pelas 10h30m, o Trilho da Esperança, que vai ser feito de Melgaço a Vila Real de Santo António, em bicicleta. É uma viagem, com chegada prevista para o dia 22 de Agosto, que servirá ao professor António Morais (da EBI de Eixo) para protestar contra as medidas do Ministério da Educação e uma prova de solidariedade para com os outros docentes. Mais informações AQUI e AQUI.
Recebi por email um pedido de uma amiga que tem um filho autista. Em vez de apresentar eu a situação, fica aqui o apelo pelas palavras da própria! "Tenho o meu filho internado em Psiquiatria no Hospital de Aveiro. Estar no hospital já não é nada agradável, agora imagina o Serviço de Psiquiatria! Assim, e como já me deves conhecer, há coisas que não tolero. Sou muito paciente em tudo e tenho aguentado a barra sozinha, mas agora chegou a hora de dizer basta. Incitada pelas condições desumanas (suponho que este termo não é assim tão forte para a realidade que lá existe) em que estão os doentes de Psiquiatria e os profissionais de Saúde daquele Serviço, escrevi um artigo para o jornal Público, cuja publicação ansiosamente aguardo, na secção das cartas ao Director (como me foi garantido). Amanhã também segue uma carta para o Senhor Presidente da República. O tema das minhas missivas tem a ver com o ex-Centro de Saúde Mental em S. Bernardo, pois é inadmissível, tal como disse ao Sr. Presidente, haver terrenos do Estado a apodrecer enquanto 33 doentes, porque não há espaço para mais, estão emparedados numa ala de Hospital sem ar fresco e céu. Face ao que te disse, preciso de todos vós, ou melhor, sem politiquices nem outra qualquer cor, Aveiro precisa de um lugar condigno para aqueles que não o podem pedir e seremos todos nós a pedir em nome deles. Que quero eu de ti afinal? Que leias a carta e que divulgues ao máximo esta intenção, pois sei que és filho de Aveiro e meu amigo. Sei que o meu pedido não vai esmorecer em ti nem naqueles a quem eu já falei e que se predispuseram ajudar, porque o caso não passa só pelo encerramento de S. Bernardo, que já foi, mas de muitas Instituições, nomeadamente o Casci, que eles, gostariam de ver encerrado e os pais que se amanhem, pois segundo alguém proferiu a seu tempo e em outras circunstâncias, mas não a mim, não estamos aqui para resolver todos os problemas do mundo." Resta-me pedir a colaboração de todos e remeter-vos para o modus operandi do Governo no que respeita estas matérias, que se encontra na Resolução do Conselho de Ministros nº 49/2008.
P.S. - Como é óbvio, esta resolução tem pouco de resoluto, se é que me faço entender.
Quebro aqui o hábito de falar sobre política para falar sobre Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD que se afigura de carácter temporário, a própria já terá manifestado que se não ganhar as eleições não irá para a assembleia fazer oposição, coisa que se percebe perfeitamente dado que não tem ideias políticas. Mas como sobre política nada posso dizer sobre MFL, aproveito para falar da sua fraca capacidade de raciocínio lógico e conservadorismo moral envergonhado, a cidadã MFL não conseguiu arranjar um bom raciocínio para negar os direitos mais básicos a cidadãos homossexuais. Tentou associar o casamento e os benefícios associados ao pressuposto da procriação, acontece que os homofóbicos não estão isentos de obedecer à lógica, acontece que o casamento não tem pressupostos procriativos. O casamento é um contrato público em que duas pessoas assumem um compromisso amoroso formal (sublinho formal), não assumem perante o Estado nenhum compromisso de procriação, logo, o que MFL disse, além de asqueroso do ponto de vista intelectual e moral, é mentira.
As ideias de MFL são más de mais, mesmo aplicadas a criação de porcos, o Estado não define os objectivos das familias, muito menos MFL, os casais definem para si o seu objectivo de vida, o Estado assume-se como "pessoa de bem" e simplesmente acompanha de forma positiva as opções das mesmas.
Quando a sociedade se vê vergada às piores directivas europeias e em Portugal se assiste a uma política tão extremada à direita que deixa confuso o espectro que se auto proclama de direita, o sindicalismo resiste. E resiste porque revelou-se um verdadeiro "parceiro social" na medida em que assumiu uma parceria afincada com a sua base de apoio, os trabalhadores. Falo, claro está, dos verdadeiros sindicatos, falo neste caso da CGTP que não se verga e que não verga os que contam consigo perante o fado das políticas de sempre do bloco central, "parceiro social" afincado das estruturas dirigentes empresariais. Propostas do governo prevêem a possibilidade de 36 horas de trabalho em 3 dias, o que deita por terra a lógica da produtividade e que entra em contraclico com a necessidade de criar emprego. Eu cá vou dar provas de produtividade, em 2009 só preciso de um dia para resolver os problemas de Portugal, em 2009 a "cruzinha" vai para o sítio certo, vai, como sempre, para a esquerda.
Neste vídeo de boa qualidade, podemos ver o magnífico baixista Pepe Bao a "malhar" como deve ser... É, sem sombra de dúvida, o melhor baixista espanhol e ainda mistura nos seus solos umas "rodelas" de flamenco!
200 mil pessoas esta tarde nas ruas de Lisboa! Só uma besta como Sócrates é que pode ignorar isto... deve estar à espera que os 200.000 lhe entrem pela casa dentro para deixar de ser teimoso!
Tem hoje lugar, pelas 18h30, na Bertrand do Chiado, uma sessão em que Ricardo Araújo Pereira, Rui Zink e Paulo Nogueira conversam com Carlos Vaz Marques e respondem à pergunta «A literatura portuguesa tem sentido de humor?» Não conheço a obra de Paulo Nogueira mas da parte de Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink pode-se dizer que sentido do humor nunca faltou...
Se alguém tinha dúvidas de que a crise não existe (é apenas um "pequeno crescimento" como gosta de apregoar o sr. Pinto de Sousa a.k.a. Sócrates) eis que o facto de, ontem, terem comparecido 90 mil pessoas no Rock in Rio vem provar que ela já está mais do que ultrapassada! Na verdade, só as receitas de bilheteira ascenderam a 4.770.000 € (perto de um milhão de contos), e atendendo ao facto de cada bilhete custar 53€! (para ver concertos pré-embalados e prontos a mastigar?), o PM tem aqui um pretexto fantástico para anunciar que a crise acabou. Enfim, 53€ para ver uma brasileira a abanar a peida, uma inglesa embriagada, um português que deu "quatro escudos" a uma gaja qualquer e fez disso uma canção, e um americano com a mania que é o Jimi Hendrix... prioridades (cada um tem as suas)!!! Espero que, ao menos tenham ido de transportes públicos, mas ouvi dizer que os preços dos comboios também não eram assim tão baratos, o que só prova mais uma vez que a crise acabou!
P.S. - A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, esteve na Cidade do Rock e disse que gostava de ficar para ouvir Rui Veloso. No entanto, o português não integra o cartaz desta edição do festival. (ESTA INFORMAÇÃO ESTÁ NO SITE DO CORREIO DA MANHÃ MAS RUI VELOSO ESTEVE NA CIDADE DO ROCK HOJE, PARA RECEBER UMA HOMENAGEM, NÃO PARA UM CONCERTO).
Para além de ser um realizador brilhante, Fernando Meirelles é também um bom cronista. Vale a pena ler o artigo escrito pelo realizador, em que ele descreve como foi a sensação de ter assistido a "Blindness" (filme adaptado a partir de "Ensaio sobre a cegueira") ao lado de José Saramago, em Lisboa. Leia-se o artigo para ver como o relato de Meirelles é fiel. Ou, então, faça-se o contrário. Seja vendo o vídeo, seja lendo o texto, acompanhamos o desespero de Meirelles naquele momento crucial em que a ficha técnica começa a passar e Saramago fica calado, pensativo...
Por Fernando Meirelles
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme “Ensaio sobre a Cegueira” para o autor da história, José Saramago.
Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso _e não estava errado.
Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.
Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma.
Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.
Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: “Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever ‘O Ensaio sobre a Cegueira’”.
Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua. Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente.
Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo.
Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança.
Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: “Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?”. Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno.
Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem.
“É isso que faço sempre”, concluiu o escritor.
Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida.
Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira.
Na terça-feira passada, dia 20, segundo notícia publicada no site do Sol, o ministro Vieira da Silva, ao referir o concurso para integrar os trabalhadores precários do Programa Novas Oportunidades (em que se incluem técnicos dos CNO, de RVC, e, claro, formadores) saiu-se com a seguinte "pérola": o concurso abrange cerca de 1600 pessoas e destina-se apenas a trabalhadores permanentes, uma vez que «existem prestadores de serviços, como formadores, que querem permanecer com esse vínculo». Uma ova! Sr. Ministro faça uma rápida sondagem entre os formadores a trabalhar nos CNO's do nosso país e veja a dimensão da asneira que disse. Mas alguém no seu perfeito juízo se lembra de uma destas? Ai os formadores querem manter o vínculo de trabalhadores precários? Não sabia!!! Imbecil!!!
Como se não bastasse, e estando toda a gente farta de saber que, em Portugal, há excesso de professores, na Visão de hoje, sai este artigo de Teresa Campos, que denuncia a falta de professores de Língua Portuguesa (uma fatia jeitosa dos professores desempregados) em países como a Alemanha e Inglaterra, para leccionarem português aos filhos de emigrantes. Pior mesmo só o facto de numa União Europeia do século XXI, dois governos como o português e o alemão não se entenderem relativamente a esta matéria.
Os padrõezinhos lá para baixo é o que pretende este Governo. Cada vez mais baixos até chegar a um nível rasteirinho! Depois de, no sábado, o jornal Expresso ter "descoberto" que o programa Novas Oportunidades (promovido e implementado pelo Governo) incorpora trabalhadores com situações precárias (Ah! de admiração), agora foi a vez do Jornal de Negócios destacar o facto de "há dez anos, o salário médio dos trabalhadores, com idades entre os 25 e os 34 anos, representar 96% do salário médio nacional. Desde então a situação salarial destes trabalhadores tem vindo a degradar-se e actualmente o seu salário médio é de 634 euros mensais, 87% do salário médio nacional, cujo valor é 726 euros." Mas estes são valores médios e, como tal, convém lembrar que há quem ganhe muito menos do que isto. O mais preocupante continua a ser o facto de que todos estes "precários", quer aufiram acima ou abaixo da média apresentada, serem obrigados a: 1) pagar as contribuições da Segurança Social (que podem ir dos 50€ aos 200€ mensais e que, com toda a certeza, lhes possibilitarão uma reforma segura); 2) pagar o prémio anual do Seguro de Acidentes de Trabalho OBRIGATÓRIO para Trabalhadores Independentes (que oscila entre os 70€ e 150€, consoante a cobertura oferecida); 3) nalguns casos pagar o IVA.
Para mais esclarecimentos, visite-se oFERVEpara ter uma ideia mais concreta de alguns testemunhos que lá são apresentados.
...aqueles que não querem ser ajudados, têm que receber essa ajuda por outros meios. Fernando Nobre diz que Birmânia recusou ajuda da AMI que pretendia auxiliar as vítimas do ciclone que há duas semanas abalou o país. Uma vez que a AMI "não pode saltar de pára-quedas com a ajuda às costas", a organização está a ponderar enviar uma ajuda financeira de 10 mil euros, transferindo o dinheiro para o arcebispo de Rangum.
... o grandioso Festival de Cannes, que este ano abre com Blindness, adaptado a partir de "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago, realizado pelo brasileiro Fernando Meirelles, e com um brilhante elenco. Apesar de ainda não ter visto nem este, nem nenhum dos outros filmes, espero que seja este a receber a Palma de Ouro. Ou então o Linha de Passe de Walter Salles. Bons filmes!
O Ministro do Trabalho e da Segurança Social está prestes a atingir um novo ponto máximo de sofisticação!
Após ter afirmado na TSF desconhecer a realidade dos 'falsos' recibos verdes nos CNO's, Vieira da Silva foi confrontado com esta realidade na interpelação ao Governo, promovida pelo Bloco de Esquerda.
Também o FERVE interpelou o ministro acerca desta questão no programa "Prós e Contras", ao que Vieira da Silva respondeu afirmando que o Governo cumpriria com as suas obrigações, tal como já o havia feito no passado.
Ora, o que o Governo está a fazer é a afastar liminarmente todos os técnicos a recibos verdes nos Centros Novas Oportunidades (CNO's) de gestão directa do IEFP, ou seja, tratam-se de CNO's de gestão directa do próprio ministério do Trabalho.
Para celebrar esta situação, Vieira da Silva irá estar na próxima sexta-feira no CACE Cultural do Porto, para proceder à entrega de diplomas obtidos ao abrigo do programa Novas Oportunidades. Apelamos a que não deixem esta incongruência passar impune!
Esta situação é apenas um dos exemplos que começam a ocorrer na administração pública, onde existem mais de 100 mil pessoas a trabalhar a recibos verdes!