualquer moralidade para diminuir a despesa na saúde, na educação, no investimento público em geral. Esta actuação lesiva do interesse público merece o olho da rua.
Legenda: Teixeira dos Santos durante o exercício do seu cargo político
A propósito de ginásios...
As mensalidades mais baratas dos ginásios rondam os 50 euros, ora podemos então ter uma ideia conservadora de quanto estes ganham com a descida de impostos.
21%-5%=16%
50 x 0.21= 10,5 €
50 x 0.16= 8 €
10,5 - 8 = 2,5 €
Ou seja, dos 10,5 euros que iriam para o Estado, para o SNS, para infra-estruturas públicas, educação... oito euros foram directos para o bolso dos empresários e cabe agora 2,5 € para o Estado. Com este rigor, este governo ou qualquer outro não tem qualquer moralidade para diminuir a despesa na saúde, na educação, no investimento público em geral. Esta actuação lesiva do interesse público merece o olho da rua.
O mercado dos deputados
É verdade, é um mercado apetecível, dá para contornar as maçadas burocráticas dos regimes democráticos como a ponderação, o debate político e democracia em si. A quanto estará o deputado? Espero que agora que o PS está no governo não tenha inflacionado os preços. Mas eu cá também gostava de ter o meu, eu bem que votei noutros, mas esses vêm os projectos lei recusados, por isso também quero comprar um deputado. Será caro? Será que ele é cumpridor? Posso despedi-lo sem justa causa? Será que ele fica chateado se eu comprar o deputado que se oferecer por menos dinheiro? Será que se eu tiver ordenados em atraso ele se vai queixar?
Queria mesmo é o Vitalino Canas, trabalhador esforçado, não faz gazeta e sabe respeitar quem lhe paga. Isto de ser patrão dá muito trabalho, a mercadoria é inconstante e é preciso ter cuidado, não vá ganhar vontade própria...
Queria mesmo é o Vitalino Canas, trabalhador esforçado, não faz gazeta e sabe respeitar quem lhe paga. Isto de ser patrão dá muito trabalho, a mercadoria é inconstante e é preciso ter cuidado, não vá ganhar vontade própria...
sexta-feira, março 21, 2008
O fundo do poço
Produtividade, competência, "know-how", qualificação, inteligência...para quê?
15 mil milhões de euros portugueses em paraísos fiscais
O Estado, entidade responsável por taxar os contribuintes tem capitais em paraísos fiscais, o Estado tem medo do escrutínio público?
15 mil milhões de euros portugueses em paraísos fiscais
quinta-feira, março 20, 2008
Vantagens de conhecer a democracia há 25 séculos!
Na Grécia, país que já conhece a democracia há largos séculos, a greve geral reuniu 100.000 pessoas nas ruas de Atenas (tantas como as da Marcha da Indignação), 8.000 em Tessalónica e a estas juntaram-se milhões de outras que, juntas, fizeram a maior greve de sempre na Grécia.Assim, as escolas, os tribunais, os ministérios e os bancos permaneceram fechados. A transportadora aérea da Grécia anulou mais de 60 voos devido à greve dos controladores de tráfico aéreo.
O mais espantoso é que, ao invés daquilo que acontece no nosso país (em que o sector privado está convencido que sustenta o público), na Grécia, os manifestantes são funcionários públicos e de empresas privadas.
Estes protestos têm por base a reforma do sistema de pensões e as mudanças afectam particularmente as mulheres com filhos, que até agora podiam reformar-se antes dos 65 anos...
O mais espantoso é que, ao invés daquilo que acontece no nosso país (em que o sector privado está convencido que sustenta o público), na Grécia, os manifestantes são funcionários públicos e de empresas privadas.
Estes protestos têm por base a reforma do sistema de pensões e as mudanças afectam particularmente as mulheres com filhos, que até agora podiam reformar-se antes dos 65 anos...
terça-feira, março 18, 2008
Movimento Escola Pública
O Movimento Escola Pública é um blogue, mas principalmente um manifesto público de descontentamento em relação a este período em particular. Quem quiser pode assinar aqui o Manifesto Escola Pública e Democracia.
segunda-feira, março 10, 2008
Cadáveres políticos
Jazem firmes e convictos, convencidos de serem donos da razão:
Maria de Lurdes Rodrigues
Augusto Santos Silva
A democracia e o bom senso choram a perda. Doença prolongada fazia adivinhar o pior, doses excessivas de demagogia parecem ter vitimado estes dois seres, que, já em período final das suas vidas, terão tido alucinações, revoltado-se contra manifestações democráticas e branqueado a história da democracia portuguesa.
As palavras que ceifaram as respectivas vidas são agora seus epitáfios.
"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre. Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira"Augusto Santos Silva
«resultados mostram que se está no bom caminho» Maria Lurdes Rodrigues
Maria de Lurdes Rodrigues
Augusto Santos Silva
A democracia e o bom senso choram a perda. Doença prolongada fazia adivinhar o pior, doses excessivas de demagogia parecem ter vitimado estes dois seres, que, já em período final das suas vidas, terão tido alucinações, revoltado-se contra manifestações democráticas e branqueado a história da democracia portuguesa.
As palavras que ceifaram as respectivas vidas são agora seus epitáfios.
"A liberdade é algo que o País deve a Mário Soares, a Salgado Zenha, a Manuel Alegre. Não deve a Álvaro Cunhal nem a Mário Nogueira"Augusto Santos Silva
«resultados mostram que se está no bom caminho» Maria Lurdes Rodrigues
A prova do crime
Porque efectivamente o governo mentiu, aqui está a prova.

Tenho uma proposta para Sócrates, aumentar o seu ordenado de 1000 contos mensais para 1500 contos mensais...ah claro, só que pagos 6 vezes ao ano. Esta medida é excelente porque se traduz num aumento de 50% no ordenado por si auferido e, simultaneamente, numa diminuição da despesa do Estado.
Tenho uma proposta para Sócrates, aumentar o seu ordenado de 1000 contos mensais para 1500 contos mensais...ah claro, só que pagos 6 vezes ao ano. Esta medida é excelente porque se traduz num aumento de 50% no ordenado por si auferido e, simultaneamente, numa diminuição da despesa do Estado.
domingo, março 09, 2008
As palavras de ordem da Marcha
E sobre a Marcha da Indignação "That's all folks" MAS A LUTA CONTINUA! Que ninguém pense que termina por aqui... Se alguém tiver mais fotos ou vídeos que queira partilhar envia para ruibart@portugalmail.pt
GRANDECUMÓCARAÇAS!
Foi mesmo a maior de todas as manifestações sectoriais até hoje realizada!
Um exemplo a ser seguido, independentemente dos resultados práticos!
Fiz fotos e vídeos mas, como cheguei agora de Lisboa, ficam para amanhã...
Deixo apenas o vídeo de abertura do Jornal da Noite:
Um exemplo a ser seguido, independentemente dos resultados práticos!
Fiz fotos e vídeos mas, como cheguei agora de Lisboa, ficam para amanhã...
Deixo apenas o vídeo de abertura do Jornal da Noite:
100.000 professores vindos de todo o país, de Norte a Sul do interior ao litoral. Hoje, todos foram dar a Lisboa.
sexta-feira, março 07, 2008
Nisto eles recuam! Agora com os professores...
Há cerca de um ano, José Sócrates anunciava com pompa e circunstância que os cursos de recrutamento da PSP e da GNR estariam fechados até 2010.
Hoje, o ministro Rui Pereira anunciou que vão ser formados mais 2000 agentes e militares, da PSP e da GNR, contrariando o que tinha sido anunciado pelo próprio primeiro-ministro, no ano passado, ao afirmar que não haveria novas formações em 2008 e 2009.
Um recuo (que só lhe faz bem) do Governo de José Sócrates que pode servir para lhe lembrar que vivemos numa democracia!
Em relação aos professores vamos ver o que acontece (espero é que não demore um ano)!
Hoje, o ministro Rui Pereira anunciou que vão ser formados mais 2000 agentes e militares, da PSP e da GNR, contrariando o que tinha sido anunciado pelo próprio primeiro-ministro, no ano passado, ao afirmar que não haveria novas formações em 2008 e 2009.
Um recuo (que só lhe faz bem) do Governo de José Sócrates que pode servir para lhe lembrar que vivemos numa democracia!
Em relação aos professores vamos ver o que acontece (espero é que não demore um ano)!
quinta-feira, março 06, 2008
quarta-feira, março 05, 2008
Mais uma mentirinha usando conhecimentos de "matemática técnica" (corrigido)
Sócrates mentiu mais uma vez, desta vez em relação ao complemento solidário para idosos. Segundo o Jornal de Negócios, foi anunciado um aumento para 400 €, acontece que está previsto um rendimento anual de 4800€, esse rendimento divido por 12 meses dá 400 euros, no entanto esse rendimento anual é normalmente dividido por 14 meses. Os 323,5€ de rendimento mensal são multiplicados por 14, enquanto os 400 € são multiplicados por 12, ora se só poderiam comparar as mensalidades se ambas fossem pagas anualmente da mesma forma, ou 12 ou 14 vezes. Assim, comparando uma mensalidade que representa 1 doze avos do rendimento anual com uma mensalidade que representa 1 catorze avos do rendimento anual, cria-se a ilusão de um aumento muito maior do que aquele que efectivamente será feito. As contas reais são as seguintes:
4529,5/12=377,46€
4800/12=400€
[(400-377,46)/377,46] x100%=5,97%
O aumento real é 5,97% correspondendo a um aumento mensal real de 22,54€ (e não 76,5 €).
Via Ladrões de Bicicletas
4529,5/12=377,46€
4800/12=400€
[(400-377,46)/377,46] x100%=5,97%
O aumento real é 5,97% correspondendo a um aumento mensal real de 22,54€ (e não 76,5 €).
Via Ladrões de Bicicletas
terça-feira, março 04, 2008
Agora faz mais sentido!
Tendo em conta o conteúdo DESTA NOTÍCIA, faz muito mais sentido a declaração de Arsélio Martins no programa "Prós e Contras" da semana passada, quando afirmou que os erros na educação tinham sido cometidos por "todos nós!"
Eu cá gosto!
Os psicólogos Ângelo Santos, FC Porto, e Pedro Almeida, Benfica, recomendaram hoje a existência de actividades formativas para os jogadores convocados para estágios das selecções portuguesas de futebol dos escalões de formação.
Ora sendo eu formador, a notícia agrada-me bastante, MAS, desde já, aviso que a recibos verdes NÃO!
Ora sendo eu formador, a notícia agrada-me bastante, MAS, desde já, aviso que a recibos verdes NÃO!
segunda-feira, março 03, 2008
Travesti assassinada
Ainda desconhecendo se este caso se assemelha ao caso da falecida Gisberta, a morte de Luna, travesti que se prostituía nas ruas de Lisboa, levanta altas suspeitas de se tratar de um crime de índole racial/ódio. E mesmo que não seja o caso, não há razão para alívios espirituais, foi assassinada uma travesti (parece-me apropriado usar o feminino, era afinal esse o desejo da pessoa em questão) em pleno processo final de transição para o sexo feminino, algo está terrivelmente errado. A prostituição em Portugal continua a ser um mundo associado à criminalidade porque um Estado e sociedade hipócrita assim insiste, reconheça-se a existência deste mercado, legalize-se a prostituição, paguem-se impostos e, principalmente, tire-se as prostitutas/prostitutos desta situação de desprotecção total.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Marcha de professores em Aveiro
Está a crescer! Até ao momento é a maior da região centro com cerca de 3000 pessoas (segundo os cálculos da PSP ou 1500 segundo a Sic Notícias que passou agora a reportagem). Imbecis!
Aqui ficam as primeiras impressões sob a forma de fotos e vídeos (de telemóvel).
Se alguém tiver mais e quiser partilhar envie para ruibart@portugalmail.pt
Aqui ficam as primeiras impressões sob a forma de fotos e vídeos (de telemóvel).
Se alguém tiver mais e quiser partilhar envie para ruibart@portugalmail.pt




quarta-feira, fevereiro 27, 2008
E amanhã outra vez!

Depois de no post abaixo ter dado conta (embora tarde) de uma vigília de professores em Aveiro, aproveito para anunciar que amanhã, dia 28, pelas 21 horas, terá lugar nova concentração de professores no Centro Comercial Oita.
Desta vez não vou faltar... e dia 8 de Março estarei em Lisboa!
O mais certo é que as políticas prossigam parte do seu curso, mas tenho quase a certeza (baseado naquilo que tenho visto nos últimos dias) que a ministra (à semelhança daquilo que aconteceu com o ministro da saúde) vai ser afastada brevemente!
Desta vez não vou faltar... e dia 8 de Março estarei em Lisboa!
O mais certo é que as políticas prossigam parte do seu curso, mas tenho quase a certeza (baseado naquilo que tenho visto nos últimos dias) que a ministra (à semelhança daquilo que aconteceu com o ministro da saúde) vai ser afastada brevemente!
terça-feira, fevereiro 26, 2008
Mea culpa!
Passou-me ao lado mas mais vale tarde do que nunca!
Não é possível embutir o vídeo mas fica o link
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=328266&tema=27
Não é possível embutir o vídeo mas fica o link
http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=328266&tema=27
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Só podem ser do PCP - diz o autista
Antes demais, não quero com o título ofender aqueles que padecem de autismo, quero ofender um primeiro ministro que não padecendo da patologia bem que gosta de se esconder num mundo só dele.
Socas é um menino que gosta muito de brincar aos partidos, o menino só fica chateado quando os outros partidos pregam partidas no seu mundo encantado de destruição dos serviços essenciais do Estado. E diz o menino, que o partido do PCP não pode brincar, brincar é para o menino e o seu partido decapitado, e os bonecos (que somos nós) gostamos muito das brincadeiras do menino Socas, por isso nunca nos queixaríamos de livre e espontânea vontade.
Mas andam para ai uns meninos refilões, os professores que até já têm blogues.

Coitado do menino Socas, depois da brincadeira de querer que os professores tivessem acesso à internet, já deve estar triste, então o menino "dá" acesso à internet e os professores usam-na para falar mal do menino Socas...não se faz.
Mas andam para ai uns meninos refilões, os professores que até já têm blogues.

Coitado do menino Socas, depois da brincadeira de querer que os professores tivessem acesso à internet, já deve estar triste, então o menino "dá" acesso à internet e os professores usam-na para falar mal do menino Socas...não se faz.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Musiquinha "orelhuda"
Para ouvir no novo álbum de Jack Johnson, Sleep Through The Static.
If I had eyes in the back of my head
I would have told you that
You looked good
As I walked away
And if you could've tried to trust the hand that fed
You would've never been hungry
But you never really be
The more of this or less of this or is there any difference
or are we just holding onto the things we don't have anymore
Sometimes time doesn't heal
No not at all
Just stand still
While we fall
In or out of love again I doubt I'm gonna win you back
When you got eyes like that
It won't let me in
Always looking out
Lot of people spend their time just floating
We were victims together but lonely
You got hungry eyes that just can't look forward
Can't give them enough but we just can't start over
Building with bent nails we're
falling but holding, I don't wanna take up anymore of your time
Time time time
Sometimes time doesn't heal
No not all
Just stand still
While we fall
In or out of love again I doubt I'm gonna win you back
When you got eyes like that
It won't let me in
Always looking out
Always lookin
If I had eyes in the back of my head
I would have told you that
You looked good
As I walked away
And if you could've tried to trust the hand that fed
You would've never been hungry
But you never really be
The more of this or less of this or is there any difference
or are we just holding onto the things we don't have anymore
Sometimes time doesn't heal
No not at all
Just stand still
While we fall
In or out of love again I doubt I'm gonna win you back
When you got eyes like that
It won't let me in
Always looking out
Lot of people spend their time just floating
We were victims together but lonely
You got hungry eyes that just can't look forward
Can't give them enough but we just can't start over
Building with bent nails we're
falling but holding, I don't wanna take up anymore of your time
Time time time
Sometimes time doesn't heal
No not all
Just stand still
While we fall
In or out of love again I doubt I'm gonna win you back
When you got eyes like that
It won't let me in
Always looking out
Always lookin
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
RAP esgota auditório da Reitoria da UA (III)
Já se começa a tornar repetitivo mas desta vez impõe-se voltar a este assunto porque, finalmente, o CEMED disponibilizou a reportagem exibida no programa 3810-UA (com a qualidade que nós não conseguimos oferecer). Deixo aqui o vídeo da reportagem...
ou se alguém preferir visitar o site onde o vídeo está alojado pode ir AQUI
E dou o assunto por encerrado!
ou se alguém preferir visitar o site onde o vídeo está alojado pode ir AQUI
E dou o assunto por encerrado!
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Todos diferentes, todos iguais
"O ex-presidente da Tanzânia Julius Nyerere perguntou uma vez: "Por quer não temos todos direito de voto nas eleições americanas? Toda a gente que tem um aparelho de TV certamente merece esse direito, só por sofrer o bombardeamento cruel a cada quatro anos." Como cobri quatro campanhas eleitorais para a presidência, dos Kennedys a Nixon, de Carter a Reagan, com os seus Zepellins de superficialidades, seguidores robotizados e esposas deslumbradas, posso simpatizar com esta ideia.
Por John Pilger
Mas que diferença faria este voto? Dos candidatos presidenciais que entrevistei, só George C. Wallace, governador do Alabama, disse a verdade. "Não há a diferença de um cêntimo entre os democratas e os republicanos". E sofreu um atentado a tiro.
O que me impressionou, vivendo e trabalhando nos Estados Unidos, foi que as campanhas presidenciais eram uma paródia, divertida e frequentemente grotesca. São uma dança macabra de bandeiras, balões e conversa fiada, destinada a camuflar um sistema corrupto baseado no poder do dinheiro, na divisão humana e numa cultura de guerra permanente.
Por John Pilger
Mas que diferença faria este voto? Dos candidatos presidenciais que entrevistei, só George C. Wallace, governador do Alabama, disse a verdade. "Não há a diferença de um cêntimo entre os democratas e os republicanos". E sofreu um atentado a tiro.
O que me impressionou, vivendo e trabalhando nos Estados Unidos, foi que as campanhas presidenciais eram uma paródia, divertida e frequentemente grotesca. São uma dança macabra de bandeiras, balões e conversa fiada, destinada a camuflar um sistema corrupto baseado no poder do dinheiro, na divisão humana e numa cultura de guerra permanente.
Viajar com Robert Kennedy em 1968 abriu-me os olhos. Para audiências de pobres, Kennedy apresentava-se como um salvador. Pronunciava sem cessar e cinicamente as palavras "mudança" e "esperança". Para audiências de assustados brancos, usava códigos racistas, como "lei e ordem". Com os opositores à invasão do Vietname, atacava a ideia de "pôr os rapazes americanos na linha de fogo", mas nunca dizia quando ia retirá-los. Nesse ano (depois de Kennedy ter sido assassinado), Richard Nixon usou uma versão do mesmo discurso maleável para vencer a presidência. Depois disso, a mesma técnica foi usada com êxito por Jimmy Carter, Ronald Reagan, Bill Clinton e os dois Bushes. Carter prometeu uma política externa baseada nos "direitos humanos" - e praticou o exacto oposto. A "agenda de liberdade" de Reagan foi um banho de sangue na América Central. Clinton "prometeu solenemente" um sistema de saúde universal e deitou abaixo a última rede de segurança da Depressão.
Nada mudou. Barack Obama é um lustroso Tio Tom que bombardearia o Paquistão. Hillary Clinton, outra bombista, é anti-feminista. A única honra de John McCain é ele ter pessoalmente bombardeado um país. Todos acreditam que os EUA não estão submetidos às regras do comportamento humano, porque são uma "cidade no alto da colina", independentemente do facto de a humanidade os ver como uma ameaça que, desde 1945, derrubou 50 governos, muitos deles democracias, e bombardeou 30 nações, destruindo milhões de vidas.
Se se pergunta por que este holocausto não é "assunto" na actual campanha, pode perguntar à BBC, que é responsável por cobrir a campanha para boa parte do mundo, ou melhor ainda pode perguntar a Justin Webb, o editor para a América do Norte da BBC. Numa série da Radio 4 do ano passado, Webb exibiu o tipo de bajulação que lembra o pacificado dos anos 30 Geoffrey Dawson, então editor do London Times. Condoleezza Rice nunca é suficientemente falsa para Webb. Segundo Rice, os EUA estão a "apoiar as aspirações democráticas de todo o povo". Para Webb, que acredita que o patriotismo americano "cria um sentimento de alegria e de solidez", os crimes cometidos em nome deste patriotismo, tais como o apoio à guerra e à injustiça no Médio Oriente nos último 25 anos, e na América Latina, são irrelevantes. Na verdade, os que resistem a este épico assalto à democracia são culpados de "anti-americanismo", diz Webb, aparentemente desconhecendo as origens totalitárias deste insulto. Os jornalistas na Berlim nazi acusariam os críticos do Reich de "anti-germanismo".
Além disso, as doces palavras sobre os "ideais" e os "valores fundamentais" que fazem o santificado "conjunto de ideias sobre a conduta humana" americano negam-nos o verdadeiro sentido da destruição da democracia americana: o desmantelamento da carta dos Direitos, o habeas corpus e a separação de poderes. Eis Webb na sua campanha: "Não se trata de política de massas. É uma comemoração da relação um-a-um entre um americano individual e a sua ou o seu aceito comandante-em-chefe". Ele acha que isto é "estonteante". E sobre Bush, Webb diz: "Não vamos esquecer que enquanto os candidatos ganham, perdem, ganham de novo... há um mundo para ser conduzido e o presidente Bush ainda está à frente dele". A ênfase no texto da BBC tem um link para o website da Casa Branca.
Nenhuma destas baboseiras é jornalismo. É anti-jornalismo, digno de um cortesão menor de uma grande potência. Webb não é excepção. A sua chefe Helen Boaden, directora da BBC News, mandou esta resposta a um espectador que protestou contra a prevalência da propaganda como base das notícias: "é simplesmente um facto que Bush tentou exportar a democracia [para o Iraque] e que isto foi incómodo."
E a fonte deste "facto"? Citações de Bush e de Blair dizendo que isso é um facto.
24/1/2008"
Nada mudou. Barack Obama é um lustroso Tio Tom que bombardearia o Paquistão. Hillary Clinton, outra bombista, é anti-feminista. A única honra de John McCain é ele ter pessoalmente bombardeado um país. Todos acreditam que os EUA não estão submetidos às regras do comportamento humano, porque são uma "cidade no alto da colina", independentemente do facto de a humanidade os ver como uma ameaça que, desde 1945, derrubou 50 governos, muitos deles democracias, e bombardeou 30 nações, destruindo milhões de vidas.
Se se pergunta por que este holocausto não é "assunto" na actual campanha, pode perguntar à BBC, que é responsável por cobrir a campanha para boa parte do mundo, ou melhor ainda pode perguntar a Justin Webb, o editor para a América do Norte da BBC. Numa série da Radio 4 do ano passado, Webb exibiu o tipo de bajulação que lembra o pacificado dos anos 30 Geoffrey Dawson, então editor do London Times. Condoleezza Rice nunca é suficientemente falsa para Webb. Segundo Rice, os EUA estão a "apoiar as aspirações democráticas de todo o povo". Para Webb, que acredita que o patriotismo americano "cria um sentimento de alegria e de solidez", os crimes cometidos em nome deste patriotismo, tais como o apoio à guerra e à injustiça no Médio Oriente nos último 25 anos, e na América Latina, são irrelevantes. Na verdade, os que resistem a este épico assalto à democracia são culpados de "anti-americanismo", diz Webb, aparentemente desconhecendo as origens totalitárias deste insulto. Os jornalistas na Berlim nazi acusariam os críticos do Reich de "anti-germanismo".
Além disso, as doces palavras sobre os "ideais" e os "valores fundamentais" que fazem o santificado "conjunto de ideias sobre a conduta humana" americano negam-nos o verdadeiro sentido da destruição da democracia americana: o desmantelamento da carta dos Direitos, o habeas corpus e a separação de poderes. Eis Webb na sua campanha: "Não se trata de política de massas. É uma comemoração da relação um-a-um entre um americano individual e a sua ou o seu aceito comandante-em-chefe". Ele acha que isto é "estonteante". E sobre Bush, Webb diz: "Não vamos esquecer que enquanto os candidatos ganham, perdem, ganham de novo... há um mundo para ser conduzido e o presidente Bush ainda está à frente dele". A ênfase no texto da BBC tem um link para o website da Casa Branca.
Nenhuma destas baboseiras é jornalismo. É anti-jornalismo, digno de um cortesão menor de uma grande potência. Webb não é excepção. A sua chefe Helen Boaden, directora da BBC News, mandou esta resposta a um espectador que protestou contra a prevalência da propaganda como base das notícias: "é simplesmente um facto que Bush tentou exportar a democracia [para o Iraque] e que isto foi incómodo."
E a fonte deste "facto"? Citações de Bush e de Blair dizendo que isso é um facto.
24/1/2008"
O desencanto de não estar iludido
Da terra dos sonhos, chega a podridão da sede de poder e dos limites que se quebram para atingir sempre mais, o caminho é em frente e a democracia o obstáculo. Não tenho mesmo ilusões quanto aos candidatos à presidência norte americana, tenho sim a desilusão de não estar iludido. Não caio na erro de, no meio da minha desilusão, dizer que todos os candidatos são iguais, digo sim que no essencial, e naquilo que efectivamente precisa de ser mudado não existirá mudanças. Não deixa de ser cansativo ouvir os candidatos a falar de mudança, como se na singela palavra estivesse aí a prova cabal que de facto isso iria acontecer. A questão essencial é que o modelo de desenvolvimento dos EUA é um modelo baseado na oportunidade, ou seja, a prioridade é manter a supremacia internacional, e se isso se faz com a diplomacia ou com a "democratização à bomba" é apenas um meio...e visto como tal. Se o conceito de democracia é pobre na Europa, nos EUA é mesmo arma de arremesso para as medidas mais anti-democráticas que há memória, quebram-se direitos humanos e matam-se civis e ainda querem fazer crer que daí a democracia sairá fortalecida. É estranho, mas é mesmo uma linha de pensamento que tem vasta aplicação, em Portugal Sócrates diminui as prestações do Estado Social para salvar o Estado Social, nos EUA, Bush investe na morte e na ausência de direitos para salvar a democracia. A política aliada a uma comunicação social prestável, conseguiu atingir o cume da hipocrisia, destruir para salvar, matar para dar vida.
Mas é toda a forma como está desenhada a política norte americana que esmaga qualquer ilusão, repare-se que no Arrastão Daniel publica os financiamentos dos candidatos querendo enaltecer que Obama será o menos financiado, mas o que interessa ressalvar é que os candidatos são financiados por interesses privados que colidem com as ambições de um Estado democrático. Financiamentos da indústria militar, de lobistas registados e membros das suas firmas e das companhias petrolíferas...não é possível conceber uma democracia forte quando os candidatos apresentam esta relação de dependência para com lobbys que, obviamente, tem como objectivo marcar uma posição não democrática na política. Repare-se que não falamos de organizações sindicais, ou grupos de pressão que através do diálogo fazem chegar as suas reivindicações ao poder democrático, falamos de empresas que financiando os candidatos garantem uma relação de dependência e garantem ter um maior peso na decisão política do que aquela que a democracia lhes confere. As bases da democracia estão minadas, não nos podemos iludir quando os mais básicos pilares da democracia são minados, nomeadamente ao nível do condicionamento ilegítimo da decisão política.
Mas é toda a forma como está desenhada a política norte americana que esmaga qualquer ilusão, repare-se que no Arrastão Daniel publica os financiamentos dos candidatos querendo enaltecer que Obama será o menos financiado, mas o que interessa ressalvar é que os candidatos são financiados por interesses privados que colidem com as ambições de um Estado democrático. Financiamentos da indústria militar, de lobistas registados e membros das suas firmas e das companhias petrolíferas...não é possível conceber uma democracia forte quando os candidatos apresentam esta relação de dependência para com lobbys que, obviamente, tem como objectivo marcar uma posição não democrática na política. Repare-se que não falamos de organizações sindicais, ou grupos de pressão que através do diálogo fazem chegar as suas reivindicações ao poder democrático, falamos de empresas que financiando os candidatos garantem uma relação de dependência e garantem ter um maior peso na decisão política do que aquela que a democracia lhes confere. As bases da democracia estão minadas, não nos podemos iludir quando os mais básicos pilares da democracia são minados, nomeadamente ao nível do condicionamento ilegítimo da decisão política.
As tradições e o razoável - a antítese
Todas as realidades que se legitimam somente no pretexto de ser uma tradição, levantam-me sérias dúvidas da sua utilidade. Uma das coisas que ainda hoje considero estranho, é se será a melhor maneira de integrar alunos recém-chegados ao ensino superior submetê-los a humilhações públicas? Provavelmente sou eu que não conheço a psique do ser humano, ou pior, eu não tenho a psique do ser humano, porque se alguma vez fosse humilhado por tipos vestidos com capas pretas (de gosto duvidoso) acho que não ia fazer muitos amigos, já inimigos...
A questão da praxe tem um problema central, é que supõe-se que seja um ritual de humilhação consentido, uma espécie de "bondage à portuguesa", o "caloiro" é submetido a algumas tarefas de humilhação consentidas. Agora pergunto-me, será que existe algum clima especial nas universidades? É que é mesmo difícil encontrar gente nas ruas que se predisponha a ser humilhada em público, e nas universidades são jovens aos "magotes" predispostos à patetice generalizada. É mesmo uma sorte dos diabos... A realidade é que mesmo a praxe consentida não está isenta de condicionamentos psicológicos, ou seja, os novos alunos querem inserir-se, estão vulneráveis e os outros, como bons samaritanos que são, aproveitam-se disso para exercerem rituais de humilhação aos quais uma pessoa confiante e integrada não se sujeitaria. A lógica da praxe é aberrante e, infelizmente, um pouco portuguesa, assim que sentimos algum poder/supremacia aproveitamos para ser os tiranos que tanto dizemos abominar, é um exorcismo que apenas perpetua a podridão dos fracos de espírito. O poder seduz os fracos, porque são esses que esperam do poder a capacidade de se transformar, de se transcender mas acabam por esbarrar na tirania, porque é isso mesmo que os fracos (0s da cabeça, claro) têm para oferecer.
Obviamente que existe praxe consentida e de livre vontade, e existe quem, de facto, se divirta com isso, mas não é com esses que temos de nos preocupar...é com estes.
A questão da praxe tem um problema central, é que supõe-se que seja um ritual de humilhação consentido, uma espécie de "bondage à portuguesa", o "caloiro" é submetido a algumas tarefas de humilhação consentidas. Agora pergunto-me, será que existe algum clima especial nas universidades? É que é mesmo difícil encontrar gente nas ruas que se predisponha a ser humilhada em público, e nas universidades são jovens aos "magotes" predispostos à patetice generalizada. É mesmo uma sorte dos diabos... A realidade é que mesmo a praxe consentida não está isenta de condicionamentos psicológicos, ou seja, os novos alunos querem inserir-se, estão vulneráveis e os outros, como bons samaritanos que são, aproveitam-se disso para exercerem rituais de humilhação aos quais uma pessoa confiante e integrada não se sujeitaria. A lógica da praxe é aberrante e, infelizmente, um pouco portuguesa, assim que sentimos algum poder/supremacia aproveitamos para ser os tiranos que tanto dizemos abominar, é um exorcismo que apenas perpetua a podridão dos fracos de espírito. O poder seduz os fracos, porque são esses que esperam do poder a capacidade de se transformar, de se transcender mas acabam por esbarrar na tirania, porque é isso mesmo que os fracos (0s da cabeça, claro) têm para oferecer.
Obviamente que existe praxe consentida e de livre vontade, e existe quem, de facto, se divirta com isso, mas não é com esses que temos de nos preocupar...é com estes.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Assassino de massas
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Para assinalar a efeméride...
...dos 400 anos do nascimento de Padre António Vieira, deixo não as minhas palavras mas as de Baptista-Bastos!
O CCB organiza a homenagem... mas o mais interessante é que mesmo passados 400 anos, o discurso de Vieira continua intemporalmente actual!
O CCB organiza a homenagem... mas o mais interessante é que mesmo passados 400 anos, o discurso de Vieira continua intemporalmente actual!
Oh! doces elogios...
Vindos de quem vêm só podem ser considerados como tal. Ou então como amostra do "nível" de certas pessoas!
domingo, fevereiro 03, 2008
Para comemorar...
... a estreia da brilhante série Californication no canal FX, (um dos canais do Funtastic Life da Tvcabo) fica aqui um serviço público prestado aos leitores/visitantes deste blog que, como eu, não têm Funtastic Life mas querem ver a série completa, sem intervalos, sem pagar nada por isso, com uma qualidade de imagem fabulosa e divertirem-se à brava com a série para adultos mais inteligente dos últimos tempos!
Sendo assim, podem encontrar todos os episódios da série disponíveis não só para visualização mas também para download nos sites:
http://californication-blog.blogspot.com/
http://www.sidereel.com/Californication
Desfrutai!
Sendo assim, podem encontrar todos os episódios da série disponíveis não só para visualização mas também para download nos sites:
http://californication-blog.blogspot.com/
http://www.sidereel.com/Californication
Desfrutai!sexta-feira, fevereiro 01, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Não brinquem comigo!
Por vezes a realidade imita a ficção! E o que mais me espanta é ver a reacção da classe política (com algumas excepções) às declarações de Marinho Pinto. De repente, parece que quase todos estiveram a dormir... ou então estão a adoptar a táctica da avestruz!
sábado, janeiro 26, 2008
Depois deste vídeo...
...acho que compreendo muito melhor o Pacheco Pereira, o João César das Neves e os principais propulsores da homofobia em Portugal, agora tenho pena deles, até lhes dava um abracinho mas acho que haveria algo a intrometer-se entre nós.
Via Devaneios Desintéricos
Via Devaneios Desintéricos
domingo, janeiro 20, 2008
Perigos do exceso de velocidade!
É o que dá quando se ultrapassam os limites... numa descida a 140km/h qualquer pequena falha dá nisto!
Bravo bravissimo!
Não, não vou falar do programa de entretenimento que era exibido na SIC ao domingo à tarde!
Ontem à noite fui ver "Call Girl". As expectativas eram altas (já tinha adorado "Os Imortais" do mesmo realizador) e agrada-me dizer que estas expectativas não foram defraudadas nem um bocadinho.
A história é bastante simples: "Maria (Soraia Chaves, actriz que apesar de principiante mostra profissionalismo) uma call girl de luxo, é contratada por Mouros (Joaquim de Almeida no seu registo habitual) para seduzir Meireles (Nicolau Breyner dono de uma excelente representação), presidente da câmara de Vilanova, na tentativa que este autorize uma multinacional a construir um empreendimento turístico de alta qualidade. Entretanto, Madeira (Ivo Canelas com um desempenho que me arrebatou completamente) e Neves (José Raposo), polícias da PJ, descobrem os indícios de corrupção e começam a investigar Meireles. Tudo se torna ainda mais complexo quando Madeira descobre que Maria, a paixão da sua vida, é o isco que obrigará o político a ceder..." mas o argumento (brilhantemente escrito por Tiago R. Santos) entretece-a com outras.
Quanto aos outros actores só posso dizer que foram muito bem escolhidos para cada um dos papéis e todos fizeram um excelente trabalho. Começando por Virgílio Castelo que "interpgeta um Ministgo da Saúde com pgoblemas de dicção"; passando por Ana Padrão com um papel de viúva trémula e agarrada à heroína; sem esquecer José Eduardo que interpreta o irascível chefe dos dois PJ's que investigam o caso; já para não falar de Custódia Gallego, Luís Mascarenhas, Raul Solnado...
Para terminar, deixo-vos com uma das minhas citações preferidas de todo o filme que surge no momento em que os dois inspectores da PJ acabaram de pedir autorização ao chefe para escutarem o telemóvel de Meireles e em jeito de despedida trocam as seguintes palavras:
"Oh Gomes, não digas tantas asneiras, foda-se!" diz a personagem de Ivo Canelas para a de José Eduardo, que lhe responde "Vai-te foder!"
Ontem à noite fui ver "Call Girl". As expectativas eram altas (já tinha adorado "Os Imortais" do mesmo realizador) e agrada-me dizer que estas expectativas não foram defraudadas nem um bocadinho.
A história é bastante simples: "Maria (Soraia Chaves, actriz que apesar de principiante mostra profissionalismo) uma call girl de luxo, é contratada por Mouros (Joaquim de Almeida no seu registo habitual) para seduzir Meireles (Nicolau Breyner dono de uma excelente representação), presidente da câmara de Vilanova, na tentativa que este autorize uma multinacional a construir um empreendimento turístico de alta qualidade. Entretanto, Madeira (Ivo Canelas com um desempenho que me arrebatou completamente) e Neves (José Raposo), polícias da PJ, descobrem os indícios de corrupção e começam a investigar Meireles. Tudo se torna ainda mais complexo quando Madeira descobre que Maria, a paixão da sua vida, é o isco que obrigará o político a ceder..." mas o argumento (brilhantemente escrito por Tiago R. Santos) entretece-a com outras.
Quanto aos outros actores só posso dizer que foram muito bem escolhidos para cada um dos papéis e todos fizeram um excelente trabalho. Começando por Virgílio Castelo que "interpgeta um Ministgo da Saúde com pgoblemas de dicção"; passando por Ana Padrão com um papel de viúva trémula e agarrada à heroína; sem esquecer José Eduardo que interpreta o irascível chefe dos dois PJ's que investigam o caso; já para não falar de Custódia Gallego, Luís Mascarenhas, Raul Solnado...
Para terminar, deixo-vos com uma das minhas citações preferidas de todo o filme que surge no momento em que os dois inspectores da PJ acabaram de pedir autorização ao chefe para escutarem o telemóvel de Meireles e em jeito de despedida trocam as seguintes palavras:
"Oh Gomes, não digas tantas asneiras, foda-se!" diz a personagem de Ivo Canelas para a de José Eduardo, que lhe responde "Vai-te foder!"
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Não sou o professor "Mamadu" mas...
...cheira-me que os Gatos Fedorento caminham para um declínio abissal, para minha tristeza. Dizem que os gatos caem de pé, mas quando a queda é grande...morrem.
Em caso de ignorância abdique dos seus direitos
Entre as várias teses estapafúrdias que suportam uma pseudo-legitimidade de não referendar o Tratado Lisboa encontra-se a do Tratado ser muito complicado. É uma justificação que me agrada particularmente, aliás faz-me lembrar aquelas expressões do tipo "se soubesses o que custa mandar só querias obedecer", no entanto, não deixa de ser curioso um aspecto, os próprios defensores defendem a aprovação parlamentar de um tratado que pelos vistos não compreendem...genial. É impressão minha ou até seria bastante mais lógico rejeitar um Tratado que não se compreende. É a bênção da ignorância, é a casta Salazarista a dizer que não devem questionar o Tratado, é a democracia a fugir-nos nos intervalos de palavras meigas.
Mas o argumento falha em toda a linha, basta pensar que os mecanismos da democracia são complexos, então vamos abdicar do voto também?
Quem quiser tomar conhecimento do Tratado Lisboa pode sempre descarrega-lo na seguinte página:
http://www.consilium.europa.eu/cms3_fo/showPage.asp?id=1296&lang=pt&mode=g
Ainda só dei uma vista de olhos e já obtive umas gargalhadas...
"numa economia social de mercado altamente competitiva que tenha como meta o pleno emprego e o progresso social"
...esta malta, tem cá um sentido de humor.
P.S. A leitura deste tratado é manifestamente insuficiente, porque faz reparos ao tratado anterior sem o contextualizar neste, o que pressupõe que se leia o outro.
Mas o argumento falha em toda a linha, basta pensar que os mecanismos da democracia são complexos, então vamos abdicar do voto também?
Quem quiser tomar conhecimento do Tratado Lisboa pode sempre descarrega-lo na seguinte página:
http://www.consilium.europa.eu/cms3_fo/showPage.asp?id=1296&lang=pt&mode=g
Ainda só dei uma vista de olhos e já obtive umas gargalhadas...
"numa economia social de mercado altamente competitiva que tenha como meta o pleno emprego e o progresso social"
...esta malta, tem cá um sentido de humor.
P.S. A leitura deste tratado é manifestamente insuficiente, porque faz reparos ao tratado anterior sem o contextualizar neste, o que pressupõe que se leia o outro.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
"Timing"
No dia a seguir a ter recusado referendar o Tratado, Sócrates anuncia que a solução Alcochete é agora a solução escolhida.
São os políticos a adoptar a estratégia dos meios de informação, informar para desinformar.
São os políticos a adoptar a estratégia dos meios de informação, informar para desinformar.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Por terras de França...
O presidente Sarkozy está mais entretido em tentar convencer os franceses que anda a comer a modelo italiana Carla Bruni do que a governar o país (embora não me pareça que ele tenha a mais pálida ideia do que isso é)!
Shame on you RTP!
Então a não é que a televisão pública, depois de ter gasto quase uma hora da noite de 31 de Dezembro de 2007 a exibir os grandes meios que tinha investido na passagem de ano dos Gato, meios entre os quais até se encontrava uma câmara com grua telescópica ou lá o que era, o único plano que possui do beijo do Zé Diogo ao Miguel é esta merda?
Chamem-me pornográfico se quiserem mas isto é uma vergonha!
(depois do Feliz 2008 lá se consegue vislumbrar ao longe que os dois rapazes estavam próximos um do outro!)
Chamem-me pornográfico se quiserem mas isto é uma vergonha!
(depois do Feliz 2008 lá se consegue vislumbrar ao longe que os dois rapazes estavam próximos um do outro!)
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