sexta-feira, abril 27, 2007
quarta-feira, abril 25, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
"Mes amis racistes"
A população francesa espelha hoje que a ignorância não tem pátria, apesar disso estas presidenciais espelham o desejo de proteger a ignorância autóctone como a mais válida. Um país que é reconhecido como sendo exemplar no domínio da conquista de direitos está a padecer do "vírus liberal", "le chômage" (o desemprego), os bairros sociais... A França demonstra actualmente que é tão incapaz de lidar com os actuais problemas como muitos outros países, não há educação, não há escolarização que salve um país, ou nos "damos ao trabalho" de ser sérios, anti-populistas, anti-xenófobos...ou fazemos o contrário e pomos adubo em cima do problema. O meu desencanto com este país é tanto que parece que as civilizações civilizadas já deveriam fazer parte dos manuais escolares de história.
As eleições presidenciais em França são discutidas em Portugal como se tratasse de uma procura de mercados...quem vai ganhar o mercado da xenofobia? Não sei, mas sei que o mercado é a xenofobia e isso parece nem ser algo que mereça nenhum relevo informativo. Quem mandar mais magrebinos, "monhés" para a terra deles, esse é o político do futuro, um grunho engravatado que diz as barbaridades da tasca numa doce melodia.
As eleições presidenciais em França são discutidas em Portugal como se tratasse de uma procura de mercados...quem vai ganhar o mercado da xenofobia? Não sei, mas sei que o mercado é a xenofobia e isso parece nem ser algo que mereça nenhum relevo informativo. Quem mandar mais magrebinos, "monhés" para a terra deles, esse é o político do futuro, um grunho engravatado que diz as barbaridades da tasca numa doce melodia.
quinta-feira, abril 19, 2007
A ver se é desta!
Agora, se é para daqui uns dias ou mesmo semanas andarem outra vez cá fora, mais valia terem-nos deixado ficar onde estavam.
Não percam o próximo episódio porque nós também não!
sexta-feira, abril 13, 2007
A Doninha
Era assim que se podiam definir os Da Weasel e é assim que eles continuam hoje em dia. O novo álbum Amor, Escárnio e Maldizer vem confirmar isso mesmo. Muitos dirão que se afastaram do movimento underground que os caracterizou nos anos iniciais, mas, do meu ponto de vista, isso deveu-se a uma evolução muitíssimo positiva em termos musicais. Mesmo assim, a fusão continua presente nas canções do novo álbum. Ora com a Czech National Symphonic Orchestra, ora com Bernardo Sassetti ou mesmo com os Gato Fedorento.
Neste álbum encontram-se canções vindas dos mais variados quadrantes: o single "Dialectos da Ternura" é a canção mais "orelhuda" mas dificilmente é a melhor; as letras continuam a fazer-nos pensar e até o José Luís Peixoto escreveu uma (muito bem conseguida); e os interlúdios estabelecem uns momentos de pausa entre as várias faixas!
Mais haveria para dizer (longe de mim querer fazer uma análise exaustiva) mas deixo aqui apenas as minhas primeiras impressões...
Quem quiser saber mais pode sempre visitar o site oficial da banda onde se pode encontrar a letra das canções e ouvi-las todas na íntegra!
P.S. - Fico a aguardar os espectáculos ao vivo!
segunda-feira, março 26, 2007
Abstenção democrata - o caminho para a ditadura democrática
A nomeação de Salazar como grande figura portuguesa foi uma verdadeira lição de democracia que os fachos deram à nossa...democracia. Estou descansado, o próximo ditador que tivermos não chega lá sem votos...na na na, nem pensar, vai ter de se sujeitar a eleições para democraticamente poder reinvindicar o seu direito de oprimir e quem sabe...matar uns dissidentes. Aliás matar os dissidentes é por si um processo democrático de obter maiorias absolutas, garantindo através de um processo selectivo de aniquilação que as votações seguintes irão reforçar a legitimidade do nosso opressor democraticamente eleito. Portanto se hoje Salazar fosse vivo poderia ser um ditador muito melhor do que foi, porque na altura teve muita contestação agora teria muito apoio, aliás bem posso imaginar todos os tugas desiludidos com a democracia a gritarem de satisfação "Avé Salazar" enquanto eram chicoteados violentamente. Este regime seria revolucionário porque nos mecanismos de tortura os portugueses iriam descobrir que são sexualmente mais desinibidos do que pensam, retirando prazer de todos os mecanismos de tortura e deliciando-se com os mesmos. As mulheres podiam voltar para casa e satisfazer os caprichos sexuais dos seus homens sem reinvindicarem, recorrendo o homem ao uso da força que como é óbvio é um desejo das mulheres oprimido pelas sociedades democráticas que elegem lideres democráticos. O futuro reside na ditadura democrática, um passo atrás para dar um chuto em frente nos direitos dos cidadãos, que não precisam de direitos, precisam antes de disciplina, porrada e pão com manteiga, tudo o resto são caprichos de sociedades modernas que não perceberam o que é essencial na vida. Por outro lado a desigualdade social acabaria, os pobres em vez de serem pobres morriam de fome e aqueles que se queixassem levavam um balázio nos cornos. Os problemas com a Segurança Social e direitos laborais acabavam, como toda a gente sabe (a direita sabe isso melhor que ninguém) isso é para maricas, homem que é homem é explorado pelo seu semelhante e não grita, não reclama e não chora. A eutanásia era finalmente abrangida pela nossa constituição, era efectuada ao tiro a pessoas agrupadas em linha e que padeciam da grave doença denominada "dissindentus democraticius".
Voltando ao contexto do concurso, convém salientar que todos os outros candidatos, quase sem excepção, eram fraquíssimos porque todos eles ajudaram a construir Portugal, quando toda a gente sabe que Portugal nunca devia ter existido. Logicamente o prémio tinha de ir para quem mais contribuiu para que Portugal estivesse perto de não existir...nesse aspecto Salazar é claramente a escolha certa.
Voltando ao contexto do concurso, convém salientar que todos os outros candidatos, quase sem excepção, eram fraquíssimos porque todos eles ajudaram a construir Portugal, quando toda a gente sabe que Portugal nunca devia ter existido. Logicamente o prémio tinha de ir para quem mais contribuiu para que Portugal estivesse perto de não existir...nesse aspecto Salazar é claramente a escolha certa.
sábado, março 24, 2007
Hora Espanhola?

Em notícia avançada ontem pelo DN, "quatro confederações patronais escreveram ao primeiro-ministro, José Sócrates, a pedir a uniformização da hora legal em Portugal com a que está em vigor na maior parte dos países da Europa continental."
Estes senhores entendem que "a hora legal portuguesa deve coincidir com a hora dos países da Europa continental, com os quais o nosso país mantém intensas relações comerciais, nomeadamente Espanha."
Por mim, a única maneira de me convencerem a reger-me pela hora espanhola era, em primeiro lugar, implantar a SIESTA, ou seja, das 14h às 17h ninguém faz a "punta de un cuerno" e, em segundo, porem-nos a ganhar tanto como eles! Mas parece que essas condições não faziam parte da proposta!
Tenham juízo homens!
sexta-feira, março 23, 2007
Irreversível?
quinta-feira, março 22, 2007
Dom Quixote tinha moinhos...
Procurando eu sempre estar atento às realidades que se afiguram agradáveis mas que escondem realidades sombrias, ainda não vislumbrei a realidade sombria que se esconde por detrás da corrente multiculturalista e que parece ser a ameaça do novo século. Como já falei das beneces do multiculturalismo, proponho-me apenas analisar o seguinte excerto de um texto do blogue armadilhas:
"The first pitfall of Canadian multiculturalism is the assumption about the nature of ‘culture’ that underlies it. The Canadian model presumes that the ethnic diversity dilemma posed by migrating people is about reconciling cultural differences. Its ‘solution’ is to develop strategies that harmonise these differing ‘cultures’ and mitigate tensions between them. This conceptualisation implies that culture is a discrete entity with specific characteristics: that it is bounded, homogeneous, and static.
Bounded cultures rely on exclusionary principles: to be distinct from another, there must then be an ‘us’ and a ‘them’. Moreover, in order for there to be ‘cultural differences’, cultures must be different from each other and the same within themselves. In this way, ‘cultures’ have an ‘authentic’ core. And with the claim of authenticity comes the question of legitimacy: who is the legitimate representative of ‘the culture’?
(...)
The second pitfall of Canada’s approach to multiculturalism is that culture in Canada is treated as something that ‘other’ people have – namely non-white, non-English-speaking, numerically in the minority people. In the national discourse, it is French Canadians and Aboriginal people (including First Nations, Inuit and Metis) and non-white immigrants that have culture. It is their customs and language and foods and clothing – their ‘ways’ – that illustrate ‘culture’. White English Canadians are presented as the neutral backdrop against which ‘other’ people are different. Multiculturalism, then, is something that is needed for the racially different Other.
(...)
Similarly, a number of cases have been documented where ethnic minority men have been able to effectively use ‘culture’ as a defence when charged with assaulting their wives. Arguing that their abuse is ‘culturally appropriate behaviour’, men in these cases have been able to secure more lenient sentences in court. In one case, judicial comments claimed that an abusive relationship was sanctioned by the ‘South Vietnamese cultural backgrounds’ of the man and woman involved.
It is precisely because Canada has such a firm relationship with the idea that ‘multiculturalism is good’ that ‘culture difference’ is accorded so much deference. In the effort to be inclusive and respectful of differences within the context of past colonialism, present cultural imperialism, and ongoing racism, officials of the state sometimes err on the side of cultural relativism rather than universal human rights. It is here, in the space between relativism and universalism, that the threat to women’s rights sits."
A primeira falha apontada é a de que a concepção conciliadora da abordagem multiculturalista tem por base um conceito restrito e limitado de cultura, como sendo estanque e intemporal. Isto é uma falácia, basta perceber que para analisarmos uma realidade não podemos abordar todas as suas especificidades, isto já acontece nas nossas leis e constituições, legislar, regulamentar é uma generalização que tem inerente um carácter abrangente e passível de interpretação. Além demais, o que caracteriza uma cultura são as suas especificidades, logo ao apontar essa abordagem como defeito está-se a ignorar por completo aquilo que nos leva a identificar culturas.
A segunda falha será que o conceito de multiculturalismo, na abordagem Canadian, é um conceito racista, no sentido em que defende o multiculturalismo como algo necessário para outras pessoas de diferentes raças e credos, apresentando a população Canadiana Inglesa como neutra e implicitamente superior por isso mesmo. O que é anunciado aqui é uma perversão do multiculturalismo, como se fossem pessoas exteriores a determinar as culturas dos outros e não os próprios a determinar a sua cultura, mais uma vez esta é a patranha número dois, porque mistura claramente conceitos diferentes, o racismo com o multiculturalismo. Está bem patente nos pressupostos do multiculturalismo que não será reconhecida a superioridade de nenhuma cultura, este procura a conciliação de conflitos não os inventa, logo aquilo que está em causa é uma concepção racista bem distinta do conceito multiculturalista. Os problemas existem, eles têm é nomes diferentes, se o racismo se esconde por detrás de uma aparência multiculturalista não vamos culpar o multilculturalismo, não é justo...não é sério.
Mais uma vez surge o relativismo também como papão, como se tudo ficasse estúpido perante esta singela palavra. O relativismo cultural não nega valores universais como o direito à integridade física, este percebe que as culturas se afirmam pelas diferenças e que ser diferente não significa ser inferior ou superior, significa somente ser diferente. Percebemos que em certas culturas se usem trajes diferentes, se comam alimentos diferentes, se viva de maneira diferente...e aceitamos, nada disso significa tolerar a barbárie, o desrespeito pelos direitos humanos. Estamos perante um discurso radical, na medida em que não é capaz de contextualizar e balisar os termos, defender um relativismo cultural não implica negar direitos universais. Assistimos à proliferação de discursos mais ou menos eruditos, mas sempre muitos fanáticos e verticais, incapazes de perceber toda a complexidade de realidades alheias. O multiculturalismo é muito exigente, porque obriga-nos a perceber a diferença sem nunca abdicar de valores universais, infelizmente nem toda a gente pretende fazer o percurso mais difícil, prefirimos sempre o mais rápido e fácil que peca por espezinhar a diferença, quer por querer ser tudo (exclusivamente universalista) quer por não querer ser nada (relativismo absoluto).
"The first pitfall of Canadian multiculturalism is the assumption about the nature of ‘culture’ that underlies it. The Canadian model presumes that the ethnic diversity dilemma posed by migrating people is about reconciling cultural differences. Its ‘solution’ is to develop strategies that harmonise these differing ‘cultures’ and mitigate tensions between them. This conceptualisation implies that culture is a discrete entity with specific characteristics: that it is bounded, homogeneous, and static.
Bounded cultures rely on exclusionary principles: to be distinct from another, there must then be an ‘us’ and a ‘them’. Moreover, in order for there to be ‘cultural differences’, cultures must be different from each other and the same within themselves. In this way, ‘cultures’ have an ‘authentic’ core. And with the claim of authenticity comes the question of legitimacy: who is the legitimate representative of ‘the culture’?
(...)
The second pitfall of Canada’s approach to multiculturalism is that culture in Canada is treated as something that ‘other’ people have – namely non-white, non-English-speaking, numerically in the minority people. In the national discourse, it is French Canadians and Aboriginal people (including First Nations, Inuit and Metis) and non-white immigrants that have culture. It is their customs and language and foods and clothing – their ‘ways’ – that illustrate ‘culture’. White English Canadians are presented as the neutral backdrop against which ‘other’ people are different. Multiculturalism, then, is something that is needed for the racially different Other.
(...)
Similarly, a number of cases have been documented where ethnic minority men have been able to effectively use ‘culture’ as a defence when charged with assaulting their wives. Arguing that their abuse is ‘culturally appropriate behaviour’, men in these cases have been able to secure more lenient sentences in court. In one case, judicial comments claimed that an abusive relationship was sanctioned by the ‘South Vietnamese cultural backgrounds’ of the man and woman involved.
It is precisely because Canada has such a firm relationship with the idea that ‘multiculturalism is good’ that ‘culture difference’ is accorded so much deference. In the effort to be inclusive and respectful of differences within the context of past colonialism, present cultural imperialism, and ongoing racism, officials of the state sometimes err on the side of cultural relativism rather than universal human rights. It is here, in the space between relativism and universalism, that the threat to women’s rights sits."
A primeira falha apontada é a de que a concepção conciliadora da abordagem multiculturalista tem por base um conceito restrito e limitado de cultura, como sendo estanque e intemporal. Isto é uma falácia, basta perceber que para analisarmos uma realidade não podemos abordar todas as suas especificidades, isto já acontece nas nossas leis e constituições, legislar, regulamentar é uma generalização que tem inerente um carácter abrangente e passível de interpretação. Além demais, o que caracteriza uma cultura são as suas especificidades, logo ao apontar essa abordagem como defeito está-se a ignorar por completo aquilo que nos leva a identificar culturas.
A segunda falha será que o conceito de multiculturalismo, na abordagem Canadian, é um conceito racista, no sentido em que defende o multiculturalismo como algo necessário para outras pessoas de diferentes raças e credos, apresentando a população Canadiana Inglesa como neutra e implicitamente superior por isso mesmo. O que é anunciado aqui é uma perversão do multiculturalismo, como se fossem pessoas exteriores a determinar as culturas dos outros e não os próprios a determinar a sua cultura, mais uma vez esta é a patranha número dois, porque mistura claramente conceitos diferentes, o racismo com o multiculturalismo. Está bem patente nos pressupostos do multiculturalismo que não será reconhecida a superioridade de nenhuma cultura, este procura a conciliação de conflitos não os inventa, logo aquilo que está em causa é uma concepção racista bem distinta do conceito multiculturalista. Os problemas existem, eles têm é nomes diferentes, se o racismo se esconde por detrás de uma aparência multiculturalista não vamos culpar o multilculturalismo, não é justo...não é sério.
Mais uma vez surge o relativismo também como papão, como se tudo ficasse estúpido perante esta singela palavra. O relativismo cultural não nega valores universais como o direito à integridade física, este percebe que as culturas se afirmam pelas diferenças e que ser diferente não significa ser inferior ou superior, significa somente ser diferente. Percebemos que em certas culturas se usem trajes diferentes, se comam alimentos diferentes, se viva de maneira diferente...e aceitamos, nada disso significa tolerar a barbárie, o desrespeito pelos direitos humanos. Estamos perante um discurso radical, na medida em que não é capaz de contextualizar e balisar os termos, defender um relativismo cultural não implica negar direitos universais. Assistimos à proliferação de discursos mais ou menos eruditos, mas sempre muitos fanáticos e verticais, incapazes de perceber toda a complexidade de realidades alheias. O multiculturalismo é muito exigente, porque obriga-nos a perceber a diferença sem nunca abdicar de valores universais, infelizmente nem toda a gente pretende fazer o percurso mais difícil, prefirimos sempre o mais rápido e fácil que peca por espezinhar a diferença, quer por querer ser tudo (exclusivamente universalista) quer por não querer ser nada (relativismo absoluto).
quarta-feira, março 21, 2007
Fugindo à questão...público vs privado
No debate ocorrido na segunda-feira no programa Prós e Contras, apesar de claramente estar frente a frente a televisão pública e televisão privada, havia sempre vozes que sugeriam que isso não era o mais relevante. Pelo contrário considero isso o mais importante da discussão, afinal são modelos de gestão que estão em discussão, era tão relevante essa discussão que se evitava algumas barbaridades que foram ditas, houve duas que me chamaram à atenção, uma da parte de Pinto Balsemão e outra por parte do representante da Associação dos Telespectadores Rui Teixeira da Motta. Da parte de Pinto Balsemão por insistir em falar em concorrência desleal, logo aqui ressalta a necessidade de ter bem presente a noção das diferenças entre público e privado, permitir que no debate as coisas sejam constantemente postas nestes termos demonstra que claramente ninguém parece perceber bem o que é um serviço público, caso contrário teria feito o reparo à forma como Balsemão pôs a questão. Portanto um serviço público tem pressupostos diferentes, começando logo pelo facto de ser um serviço sustentado pelos impostos dos contribuintes, ora visto que existe uma fonte constante de rendimento por parte das estações televisivas públicas, estas têm de se preocupar não tanto em ganhar mercado, mas em satisfazer os requisitos dos contribuintes através de uma maior pluralidade sem no entanto descurar aspectos "pedagógicos". Uma estação televisiva pública tem de se preocupar em garantir um serviço de qualidade o que nem sempre é compatível com lógicas de mercado. Só aqui podemos perceber o erro crasso de se falar em concorrência desleal por parte de uma televisão pública a uma privada. Como se não bastasse, Balsemão tenta despertar as mentes colectivas procurando sempre questionar as prestações da televisão pública face aos custos que isso implica para os portugueses. Talvez o próprio debate seja a melhor resposta à razão pela qual a televisão privada não poderá substituir a pública, estávamos perante um debate em televisão pública aonde se debatia a própria televisão pública, este exercício de clarificação pública não ocorre numa estação privada, se por um lado contribuimos monetariamente para ter uma televisão pública, ganhamos também o direito de participar e de exiguir mais da mesma. Por outro lado, por parte da televisão privada não existe qualquer exercício deste tipo, funciona numa lógica de mercado onde a gestão da televisão e de conteúdos é alheia à vontade do consumidor (atentar que os níveis de audiência não espelham as exigências do consumidor).
Resumindo, Balsemão predispôs-se ao papel ridículo de participar num debate em televisão pública e propôr fim da mesma, bem acompanhado à sua esquerda pelo homem que tentou fazer isso no seus tempos de ministro (Morais Sarmento).
Por outro lado Rui Teixeira da Motta, apesar de algumas críticas interessantes, disse algo com o qual não concordo minimamente sugerindo que o telespectador não quer saber se é privado ou público, quer é programas de qualidade. Um telespectador mais atento já percebeu concerteza várias diferenças que resultam das diferenças entre estes modelos de gestão, sendo que ressalta o preponderância que o telespectador tem na televisão pública face à sua fraca influência no rumo de uma estação privada. A prova de que os modelos de gestão abarcam diferenças na qualidade de programação está em que temos debates mais plurais em estações públicas, temos o canal dois que claramente é o canal mais capaz de fornecer alguma formação cultural, temos o programa mais corrosivo para a agenda política denominado Contra Informação, temos o programa Voz do Cidadão que divulga as reclamações dos telespectadores (aonde já vi pedidos por mais pluralidade nos debates políticos). Temos mais diversidade e somos "accionistas/consumidores" desta empresa, somos parte interessada e somos consumidores, o sucesso e qualidade da televisão pública passa por nós também, já a privada...
Resumindo, Balsemão predispôs-se ao papel ridículo de participar num debate em televisão pública e propôr fim da mesma, bem acompanhado à sua esquerda pelo homem que tentou fazer isso no seus tempos de ministro (Morais Sarmento).
Por outro lado Rui Teixeira da Motta, apesar de algumas críticas interessantes, disse algo com o qual não concordo minimamente sugerindo que o telespectador não quer saber se é privado ou público, quer é programas de qualidade. Um telespectador mais atento já percebeu concerteza várias diferenças que resultam das diferenças entre estes modelos de gestão, sendo que ressalta o preponderância que o telespectador tem na televisão pública face à sua fraca influência no rumo de uma estação privada. A prova de que os modelos de gestão abarcam diferenças na qualidade de programação está em que temos debates mais plurais em estações públicas, temos o canal dois que claramente é o canal mais capaz de fornecer alguma formação cultural, temos o programa mais corrosivo para a agenda política denominado Contra Informação, temos o programa Voz do Cidadão que divulga as reclamações dos telespectadores (aonde já vi pedidos por mais pluralidade nos debates políticos). Temos mais diversidade e somos "accionistas/consumidores" desta empresa, somos parte interessada e somos consumidores, o sucesso e qualidade da televisão pública passa por nós também, já a privada...
segunda-feira, março 05, 2007
É disto que o "meu" povo gosta!
Depois de vários meses de exibição, e prestes a chegar ao final da série "Diz que é uma espécie de Magazine", os "Gato Fedorento" atingem um novo record: o de programa mais visto da televisão portuguesa no Domingo, dia 4 de Março de 2007!
Parabéns aos quatro "fedorentos" que bem merecem ver o seu sucesso expresso em números!
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
sábado, fevereiro 17, 2007
Nem de propósito!
"A Comissão Europeia só aceitará que Portugal construa mais grandes barragens se o Governo demonstrar que não há alternativas económicas e energéticas."
Claro que se pode argumentar que Portugal é um dos países da U.E. que menos aproveitam este potencial para produção de energia, mas convém lembrar que a Comissão Europeia do Ambiente apresentou em Janeiro um pacote de medidas para reduzir a dependência energética e combater as alterações climáticas devidas à emissão de gases de estufa.
Para além disto, Portugal tinha-se comprometido a atingir uma quota de 39% de electricidade "verde" em 2010, e aumentou entretanto essa meta para 45%. Será que a construir, para além da Baixo Sabor, mais três grandes barragens atingiremos essa meta? Digo isto porque pode ler-se AQUI que a construção de uma barragem no Baixo Sabor contribuiria para a redução das emissões de gases com efeitos de estufa em apenas 0.17% do total das emissões em Portugal...
Sendo assim, resta aguardar a decisão final da Comissão, já em Março, que inicialmente tinha sido de veto.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Sabor Livre
No entanto, esta incluía-se nos outros 10% e valeu a pena lê-la!
Dizia assim:
"O rio Sabor é um dos últimos grandes rios selvagens de Portugal e da Europa. Este epíteto foi-lhe atribuído devido à ausência de barragens ao longo dos mais de 120 km do seu percurso através de Trás-os-Montes, ao isolamento do seu vale e à grande diversidade de habitats naturais e espécies raras que aí ocorrem. Contudo, encontra-se pendente a decisão de construção de uma grande barragem no seu troço inferior, que submergiria cerca de 50% da extensão deste santuário natural. Para saberes mais sobre este rio, a luta contra a barragem e o que podes fazer para ajudar a impedir esta catástrofe ambiental consulta a página: www.saborlivre.org Visitem o site, e passem a mensagem a todos os vossos amigos."
Sendo assim, tal como prometi ao Luís, resolvi dar conhecimento aqui no blog deste projecto (se é que lhe posso chamar isso) e mostrar, assim, o meu apoio (que não será muito mas faço-o por uma questão de consciência) à causa!
Fica, pois, feita a publicidade (gratuita e parcial), esperando que as associações envolvidas consigam atingir os seus objectivos!
Da minha parte, só falta assinar a petição que se encontra AQUI!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
O multicultarismo de todos
Recentemente tive uma troca de argumentos com o Pedro Silva e Cão Rafeiro do blog armadilhas para ursos conformistas, essa troca de argumentos era à volta do multiculturalismo. Basicamente os autores deste blogue consideram esta realidade uma séria ameaça à nossa democracia, eu por outro lado acho simultaneamente condição essencial e natural de ser democrático. Portanto estamos em sério desacordo, aquilo que me proponho é fazer uma breve apresentação do conceito de multiculturalismo, mostrando que é uma realidade benéfica já existente e fazendo algum contraponto com a teoria universalista.
Wikipédia
http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/multicultura.html
http://www.tecnet.pt/portugal/26891.html
Antes de mais para abordar estes temas é preciso ter algum espírito de abertura, porque o que lemos sobre várias coisas têm muitas vezes adjacente a visão de quem escreve, e quem escreve nem sempre se presta a um serviço de qualidade. Para já, daquilo que li, posso relatar alguns traços comuns, um desses traços é que o multiculturalismo surge em forte oposição ao Estado Nação enquanto Estado que se desenvolve apenas em sintonia com os desejos dos "nativos de origem". Ou seja, numa luta frívola por manter uma identidade que é já por si uma mistura de identidades, o "nativo" que apenas se revê e reconhece a sua cultura sente um forte apelo a reconhecer superioridade na sua, note-se bem que este tipo de clausura mental é extensível a indivíduos do mundo ocidental ao mundo islâmico. A questão não era problemática se efectivamente os países fossem coisas estanques, mas não o são em termos geográficos e nem em termos de informação veiculada neste mundo globalizado. Talvez ignoremos por comodidade, mas quem muitas vezes imigra fá-lo por necessidade, e não falo de imigrantes de luxo, esses sempre tiveram direito à sua cultura, porque essa é universal, é a cultura e linguagem do dinheiro. Mas como nem todos "pertencem" a essa cultura, por motivos óbvios, sentem a necessidade de ter uma sua ou nem que não sintam essa necessidade, sentem a necessidade de ser igualmente respeitados, e o respeito pelo ser humano deve ser algo sem latitude nem longitude. Portanto, se há algo que temos de exigir, de ser "universalistas" é nos direitos humanos, o multiculturalismo surge então como algo mais complexo que cultural, porque como sempre o respeito pela cultura revela algo mais do que respeito por algo instrumental, revela respeito pelas pessoas. O respeito pelas pessoas é um todo, não é um respeito exclusivo, logo o multiculturalismo surge no sentido de abarcar todas as culturas e surge principalmente pela necessidade de num mesmo país e ordem jurídica estarem previstos os direitos e deveres de indivíduos de diferentes culturas. A corrente surge em séria oposição ao racismo, isto porque certas culturas são fortemente marcadas em termos de identificação racial, assim a rejeição da cultura surge muitas vezes como rejeição da raça que manifesta essa cultura.
Ora este fenómeno recente é visível em países que sejam coabitados por indivíduos de culturas e "sensibilidades" diversas.
“O multiculturalismo é hoje um fenômeno mundial (estima-se que apenas 10 a 15% das nações no mundo sejam etnicamente homogêneas).”
A Cão Rafeiro sugere a sua teoria universalista em detrimento da teoria multiculturalista, existe um sério problema nessa concepção, é que ser apenas universalista é redutor e pouco adaptado a um mundo cheio especificidades. Ou seja devemos ser exclusivamente universalistas nos direitos humanos, no sentido de lutar para que estes se cumpram em todo o mundo, já o não devemos ser em termos de hábitos alimentares, em termos de arte... A diversidade é enriquecedora, é até desejável. A negação do multiculturalismo em conjunção com a afirmação do universalismo padece de uma condição autoritária, porque por muita boa vontade que tenhamos a diversidade existe, mesmo que na diversidade exista algo em comum. Talvez tenha sido esse o principal erro da análise da teoria universalista em detrimento da multiculturalista, são duas coisas que devem coexistir, porque pô-las em colisão aniquila as duas em simultâneo. Eu não consigo coexistir em diferentes culturas sem ter algo de comum (universal) com as outras culturas, mas também não consigo ter algo de universal sem perceber e respeitar as diferenças (multicultural).
Aliás pegando na frase que serve de exemplo a este post da Cão Rafeiro:
“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é-o à sua maneira”.
Esta frase espelha muito bem como universalismo e multiculturalismo são parte integrante do respeito pela diferença com base naquilo que nos é comum. É (quase) universal o desejo por ser feliz, mesmo se pensarmos em quem procura a dor, percebemos que existe algo dessa experiência que é enriquecedor para essa pessoa, ninguém se auto-destrói feliz...mas pode ficar feliz por o fazer (por exemplo, feliz por ser capaz de explorar os limites da dor). Esta frase ressalva que existe algo de comum entre as famílias felizes, todas se parecem na condição de ser feliz, no entanto a felicidade é alcançada de diversas maneiras. Esta frase é a negação de uma teoria meramente universalista, porque se temos algo em comum, também temos algo diferente, apenas o respeito pela diferença contemplando os laços que temos em comum permite que exista respeito mútuo.
Por outro lado Pedro Silva acha que existe demasiada permissividade no multiculturalismo e que essa permissividade irá minar o "nosso" Estado democrático, estaremos perante a ameaça de consagrar excisões e outras barbáries em democracia. Para já, segundo a minha opinião pessoal, esta é uma teoria algo catastrófica, mas principalmente com fracas possibilidade de ocorrer em Estados democráticos (aliás excisões femininas e democracia são "antíteses").
Aquilo em que discordo, é que o multiculturalismo seja permissivo em matéria deste teor, porque a sendo o respeito mutuo e a liberdade individual (não só, mas também) valores multiculturais, o pressuposto de que esta corrente consagraria tais barbáries implicaria que esta corrente não se "respeitasse" a si mesma. Outra questão de salientar, é que em termos reais não tivemos por parte de Estados democráticos nenhuma cedência desse tipo, nem essas cedências podem ser feitas em nome do multiculturalismo visto serem contraditórias em relação ao mesmo. Todas as reclamações por parte de extremistas que reivindicam da tolerância para praticar a intolerância, não foram atendidas, e por isso temos até tido manifestações positivas no sentido em que temos sociedades multiculturais que mantém a sua ordem jurídica e que respeitam em simultâneo a diversidade.
P.S.
Não deixa de ser irónico que uma das "fontes" de receio, o Islamismo, tenha ambições universalistas à semelhança de quem rejeita o multiculturalismo e afirma o universalismo.
Wikipédia
http://www.angelfire.com/sk/holgonsi/multicultura.html
http://www.tecnet.pt/portugal/26891.html
Antes de mais para abordar estes temas é preciso ter algum espírito de abertura, porque o que lemos sobre várias coisas têm muitas vezes adjacente a visão de quem escreve, e quem escreve nem sempre se presta a um serviço de qualidade. Para já, daquilo que li, posso relatar alguns traços comuns, um desses traços é que o multiculturalismo surge em forte oposição ao Estado Nação enquanto Estado que se desenvolve apenas em sintonia com os desejos dos "nativos de origem". Ou seja, numa luta frívola por manter uma identidade que é já por si uma mistura de identidades, o "nativo" que apenas se revê e reconhece a sua cultura sente um forte apelo a reconhecer superioridade na sua, note-se bem que este tipo de clausura mental é extensível a indivíduos do mundo ocidental ao mundo islâmico. A questão não era problemática se efectivamente os países fossem coisas estanques, mas não o são em termos geográficos e nem em termos de informação veiculada neste mundo globalizado. Talvez ignoremos por comodidade, mas quem muitas vezes imigra fá-lo por necessidade, e não falo de imigrantes de luxo, esses sempre tiveram direito à sua cultura, porque essa é universal, é a cultura e linguagem do dinheiro. Mas como nem todos "pertencem" a essa cultura, por motivos óbvios, sentem a necessidade de ter uma sua ou nem que não sintam essa necessidade, sentem a necessidade de ser igualmente respeitados, e o respeito pelo ser humano deve ser algo sem latitude nem longitude. Portanto, se há algo que temos de exigir, de ser "universalistas" é nos direitos humanos, o multiculturalismo surge então como algo mais complexo que cultural, porque como sempre o respeito pela cultura revela algo mais do que respeito por algo instrumental, revela respeito pelas pessoas. O respeito pelas pessoas é um todo, não é um respeito exclusivo, logo o multiculturalismo surge no sentido de abarcar todas as culturas e surge principalmente pela necessidade de num mesmo país e ordem jurídica estarem previstos os direitos e deveres de indivíduos de diferentes culturas. A corrente surge em séria oposição ao racismo, isto porque certas culturas são fortemente marcadas em termos de identificação racial, assim a rejeição da cultura surge muitas vezes como rejeição da raça que manifesta essa cultura.
Ora este fenómeno recente é visível em países que sejam coabitados por indivíduos de culturas e "sensibilidades" diversas.
“O multiculturalismo é hoje um fenômeno mundial (estima-se que apenas 10 a 15% das nações no mundo sejam etnicamente homogêneas).”
A Cão Rafeiro sugere a sua teoria universalista em detrimento da teoria multiculturalista, existe um sério problema nessa concepção, é que ser apenas universalista é redutor e pouco adaptado a um mundo cheio especificidades. Ou seja devemos ser exclusivamente universalistas nos direitos humanos, no sentido de lutar para que estes se cumpram em todo o mundo, já o não devemos ser em termos de hábitos alimentares, em termos de arte... A diversidade é enriquecedora, é até desejável. A negação do multiculturalismo em conjunção com a afirmação do universalismo padece de uma condição autoritária, porque por muita boa vontade que tenhamos a diversidade existe, mesmo que na diversidade exista algo em comum. Talvez tenha sido esse o principal erro da análise da teoria universalista em detrimento da multiculturalista, são duas coisas que devem coexistir, porque pô-las em colisão aniquila as duas em simultâneo. Eu não consigo coexistir em diferentes culturas sem ter algo de comum (universal) com as outras culturas, mas também não consigo ter algo de universal sem perceber e respeitar as diferenças (multicultural).
Aliás pegando na frase que serve de exemplo a este post da Cão Rafeiro:
“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é-o à sua maneira”.
Esta frase espelha muito bem como universalismo e multiculturalismo são parte integrante do respeito pela diferença com base naquilo que nos é comum. É (quase) universal o desejo por ser feliz, mesmo se pensarmos em quem procura a dor, percebemos que existe algo dessa experiência que é enriquecedor para essa pessoa, ninguém se auto-destrói feliz...mas pode ficar feliz por o fazer (por exemplo, feliz por ser capaz de explorar os limites da dor). Esta frase ressalva que existe algo de comum entre as famílias felizes, todas se parecem na condição de ser feliz, no entanto a felicidade é alcançada de diversas maneiras. Esta frase é a negação de uma teoria meramente universalista, porque se temos algo em comum, também temos algo diferente, apenas o respeito pela diferença contemplando os laços que temos em comum permite que exista respeito mútuo.
Por outro lado Pedro Silva acha que existe demasiada permissividade no multiculturalismo e que essa permissividade irá minar o "nosso" Estado democrático, estaremos perante a ameaça de consagrar excisões e outras barbáries em democracia. Para já, segundo a minha opinião pessoal, esta é uma teoria algo catastrófica, mas principalmente com fracas possibilidade de ocorrer em Estados democráticos (aliás excisões femininas e democracia são "antíteses").
Aquilo em que discordo, é que o multiculturalismo seja permissivo em matéria deste teor, porque a sendo o respeito mutuo e a liberdade individual (não só, mas também) valores multiculturais, o pressuposto de que esta corrente consagraria tais barbáries implicaria que esta corrente não se "respeitasse" a si mesma. Outra questão de salientar, é que em termos reais não tivemos por parte de Estados democráticos nenhuma cedência desse tipo, nem essas cedências podem ser feitas em nome do multiculturalismo visto serem contraditórias em relação ao mesmo. Todas as reclamações por parte de extremistas que reivindicam da tolerância para praticar a intolerância, não foram atendidas, e por isso temos até tido manifestações positivas no sentido em que temos sociedades multiculturais que mantém a sua ordem jurídica e que respeitam em simultâneo a diversidade.
P.S.
Não deixa de ser irónico que uma das "fontes" de receio, o Islamismo, tenha ambições universalistas à semelhança de quem rejeita o multiculturalismo e afirma o universalismo.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Ser fundamentalista pela vida é ser contra Deus
Com o título do post já devo ter chamado a atenção a quem cá veio parar porque procurava as palavras coexistência ou humorítica no google.
A questão que levanto é que sinto um apelo tão pró-vida que sou contra Deus, sinto que todas as formas de vida por mais primitivas que sejam devem ter o direito à vida. Por isso e sendo que é indiscutível que foi Deus que criou o mundo e todos os seres, sinto-me também revoltado por este ter-nos sujeitado a termos de sobreviver à custa de cadáveres de outras formas de vida. Nutro também uma especial simpatia pela espécie denominado espermatozóide, e revolto-me contra Deus quando este, no seu plano de criação, determinou que tanto esperma havia de morrer e só um havia de fecundar o óvulo. E porque é que a mulher tem períodos férteis, já viram quantos óvulos morrem? Deus é um profeta da morte, sinto-me revoltado contra ele. Sou pró-vida, logo sou contra Deus.
sexta-feira, janeiro 26, 2007
A união faz a força!

Porque o que se faz de bem neste país também merece ser realçado, podemos afirmar que as acções cívicas levadas a cabo por cidadãos anónimos não caíram em saco roto. Desta vez, foi a famigerada TLEBS a levar uma machadada, (que eu espero que seja a final) uma vez que o ME resolveu suspendê-la!
Depois de vários meses de polémica, com detalhes tão "macabros" como os que o Pedro Silva revelou no Armadilha, e perante a petição que foi assinada por 8132 pessoas, os cidadãos ganharam mais uma batalha contra a máquina ministerial/governamental!
No entanto, isso não impediu a APP de pôr, ontem, no Fórum do País da RTPN, duas aves raras a defenderem o tacho que lhes foi atribuído! Apesar disso, o debate foi bastante elucidativo pois em cada intervenção que os "artistas" da APP fizeram (peço desculpa mas não me lembro dos seus nomes), acabaram por se "enterrar" ainda mais. Chegaram mesmo ao ponto de afirmar que, em Portugal, não está estabelecido para todos os alunos o que é um Sujeito e um Predicado!!! O que vale é que já quase no fim do debate até a moderadora Magda Rocha lhes deu nas orelhas...
Do lado do contra, tivemos a GRANDE Maria Alzira Seixo que fez corar de vergonha um dos representantes da APP (que, pelos vistos, estava encarregado de fazer a revisão da TLEBS) ao denunciar que a esposa do mesmo fazia parte da equipa que a elaborou! Ora, "se os professores não podem dar aulas aos familiares" (e este foi o argumento utilizado por Alzira Seixo), sejam lá eles de que grau forem, como é que se explicava que o rapaz em questão fosse o "advogado e juíz da causa da mulher"???
Enfim, muito mais haveria para dizer mas fica o essencial: o ME suspendeu a TLEBS, suspendeu-a por não ter mais maneiras de justificar o injustificável, e, em grande parte, devemos isso à petição que foi entregue hoje!!!
Não leu o livro que ensina a contra-argumentar
Existe uma curiosa disputa entre Marcelo Rebelo de Sousa e Francisco Louçã, disputa essa disponível no You Tube. O mais curioso é que o "intelectual" Rebelo continua com alguns tiques Salazarentos, esses tiques são uma atroz incapacidade para contra-argumentar, a contra-argumentação tem um pressuposto base que é o de responder ao argumento colocado, caso não o faça falamos de um novo argumento que muitas vezes serve para não ter de abordar o anterior. Quando os intelectuais da nossa direita apresentam esta incapacidade, acho que diz bem de como a nossa direita ainda tem resquícios vívidos da tradição anti-democrática, simplesmente ainda não adquiriram a natural disponibilidade democrática para trocar argumentos com quem apresenta argumentos diferentes.
Mas vejamos os vídeos por ordem:
Mas vejamos os vídeos por ordem:
A lei não está a ser aplicada
Francisco Louçã responde a Marcelo Rebelo de Sousa
Resposta a Francisco Louçã
Para já se atentarmos nas palavras de Marcelo no primeiro vídeo, ficamos a saber que ele tem "muito bom amigo" que diz "...tu tens razão quanto ao voto, de facto, de um lado a vida humana de outro uma escolha deste genéro sem justificação, sem causa...é pesado."
Para já ficamos a saber que "muito bom amigo" do Marcelo é estúpido, por outro ficamos a saber que Marcelo tem uns amigos que, tendo uma opinião diferente, têm uma argumentação muito conveniente à causa do Marcelinho. Eu desconfio sinceramente que Marcelo com tantos livros que lê não tenha tempo para ter "muito bom amigo", logo não será que ele tem uns amigos imaginários que dizem o que ele quer ouvir?? Salazar também pensou que estava no poder, mesmo quando não estava, há aqui um padrão qualquer...
De seguida brinda-nos com os seus discursos populistas, fáceis e baratos, aparentemente está preocupado com a não aplicação de uma lei mais abrangente, ou seja o rapaz que defende a despenalização e não a liberalização está preocupado que a mulher não seja punida, isto é tão básico que choca, mas é a direita que temos, e pelos vistos esta é a intelectual. A realidade é que Marcelo acha que à parte de algumas excepções previstas na lei, a mulher que livremente opte por abortar deve ser punida, simplesmente Marcelo não sabe como dizer isso de forma frontal, por isso tenta brindar-nos com aparentes incongruências do SIM, mas aonde apenas se descobre as suas. Além disso, se repararmos nas argumentações de Marcelo ele muitas vezes recorre ao "parece-me dificil que", "não me parece que", "dificilmente vai ser possível", ou seja especulação em relação ao futuro pouco consubstanciadas.
Entretanto Louçã responde, reconhecendo que houve algumas evoluções positivas por parte de Marcelo na abordagem à questão, no entanto continua a existir uma incongruência lógica que é a de defender a despenalização das mulheres em simultaneidade com a manutenção da lei vigente.
A resposta de Marcelo é talvez a demonstração cabal da incapacidade de Marcelo para ser um verdadeiro democrata e argumentar, opta então por não responder à questão.
Mas enfim, devaneios fora ficam uns argumentitos que são brincadeiras de português para parvo engolir, então Marcelo brinda-nos com esta bela parábola da Liberalização vs Despenalização de forma a cobrir a incoerência com que este nos brinda na sua argumentação. O truque está na palavra, a palavra liberalização para os mais desatentos sugere que vai haver IVGs com a criancinha quase a nascer, depois é uma palavra que foi introduzida no debate público já com uma carga negativa. Por que o que efectivamente vai acontecer é que a mulher vai ter a liberdade para até às dez semanas optar por prosseguir com a gravidez ou não, e isso meus caros é a liberalização até às dez semanas. Mas é um belo truque porque se falarmos na liberdade de escolha da mulher ainda se aceita, agora se dissermos liberalização (até às 10 semanas) o céu fica negro, e caem trovões. Portanto a questão que Marcelo joga é mesmo com a desinformação, visto que falando na liberalização até às 10 semanas pretende nada mais do que surja no debate a liberalização total (com a qual nem eu concordo). Marcelo apresenta-se assim como mais um populista de uma qualquer campanha do NÃO, apenas mais requintado e elaborado na patranha, portanto estamos perante um vigarista de estatuto médio. Porque sejamos claros, a liberalização até às 10 semanas vai acontecer, e assim o deve ser, a mulher dever ter a liberdade (daí a palavra liberalização) para poder optar no período compreendido entre as dez semanas.
Para já ficamos a saber que "muito bom amigo" do Marcelo é estúpido, por outro ficamos a saber que Marcelo tem uns amigos que, tendo uma opinião diferente, têm uma argumentação muito conveniente à causa do Marcelinho. Eu desconfio sinceramente que Marcelo com tantos livros que lê não tenha tempo para ter "muito bom amigo", logo não será que ele tem uns amigos imaginários que dizem o que ele quer ouvir?? Salazar também pensou que estava no poder, mesmo quando não estava, há aqui um padrão qualquer...
De seguida brinda-nos com os seus discursos populistas, fáceis e baratos, aparentemente está preocupado com a não aplicação de uma lei mais abrangente, ou seja o rapaz que defende a despenalização e não a liberalização está preocupado que a mulher não seja punida, isto é tão básico que choca, mas é a direita que temos, e pelos vistos esta é a intelectual. A realidade é que Marcelo acha que à parte de algumas excepções previstas na lei, a mulher que livremente opte por abortar deve ser punida, simplesmente Marcelo não sabe como dizer isso de forma frontal, por isso tenta brindar-nos com aparentes incongruências do SIM, mas aonde apenas se descobre as suas. Além disso, se repararmos nas argumentações de Marcelo ele muitas vezes recorre ao "parece-me dificil que", "não me parece que", "dificilmente vai ser possível", ou seja especulação em relação ao futuro pouco consubstanciadas.
Entretanto Louçã responde, reconhecendo que houve algumas evoluções positivas por parte de Marcelo na abordagem à questão, no entanto continua a existir uma incongruência lógica que é a de defender a despenalização das mulheres em simultaneidade com a manutenção da lei vigente.
A resposta de Marcelo é talvez a demonstração cabal da incapacidade de Marcelo para ser um verdadeiro democrata e argumentar, opta então por não responder à questão.
Mas enfim, devaneios fora ficam uns argumentitos que são brincadeiras de português para parvo engolir, então Marcelo brinda-nos com esta bela parábola da Liberalização vs Despenalização de forma a cobrir a incoerência com que este nos brinda na sua argumentação. O truque está na palavra, a palavra liberalização para os mais desatentos sugere que vai haver IVGs com a criancinha quase a nascer, depois é uma palavra que foi introduzida no debate público já com uma carga negativa. Por que o que efectivamente vai acontecer é que a mulher vai ter a liberdade para até às dez semanas optar por prosseguir com a gravidez ou não, e isso meus caros é a liberalização até às dez semanas. Mas é um belo truque porque se falarmos na liberdade de escolha da mulher ainda se aceita, agora se dissermos liberalização (até às 10 semanas) o céu fica negro, e caem trovões. Portanto a questão que Marcelo joga é mesmo com a desinformação, visto que falando na liberalização até às 10 semanas pretende nada mais do que surja no debate a liberalização total (com a qual nem eu concordo). Marcelo apresenta-se assim como mais um populista de uma qualquer campanha do NÃO, apenas mais requintado e elaborado na patranha, portanto estamos perante um vigarista de estatuto médio. Porque sejamos claros, a liberalização até às 10 semanas vai acontecer, e assim o deve ser, a mulher dever ter a liberdade (daí a palavra liberalização) para poder optar no período compreendido entre as dez semanas.
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