Hoje tão actual como há 13 anos atrás.
Racismo preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Não seja um imbecil
Não seja um Paulo Francis
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco?
Aliás branco no Brasil é difícil porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda então olhe pra trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura então porque o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou...
Nasceram os brasileiros cada um com a sua cor
Uns com a pele clara outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
Um sujeito com a cara do PC Farias
Não você não faria isso não...Você aprendeu que o preto é ladrão
Muitos negros roubam mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa musica você aprender e fazer
A lavagem cerebral
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não para pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Qualquer tipo de racismo não se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo é racista mas não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
E se você é mais um burro
Não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você!
quarta-feira, junho 07, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Cavaco e o "lobby" gay
É demais evidente o desconforto em ver mulheres sentadas no parlamento, torna-se assim óbvio que este veto de Aníbal foi uma manobra engendrada juntamente com o "lobby" gay. Pelo menos podemos ficar reconfortados porque o casamento homossexual deve vir a ser aprovado, visto que as novas companhias de Cavaco são parte interessada. Aníbal também conhece a mulher dele e tem experiência na matéria, este terá pensado: "se elas não forem para lá de avental e de aspirador, o que vão lá fazer?"
A estas inquietantes perguntas Aníbal não conseguiu responder, logo o caminho a seguir era o do veto que era lógico e também porque os seus novos "amiguinhos" também não percebiam a vantagem de desperdiçar 33% do espaço da assembleia com mulheres.
Agora num registo sério:
Se lermos este artigo podemos tirar algumas ideias de como melhorar a lei da paridade, mais uma vez a melhor parece mesmo vir de Espanha. Uma ideia interessante vem de França e que consiste em subtrair "à subvenção estatal percentagem equivalente à fatia em falta na composição das listas." Diga-se que apesar disto os partidos preferiram receber menos dinheiro do Estado do que cumprir os requisitos da paridade, no entanto registaram-se evoluções. Na Suécia existe um mecanismo de auto-regulamentação e como toda gente sabe as mulheres suecas levaram aquele país à ruina, porra não queria ser sueco...coitadinhos a viver na miséria.
Em Espanha os intervalos concebidos para a paridade são sem dúvida os melhores, sendo que "o número de candidatos de cada um dos sexos não seja superior a 60 por cento nem inferior a 40 por cento." Já agora, descontando hermafroditas, havendo homens e mulheres como raio é que podemos ter menos de 40% de mulheres se tivermos menos de 60% de homens ou vice versa? Esta malta tem um sentido de humor... ou então menospreza a inteligência leitor.
Mas voltando ao assunto, a argumentação de Aníbal é lógica no entanto se fizermos um regsito de prioridades talvez fique mais claro o porquê deste veto continuar a ser injusto.
"A objecção de fundo que coloco ao mérito do diploma centra- se, precisamente, na circunstância de o seu artigo 3º, ao prever a possibilidade de rejeição das listas de candidaturas desconformes com o respectivo preceituado, se afigurar como um regime sancionador excessivo e desproporcionado e, como tal, desadequado para preencher os fins prosseguidos pela mesma legislação", considerou o Presidente da República na mensagem que enviou ao Parlamento."
Ok, tudo bem, mas se pusermos as duas situações que estão em jogo percebemos que este argumento peca por uma questão de prioridades. Assim sendo o que é mais grave? Um partido não poder apresentar a sua candidatura, ou o sexo feminino nem sequer ter 33% de representação parlamentar?
Para mim claramente a prioridade passa por garantir a segunda condição, sendo que mais de metade da população tem de estar representada no parlamento, e se eventualmente alguém está a pensar que os homens podem representar bem os interesses das mulheres no parlamento então analise-se a questão da lei da paridade em si...é, não é?? Pois é.
segunda-feira, junho 05, 2006
domingo, junho 04, 2006
Falar e depois talvez pensar
Visto que estudos de carácter rigoroso e científico nos mostram que as mulheres falam e só depois pensam, torna-se óbvia a sua inaptidão para o exercício do cargo político.
Ora quem não deve ter ficado indiferente a esse estudo foi o PR Aníbal que de forma misericordiosa vetou a injusta lei da paridade.
P.S. Quem duvida da evidência científica, é favor ver o vídeo que se encontra abaixo deste post.
P.S.2 Para quem não me conhece, não quer conhecer ou não foi capaz de descortinar a ironia que parecia evidente no amontoado de barbaridades que eu disse aqui fica o link aonde eu digo o que verdadeiramente penso sobre a matéria.
P.S.3 Queria também fazer uma "menção honrosa" ao PCP que através da voz de Jerónimo Sousa mostrou que consegue ser tão conservador como a nossa admirável direita (nem toda claro). Aliás às vezes os extremos tocam-se e quando se tocam não sai coisa bonita...
quarta-feira, maio 31, 2006
Que bela estratégia...
A Sra. Ministra passou-se, perdeu a cabeça... O que ela pensa acerca dos professores [à excepção dos universitários - vá-se lá saber porquê ;) ] já todos sabemos, mas que o diga explicitamente denota que não deve muito à deusa Minerva!
O que será que a Sra. Ministra pretende com este ataque aos professores?! Que a situação melhore? E nem vale a pena negar algo que já se tornou claro para todos! Até para os que concordam com as suas medidas, discordam da forma como ela as "executa à bruta"!
Acho que tem que ir estudar pedagogia para casa... pois falta-lhe qualquer tacto para tratar assuntos que envolvam... enfim... pessoas!
Como se a profissão docente já não fosse suficientemente desgastante, cansativa e trabalhosa (contrariamente ao que o vulgo julga) ainda existem uns biltres que acentuam as dificuldades.
Já nem vou falar da conjuntura irónica da realidade docente - uns querendo sair não podem, outros querendo entrar não os deixam. Enfim, uma soma de desvantagens que julgo que ainda agravadas por medidas tomadas pelo anterior governo e por este reiteradas, não são em tudo culpa de ondulações governamentais. Reconheço que o problema é muito mais profundo e complicado.
No entanto, parece-me que a preocupação primordial deste governo é poupar nas reformas (a ver se alguns até morrem antes) e na progressão das carreiras. Há pessoas que nunca aprendem que nem tudo se resume a dinheiro!
Não sei se os estragos (sobretudo na forma de tratamento dos seus profissionais) que estão a ser feitos na área do ensino por este Governo vão ser compensados por "eventuais" poupanças futuras. Em qualquer medida há sempre efeitos secundários inesperados.
Eu não sou lírica. Tenho a perfeita noção que esta "intifada" (como muitos já ironizam) contra os professores de nada mais se trata do que uma justificação para as penalizações económicas que estes têm que sofrer. Considero que o enxovalho já adquiriu proporções desmedidas e irreversíveis!
Seria mais honesto dizer aos professores que, tal como outros funcionários públicos, teriam que "fazer sacrifícios"! Já nem discuto a justiça ou injustiça de serem sempre os mesmos a fazerem sacrifícios! Acho que tudo era preferível à humilhação pública que os professores estão a sofrer! E, acreditem, as repercussões não vão ser bonitas!
"Os professores são culpados pelo insucesso escolar dos alunos."
É uma pena que uma Doutora em Sociologia profira sentenças que se reportam a uma análise assente num raciocínio de senso comum do mais vulgar e irreflectido que há no mercado.
E com base em que estudo é que a Sra. Ministra diz que as escolas fazem turmas privilegiadas só com filhos de funcionários da escola?
Que há elaboração de turmas com base em critérios pouco igualitários, já sabemos, mas focar os filhos de professores e funcionários parece-me já perseguição não só à classe como aos familiares da classe.
Serão os filhos de professores e dos funcionários da escola uma população tão considerável ao ponto de condicionar o modelo de funcionamento da escola portuguesa? Estarão os professores enquanto progenitores a contrariar tão decisivamente as tendências demográficas actuais? Terá a Sra. Ministra, enquanto docente, dado também o seu contributo, produzindo os rebentos que fazem estourar a escola?
A Sra. Ministra ainda foi mais além na seguinte comparação: para os médicos "o desafio máximo é o caso pior e mais difícil do hospital", ao passo que "nas escolas a cultura profissional dos professores não os orienta para os casos mais difíceis".
Vê-se mesmo que a senhora anda completamente alheada da realidade escolar portuguesa!
Onde a senhora se foi meter! A Sra. Ministra não deve estar a falar dos mesmos médicos que não têm "tempo" nem "meios" para atender um paciente num estabelecimento público, mas no privado já têm, pois não?!
Gostaria de fazer a ressalva que existem muitos médicos que honram a sua profissão (aliás, bem nobre), sendo não só cientificamente muito bons, mas também do ponto de vista humano. Mas quantos de nós não conhecemos e já fomos atendidos pelos "outros". E estes não são poucos.
Mas quanto aos médicos as generalizações por parte da ministra já são feitas pelo lado positivo....
As "generalizações" (sobretudo as deste género) são sempre perigosas e infrutíferas na produção de bons resultados. Se não, vejamos: é com insultos e humilhações que os proprietários de uma empresa privada (já que estes são os tão adorados arquétipos do neo-liberalismo) vão conseguir uma maior produtividade por parte dos seus operários?!
Sinceramente, acho que não! A Sra. Ministra que inquira o Sr. Belmiro (não há-de faltar muito já o elegem ministro da educação), que estava também presente na reunião, se é este o método que ele adopta para os seus trabalhadores?
E, já agora, será que o Sr. Belmiro me empregará numa caixa de um seu qualquer hipermercado?!
O grave destes ataques aos professores é que está a entristecer os professores mais competentes e dedicados, que se sentem injustiçados pelas afirmações proferidas. Sim, porque os maus profissionais arranjam sempre maneira de se safarem e também não se sentem ofendidos...
Atentemos ainda na iluminada descoberta da Doutora Maria de Lurdes Rodrigues quanto ao novo método de avaliação dos professores. Coitada da senhora!
Já uma vez nos informou a todos que a região autónoma dos Açores não fazia parte da República Portuguesa! Que existia Estudo Acompanhado no ensino secundário. Que os "professores do secundário estavam encostados à lareira!" (Verdadeiras pérolas!)
Parece-me que não só denota ignorância pelo desconhecimento dos currículos escolares, como uma certa leviandade no tratamento dos seus profissionais.
Não se lembrou também de uma "pequena" falha na utilização do critério do abandono escolar dos alunos para a avaliação dos professores!
Vejamos: o que se fará aos professores com menos tempo de serviço, que ficarão (com grandes probabilidades) colocados em zonas menos concorridas e menos povoadas e em que o abandono escolar (independente, muitas vezes, do esforço e vontade de docentes e alunos) é maior por necessidades económicas? Estudar no nosso país ainda não é ao preço da chuva! (E não me venham com rendimentos per capita e investimentos na educação comparativos com países nórdicos, porque são uma treta e viciados!).
Parece-me que a ministra julga os professores seres supremos capazes de fazer através da escola o que a sociedade toda junta e os seus ministros não conseguem: aniquilar as diferenças sociais, económicas e culturais. Minimizá-las é um esforço que nos cabe a todos. Aniquilá-las é uma utopia.
E mesmo que acreditemos em utopias (que não é mau - as utopias de hoje podem ser a realidade de amanhã), não percebo como é que os professores foram promovidos a Messias!
Já muito faz a escola. Mas a escola está inserida num todo social que não lhe é alheio e passivo.
Já o Sr. Reitor da Universidade de Lisboa diz que se exige demasiado à escola.
De facto, julgo que não cabe à escola a salvação da humanidade. Até porque não o conseguiria, nem que quisesse...
Bem prega "Santo" António (Nóvoa) aos peixes... mas "a terra não se deixa salgar!"
P.S. - Ufa... desabafei!
Está bom assim, João?!
O problema dos assuntos que nos são próximos é este: não nos calamos! ;P
O que será que a Sra. Ministra pretende com este ataque aos professores?! Que a situação melhore? E nem vale a pena negar algo que já se tornou claro para todos! Até para os que concordam com as suas medidas, discordam da forma como ela as "executa à bruta"!
Acho que tem que ir estudar pedagogia para casa... pois falta-lhe qualquer tacto para tratar assuntos que envolvam... enfim... pessoas!
Como se a profissão docente já não fosse suficientemente desgastante, cansativa e trabalhosa (contrariamente ao que o vulgo julga) ainda existem uns biltres que acentuam as dificuldades.
Já nem vou falar da conjuntura irónica da realidade docente - uns querendo sair não podem, outros querendo entrar não os deixam. Enfim, uma soma de desvantagens que julgo que ainda agravadas por medidas tomadas pelo anterior governo e por este reiteradas, não são em tudo culpa de ondulações governamentais. Reconheço que o problema é muito mais profundo e complicado.
No entanto, parece-me que a preocupação primordial deste governo é poupar nas reformas (a ver se alguns até morrem antes) e na progressão das carreiras. Há pessoas que nunca aprendem que nem tudo se resume a dinheiro!
Não sei se os estragos (sobretudo na forma de tratamento dos seus profissionais) que estão a ser feitos na área do ensino por este Governo vão ser compensados por "eventuais" poupanças futuras. Em qualquer medida há sempre efeitos secundários inesperados.
Eu não sou lírica. Tenho a perfeita noção que esta "intifada" (como muitos já ironizam) contra os professores de nada mais se trata do que uma justificação para as penalizações económicas que estes têm que sofrer. Considero que o enxovalho já adquiriu proporções desmedidas e irreversíveis!
Seria mais honesto dizer aos professores que, tal como outros funcionários públicos, teriam que "fazer sacrifícios"! Já nem discuto a justiça ou injustiça de serem sempre os mesmos a fazerem sacrifícios! Acho que tudo era preferível à humilhação pública que os professores estão a sofrer! E, acreditem, as repercussões não vão ser bonitas!
"Os professores são culpados pelo insucesso escolar dos alunos."
É uma pena que uma Doutora em Sociologia profira sentenças que se reportam a uma análise assente num raciocínio de senso comum do mais vulgar e irreflectido que há no mercado.
E com base em que estudo é que a Sra. Ministra diz que as escolas fazem turmas privilegiadas só com filhos de funcionários da escola?
Que há elaboração de turmas com base em critérios pouco igualitários, já sabemos, mas focar os filhos de professores e funcionários parece-me já perseguição não só à classe como aos familiares da classe.
Serão os filhos de professores e dos funcionários da escola uma população tão considerável ao ponto de condicionar o modelo de funcionamento da escola portuguesa? Estarão os professores enquanto progenitores a contrariar tão decisivamente as tendências demográficas actuais? Terá a Sra. Ministra, enquanto docente, dado também o seu contributo, produzindo os rebentos que fazem estourar a escola?
A Sra. Ministra ainda foi mais além na seguinte comparação: para os médicos "o desafio máximo é o caso pior e mais difícil do hospital", ao passo que "nas escolas a cultura profissional dos professores não os orienta para os casos mais difíceis".
Vê-se mesmo que a senhora anda completamente alheada da realidade escolar portuguesa!
Onde a senhora se foi meter! A Sra. Ministra não deve estar a falar dos mesmos médicos que não têm "tempo" nem "meios" para atender um paciente num estabelecimento público, mas no privado já têm, pois não?!
Gostaria de fazer a ressalva que existem muitos médicos que honram a sua profissão (aliás, bem nobre), sendo não só cientificamente muito bons, mas também do ponto de vista humano. Mas quantos de nós não conhecemos e já fomos atendidos pelos "outros". E estes não são poucos.
Mas quanto aos médicos as generalizações por parte da ministra já são feitas pelo lado positivo....
As "generalizações" (sobretudo as deste género) são sempre perigosas e infrutíferas na produção de bons resultados. Se não, vejamos: é com insultos e humilhações que os proprietários de uma empresa privada (já que estes são os tão adorados arquétipos do neo-liberalismo) vão conseguir uma maior produtividade por parte dos seus operários?!
Sinceramente, acho que não! A Sra. Ministra que inquira o Sr. Belmiro (não há-de faltar muito já o elegem ministro da educação), que estava também presente na reunião, se é este o método que ele adopta para os seus trabalhadores?
E, já agora, será que o Sr. Belmiro me empregará numa caixa de um seu qualquer hipermercado?!
O grave destes ataques aos professores é que está a entristecer os professores mais competentes e dedicados, que se sentem injustiçados pelas afirmações proferidas. Sim, porque os maus profissionais arranjam sempre maneira de se safarem e também não se sentem ofendidos...
Atentemos ainda na iluminada descoberta da Doutora Maria de Lurdes Rodrigues quanto ao novo método de avaliação dos professores. Coitada da senhora!
Já uma vez nos informou a todos que a região autónoma dos Açores não fazia parte da República Portuguesa! Que existia Estudo Acompanhado no ensino secundário. Que os "professores do secundário estavam encostados à lareira!" (Verdadeiras pérolas!)
Parece-me que não só denota ignorância pelo desconhecimento dos currículos escolares, como uma certa leviandade no tratamento dos seus profissionais.
Não se lembrou também de uma "pequena" falha na utilização do critério do abandono escolar dos alunos para a avaliação dos professores!
Vejamos: o que se fará aos professores com menos tempo de serviço, que ficarão (com grandes probabilidades) colocados em zonas menos concorridas e menos povoadas e em que o abandono escolar (independente, muitas vezes, do esforço e vontade de docentes e alunos) é maior por necessidades económicas? Estudar no nosso país ainda não é ao preço da chuva! (E não me venham com rendimentos per capita e investimentos na educação comparativos com países nórdicos, porque são uma treta e viciados!).
Parece-me que a ministra julga os professores seres supremos capazes de fazer através da escola o que a sociedade toda junta e os seus ministros não conseguem: aniquilar as diferenças sociais, económicas e culturais. Minimizá-las é um esforço que nos cabe a todos. Aniquilá-las é uma utopia.
E mesmo que acreditemos em utopias (que não é mau - as utopias de hoje podem ser a realidade de amanhã), não percebo como é que os professores foram promovidos a Messias!
Já muito faz a escola. Mas a escola está inserida num todo social que não lhe é alheio e passivo.
Já o Sr. Reitor da Universidade de Lisboa diz que se exige demasiado à escola.
De facto, julgo que não cabe à escola a salvação da humanidade. Até porque não o conseguiria, nem que quisesse...
Bem prega "Santo" António (Nóvoa) aos peixes... mas "a terra não se deixa salgar!"
P.S. - Ufa... desabafei!
Está bom assim, João?!
O problema dos assuntos que nos são próximos é este: não nos calamos! ;P
Cura para insónias
A esta hora costumo estar a dormir, isto resultante do facto de me deitar muito tarde...
Ora que melhor remédio para manter-me acordado e restabelecer o sono ao horário normal?
Pois claro, ler umas barbaridades, e assim fiz, fui ao Blasfémias e li este singelo post e sinto-me tentado a responder a algumas perguntas.
"Sendo certo que são os portugueses quem sustenta com os seus impostos o sistema de ensino como é possível que não possam escolher entre entregar essa verba a uma escola pública ou a uma privada?"
A questão é simples, é que os portugueses não se importariam de contribuir para escolas privadas, isto se o paradigma do privado mudasse de forma tão radical ao ponto de já nem podermos chamar-lhe privado. Para isso o privado tinha de adquirir alguns "vícios" do público entre os quais os de podermos eleger os gestores desse mesmo ensino, que o privado fosse economicamente tão acessível como público, que o privado não fizesse a pré-selecção que faz dos seus alunos para depois parecer que são grandes estabelecimentos de ensino quando na realidade limitaram-se a tirar o insucesso das estatísticas....enfim muita coisa.
Mas prefiro até analisar a própria questão em si, a questão está posta de forma perversa, ao ponto de eu ser quase levado a concordar com o facto de se tratar de uma injustiça essa condicionante mas rapidamente se desmonta esta aparente ditadura, que na realidade não é mais que a "ditadura" da solidariedade. Na realidade podemos optar pelo ensino privado, a questão que nos é posta é que tendo de contribuir obrigatoriamente para o ensino público estamos a tirar a liberdade de escolha, porque se as pessoas já contribuem para o ensino público não irão também depois pagar para frequentar o privado (já conheço esta lenga lenga desde os tempos da carochinha).
Então mas afinal como é que ainda não houve uma revolta massiva da população contra esta "ditadura", pois claro que não houve nem vai haver porque a obrigatoriedade de contribuir para o ensino público está associado a um princípio de solidariedade e também a um modelo de gestão público. O princípio de solidariedade está assente no princípio de que se todos contribuirmos para o ensino público, cada contribuição será mais pequena e mais suportável e assim fomentamos um projecto colectivo que permite ter um ensino acessível a todos (isto até ao 12º).
Se eventualmente cada indivíduo pudesse utilizar essa contribuição para escolas privadas deixava de existir o princípio de solidariedade, visto que havia uma dispersão de capital por vários núcleos de gestão dispersos que por sua vez podiam praticar os preços que quisessem e assim claramente marginalizar uma parte da sociedade. Além disso ao não contribuir para o ensino público perdia-se o tal modelo de gestão em que todos contribuimos um pouco para melhorar muito a vida e possibilidades de outros, perdíamos também um modelo de gestão em que elegemos um governo que depois irá gerir o ensino, ou seja perdemos também alguma margem de manobra para participar de forma activa no ensino. Lá está, para isto que eu disse ser falso era preciso mudar o paradigma de privado, a tal ponto de o deixar de ser.
"Mais grave ainda como é possível que nem sequer possam escolher a escola pública que querem?"
Ui agora é que não adormeço mesmo...
Pois é, de facto os alunos estão condicionados à sua área de residência mas isso tem um princípio lógico e economicista com o qual a autora até se deve identificar, esse princípio é o da racionalização, como será perceptível se condicionarmos os alunos a se deslocarem às escolas da sua zona evitaremos mais tráfico automóvel e também que os autocarros (ainda bastante usados por estudantes) façam trajectos mais longos (mais despesa). Ainda há quem na caixa de comentários se condoa com os coitadinhos dospobres que não podem sair da sua zona de residência, apesar de sabermos que esta ânsia por poder escolher escolas fora da área de residência é precisamente para alunos de outras classes que querem fugir das escolas problemáticas. Além disso para sermos sérios devíamos discutir como é possível que exista esta discriminação social ao ponto de criar "ghettos" e depois, sim, falar de forma séria das oportunidades que de facto queremos para os mais marginalizados.
Além disso é ainda mais estupidificante ler estas frases (do comentador e da autora do post) quando lendo a pergunta anterior se sabe que existe um certo incómodo em ser obrigado a contribuir para as escolas públicas e que esses princípio visa principalmente dar essas mesmas oportunidades aos tais "coitadinhos".
Se juntarmos as peças percebemos bem o caminho traçado, repare-se que se quer liberdade para escolher o local de ensino (fugir para longe dos pobres) e que simultaneamente se revela o desejo por poder contribuir para o ensino privado em alternativa ao público (fugir ainda mais dos pobres e deixá-los na merda).
P.S. Agora espero que Joaninhas, Ruizinhos e Pedrinhos (este ao que parece está sem internet) também falem de ensino, é que parece que lhes é matéria afecta...
Ora que melhor remédio para manter-me acordado e restabelecer o sono ao horário normal?
Pois claro, ler umas barbaridades, e assim fiz, fui ao Blasfémias e li este singelo post e sinto-me tentado a responder a algumas perguntas.
"Sendo certo que são os portugueses quem sustenta com os seus impostos o sistema de ensino como é possível que não possam escolher entre entregar essa verba a uma escola pública ou a uma privada?"
A questão é simples, é que os portugueses não se importariam de contribuir para escolas privadas, isto se o paradigma do privado mudasse de forma tão radical ao ponto de já nem podermos chamar-lhe privado. Para isso o privado tinha de adquirir alguns "vícios" do público entre os quais os de podermos eleger os gestores desse mesmo ensino, que o privado fosse economicamente tão acessível como público, que o privado não fizesse a pré-selecção que faz dos seus alunos para depois parecer que são grandes estabelecimentos de ensino quando na realidade limitaram-se a tirar o insucesso das estatísticas....enfim muita coisa.
Mas prefiro até analisar a própria questão em si, a questão está posta de forma perversa, ao ponto de eu ser quase levado a concordar com o facto de se tratar de uma injustiça essa condicionante mas rapidamente se desmonta esta aparente ditadura, que na realidade não é mais que a "ditadura" da solidariedade. Na realidade podemos optar pelo ensino privado, a questão que nos é posta é que tendo de contribuir obrigatoriamente para o ensino público estamos a tirar a liberdade de escolha, porque se as pessoas já contribuem para o ensino público não irão também depois pagar para frequentar o privado (já conheço esta lenga lenga desde os tempos da carochinha).
Então mas afinal como é que ainda não houve uma revolta massiva da população contra esta "ditadura", pois claro que não houve nem vai haver porque a obrigatoriedade de contribuir para o ensino público está associado a um princípio de solidariedade e também a um modelo de gestão público. O princípio de solidariedade está assente no princípio de que se todos contribuirmos para o ensino público, cada contribuição será mais pequena e mais suportável e assim fomentamos um projecto colectivo que permite ter um ensino acessível a todos (isto até ao 12º).
Se eventualmente cada indivíduo pudesse utilizar essa contribuição para escolas privadas deixava de existir o princípio de solidariedade, visto que havia uma dispersão de capital por vários núcleos de gestão dispersos que por sua vez podiam praticar os preços que quisessem e assim claramente marginalizar uma parte da sociedade. Além disso ao não contribuir para o ensino público perdia-se o tal modelo de gestão em que todos contribuimos um pouco para melhorar muito a vida e possibilidades de outros, perdíamos também um modelo de gestão em que elegemos um governo que depois irá gerir o ensino, ou seja perdemos também alguma margem de manobra para participar de forma activa no ensino. Lá está, para isto que eu disse ser falso era preciso mudar o paradigma de privado, a tal ponto de o deixar de ser.
"Mais grave ainda como é possível que nem sequer possam escolher a escola pública que querem?"
Ui agora é que não adormeço mesmo...
Pois é, de facto os alunos estão condicionados à sua área de residência mas isso tem um princípio lógico e economicista com o qual a autora até se deve identificar, esse princípio é o da racionalização, como será perceptível se condicionarmos os alunos a se deslocarem às escolas da sua zona evitaremos mais tráfico automóvel e também que os autocarros (ainda bastante usados por estudantes) façam trajectos mais longos (mais despesa). Ainda há quem na caixa de comentários se condoa com os coitadinhos dospobres que não podem sair da sua zona de residência, apesar de sabermos que esta ânsia por poder escolher escolas fora da área de residência é precisamente para alunos de outras classes que querem fugir das escolas problemáticas. Além disso para sermos sérios devíamos discutir como é possível que exista esta discriminação social ao ponto de criar "ghettos" e depois, sim, falar de forma séria das oportunidades que de facto queremos para os mais marginalizados.
Além disso é ainda mais estupidificante ler estas frases (do comentador e da autora do post) quando lendo a pergunta anterior se sabe que existe um certo incómodo em ser obrigado a contribuir para as escolas públicas e que esses princípio visa principalmente dar essas mesmas oportunidades aos tais "coitadinhos".
Se juntarmos as peças percebemos bem o caminho traçado, repare-se que se quer liberdade para escolher o local de ensino (fugir para longe dos pobres) e que simultaneamente se revela o desejo por poder contribuir para o ensino privado em alternativa ao público (fugir ainda mais dos pobres e deixá-los na merda).
P.S. Agora espero que Joaninhas, Ruizinhos e Pedrinhos (este ao que parece está sem internet) também falem de ensino, é que parece que lhes é matéria afecta...
terça-feira, maio 30, 2006
Notas soltas
Se a chulice está legalizada porque não a prostituição?
Já sabia que a estupidez é infinita mas mesmo assim ainda consigo ser surpreendido.
É preciso dizer mal para mais tarde enrabar.
É o capitalismo, estúpido...
Já sabia que a estupidez é infinita mas mesmo assim ainda consigo ser surpreendido.
É preciso dizer mal para mais tarde enrabar.
É o capitalismo, estúpido...
sábado, maio 27, 2006
O "corno" é sempre o último a saber!
Perdoem-me a ordinarice do termo mas só mesmo assim é que consigo analisar a conferência realizada pela dupla Bush/Blair. Como é que se explica que dois FILHOS DA PUTA (mais uma vez peço desculpa pela linguagem mas a indignação tem destas coisas) que já sabiam que iam fazer asneira mesmo antes de invadirem o Iraque, venham agora a público, quais Madalenas arrependidas, admitir que os cometeram? Na verdade, isto serve apenas para masturbar a opinião pública (se tanto) uma vez que na opinião destes dois, tudo o que fizeram está certo (pois se até ganharam e deram tanto a ganhar com isso)! Para além disto, se admitissem verdadeiramente que tinham errado tinham mudado há muito tempo de estratégia. Mas não só não mudaram como vieram agora afirmar que vão manter a mesma (APLAUSOS meninos e meninas)! Enfim, haja paciência!
quinta-feira, maio 25, 2006
Um narciso não é necessariamente um mentiroso
O perfil algo narcisista de Carrilho não nos deve cegar da veracidade de algumas das suas acusações, com certeza que este peca ao fazer algumas acusações sem no entanto ter bases sólidas mas também apresentou factos verídicos em que percebemos de forma bastante óbvia que a comunicação social é hoje uma empresa que nem sempre ganha mais se servir bem os espectadores.
Depois de ter visto o programa de segunda da RTP, Prós e Contras, a questão ficou mais clara, Ricardo Costa tentou sempre enviesar a discussão para outro curso que não o do debate da comunicação social e isso torna-o ainda mais suspeito. Ricardo Costa para mim não é suspeito, já tem cadastro, aparece sempre em alturas bastantes oportunas, é o chefe de cozinha e o cozinhado é sempre o mesmo. Vejamos então porque na minha opinião R. Costa é mais sopeiro que agente de comunicação:
- Os seus programas pecam pela falta de pluralidade, no expresso da meia noite ainda não vi uma discussão económica em que não estivessem neoliberais frente a frente e que por regra, sem expepção, não estivesse ninguém que confrontasse essa visão com uma visão alternativa de economia.
- Quando Paulo Pedroso foi detido, Ricardo Costa dedicou o dia todo a atacar Ferro Rodrigues, transformando algo completamente desligado da actividade política num facto político e tentando tirar assim consequências que mais lhe agradavam, ou seja que o próximo primeiro ministro não fosse de esquerda.
- Durante a discussão no Prós e Contras, Ricardo Costa ignorou por completo críticas cerradas à comunicação social e tentou focar as fragilidades de Carrilho, que são óbvias mas que serviam neste caso apenas para esgotar o debate e dar a entender que a comunicação social não tem poder nem influência nas decisões democráticas.
Tem se falado em falta de qualidade jornalística, a mim parece-me muito mais urgente falar em isenção, Ricardo Costa não é incompetente, é parcial...
Depois de ter visto o programa de segunda da RTP, Prós e Contras, a questão ficou mais clara, Ricardo Costa tentou sempre enviesar a discussão para outro curso que não o do debate da comunicação social e isso torna-o ainda mais suspeito. Ricardo Costa para mim não é suspeito, já tem cadastro, aparece sempre em alturas bastantes oportunas, é o chefe de cozinha e o cozinhado é sempre o mesmo. Vejamos então porque na minha opinião R. Costa é mais sopeiro que agente de comunicação:
- Os seus programas pecam pela falta de pluralidade, no expresso da meia noite ainda não vi uma discussão económica em que não estivessem neoliberais frente a frente e que por regra, sem expepção, não estivesse ninguém que confrontasse essa visão com uma visão alternativa de economia.
- Quando Paulo Pedroso foi detido, Ricardo Costa dedicou o dia todo a atacar Ferro Rodrigues, transformando algo completamente desligado da actividade política num facto político e tentando tirar assim consequências que mais lhe agradavam, ou seja que o próximo primeiro ministro não fosse de esquerda.
- Durante a discussão no Prós e Contras, Ricardo Costa ignorou por completo críticas cerradas à comunicação social e tentou focar as fragilidades de Carrilho, que são óbvias mas que serviam neste caso apenas para esgotar o debate e dar a entender que a comunicação social não tem poder nem influência nas decisões democráticas.
Tem se falado em falta de qualidade jornalística, a mim parece-me muito mais urgente falar em isenção, Ricardo Costa não é incompetente, é parcial...
quinta-feira, maio 18, 2006
Especulações económicas(2)
Ora depois de abordar a problemática da virtualidade do dinheiro e consequente facilidade de deslocamento, cabe-me também dizer que mesmo quem produz também não está a desempenhar um papel muito social na questão. Isto porque quando o Sócrates fala em investimento e etc está implícita a palavra emprego, mas sejamos um bocadinho menos pategos e pensemos na mentalidade de tais benfeitores e que tipo de empresas é que têm a capacidade de fazer investimentos internacionais. Ora as empresas que têm tal capacidade são precisamente as que crescem a nível interno e assim ganham condições para a sua globalização, ora as empresas que crescem normalmente fazem o quê?
Pois é, reduzem os quadros médios, ficam com pequenos quadros de pessoal altamente qualificado, ou seja as empresas que eventualmente investirem em Portugal fizeram uns despedimentos noutra parte do globo. Portanto o nosso mal tem de ser o dos outros, caso contrário cada vez mais a democracia e justiça social ficam reféns de quem tem poder económico (meios de produção). E podemos até pensar que o caminho passa por ter gente mais qualificada, com certeza que esse é um caminho desejável mas só valerá a pena se regularmos a actividade no sentido de dar garantias aos trabalhadores, sim isso mesmo as malditas garantias que os neoliberais tanto vociferam contra apesar de não dispensarem umas boas acumulações de reformas. Se não assumirmos que os agentes económicos têm um papel de responsabilidade na sociedade, podemos até ter um país com pessoal altamente qualificado que o desemprego continuará. Aliás os próprios empregadores desejam a massificação de pessoal qualificado, isto porque como estamos num esquema capitalista as pessoas (mercadoria) passam a valer menos visto haver muitas em stock, lá está a questão da procura e da oferta, no entanto não esqueçamos que aqui a mercadoria são pessoas, talvez devêssemos andar embalados com o rótulo de frágil, sendo que seríamos também descartáveis...
Se eu disser que uma empresa se rege numa lógica de lucro ninguém se escandaliza, pois não???
Ora, nessa mesma lógica porque raio vem uma empresa investir para Portugal? Pois claro, só vem se o pessoal for mal pago e produtivo q.b., porque raio vai a nike para o Paquistão?
Porque raio é que os países pobres parecem exportar tantos produtos??
Pois claro, um país pobre é uma mina de ouro, baixos salários, produtividade e ausência de direitos laborais, até o capitalista mais estoicista perde a cabeça...
Parece-me que a solução deste fenómeno perverso da globalização está também na própria globalização, globalizemos os direitos sociais e sejamos consumidores atentos e críticos...que democracia chegue ao mercado de trabalho.
Especulações económicas

Visto que o discurso mediático sobre retomas e investimentos peca por estupidificante, convém mais do que tudo pensar na base do trânsito comercial.
Será que vale a pena regozijar-me com os investimentos socratistas sem perceber sequer o que quero para a economia ou, mais importante, a minha concepção de economia? Sendo assim começo por partilhar a minha concepção de economia: produto humano baseado na necessidade de satisfazer as necessidades e até caprichos humanos, troca de serviços, aquisição de produtos. Ora aqui entra o sistema monetário, como será fácil compreender a troca directa de produtos e serviços não satisfaz completamente as necessidades do ser humano, se eu prestar um serviço a um cangalheiro provavelmente não estou a contar que este me preste um serviço logo de seguida em troca. Assim sendo era preciso um intermediário, o dinheiro, um sistema numérico que permitisse uma avaliação do nosso serviço/produto e que permitisse que pudéssemos com a avaliação desse sistema numérico requerer outros serviços/produtos, também sujeitos à avaliação numérica, à nossa escolha.
Talvez se pensarmos no dinheiro como um sistema de avaliação e fizermos o paralelo entre essa avaliação e a escolar comecemos por perceber a origem de muitos problemas, pois é a avaliação nunca vai ser rigorosa a 100% e principalmente nunca é tão rigorosa como dizem ser os avaliadores. Assim sendo debruço-me sobre a avaliação dos serviços, é verdade que segundo a economia os serviços ou bens com mais procura serão aqueles que serão mais valorizados. No entanto pergunto-vos que cidade dispensaria os serviços de limpeza de ruas e quanto auferem os que prestam esse serviço...pois é, se calhar não é assim tão simples. Existe uma cumplicidade, é certo, entre procura e "prestígio". Sim "prestígio", na medida em que a visão e importância que a sociedade dá a um certo sector é vital para o salário que estes mesmos auferem, no entanto a relevância que é dada a apenas certas profissões e não a outras é um mecanismo de pouco rigor e baseia-se nesse mesmo aspecto pouco sólido...o "prestígio". Além disso as profissões mais bem pagas não estão propriamente ligadas à sua imprescindibilidade, estão sim ligadas à avaliação que os próprios avaliadores exercem sobre si...a banca torna isto bastante mais palpável e fácil de perceber. Ou seja além de a avaliação ser um processo inerentemente dúbio, existe o agravante de quando se dá o caso dos avaliadores se avaliarem a si mesmos. Agora, porque raios existem pessoas que têm o privilégio de se avaliar a si mesmas? Pois claro, são geralmente os proprietários, os donos dos meios de produção (até pode ser produção de serviços). Ou seja um dos problemas inerentes e que requer atenção é este da avaliação dos serviços, mas ninguém está para pôr isso em causa...pois não? Bem me parecia que não, já tendo o canudo ou vida feita para quê confrontarmo-nos com o desconforto da justiça.
Além desta problemática do dinheiro como sistema de avaliação surge uma mais recente e ligada às imensas possibilidades do dinheiro e a sua virtualidade, se formos ao âmago da questão o dinheiro é hoje maioritariamente electricidade, ou seja as contas bancárias são números visíveis em monitores, alojados em discos, "lidos" na forma de bits, bits que são tensões geradas pelo nosso sistema eléctrico...
A dimensão embora física, mas pouco palpável do dinheiro está a transformar a economia em jogos de números. Hoje em dia a grande actividade económica é feita à volta de pessoas que especulam sobre negócios e sobre quem de facto produz algo, pensemos na OPA do Belmiro "cash já", a grande actividade económica que houve não foi a aquisição de uma empresa por parte de outra ou um avolumar de negócios, foi sim a especulação de investidores e accionistas através da compra e venda de acções. Ou seja isto deita por terra as palavras que os nossos beneméritos neoliberais de fé inabalável introduziram no lexical da vox populi. Essas palavrinhas que caem em saco roto são por exemplo: empreendedorismo e produtividade. Ora caem em saco roto porque o "padre fala-nos da virtude da hóstia enquanto se delicia com uma "vichisoise", ou seja dizem os empresários para putativos concorrentes que a solução é empreendedorismo e produtividade, quando em simultâneo diminuem quadros de trabalhadores, entram em jogos de especulação e fazem jogadas sempre com o intuito de ter o Estado a segurar para o caso de dar barraca.
Não é que a produtividade não seja um bem, algo de valor no mundo das empresas, o problema é que o grande volume de negócios e os aliados a maiores maquias de dinheiro estão precisamente associados a fluxo de dinheiro que não estão associados a compra/pagamentos de serviços/bens.
Então como podemos manter este discurso mediático estando em simultâneo a jogar num mundo que sabemos ser completamente diferente? Pois por isso mesmo que eu digo que o discurso mediático é estupidificante…
(continuará, quando eu arranjar mais tempo :-P)
domingo, maio 14, 2006
E o mais inteligente cala-se...
Acerca da "polémica" (se é que podemos conferir algum tipo de importância a tal situação) sobre a convocatória dos jogadores para a selecção sub-21, Agostinho Oliveira disse (depois de ter afirmado publicamente que o plantel dele dependia da escolha do treinador da Selecção A) que já a mãezinha dele costumava dizer que numa discussão o mais inteligente cala-se.
E foi realmente o que aconteceu.
O treinador proferiu tal frase como resposta aos comentários (perfeitamente prepotentes e provincianos) das outras duas antas do panorama futebolístico.
Então aquele Madail até mete nojo!
Deve ser de família... :D
Os dois burros (sem ofensa para o animal) falaram, o inteligente calou-se!
P.S. - Vou torcer por Angola!
E foi realmente o que aconteceu.
O treinador proferiu tal frase como resposta aos comentários (perfeitamente prepotentes e provincianos) das outras duas antas do panorama futebolístico.
Então aquele Madail até mete nojo!
Deve ser de família... :D
Os dois burros (sem ofensa para o animal) falaram, o inteligente calou-se!
P.S. - Vou torcer por Angola!
sexta-feira, maio 12, 2006
segunda-feira, maio 08, 2006
sábado, maio 06, 2006
Reflexoes de um sabado a tarde
Antes de apontarem que ando a precisar de rever a ortografia, leiam ESTE artigo de opinião. Eu já li e só me apetece citar o realizador francês Claude Chabrol: "A estupidez é infinitamente mais fascinante do que a inteligência. A inteligência tem limites, a estupidez não." Para aqueles que não têm tempo ou paciência para o fazer apresento-vos a leitura que fiz.
Em primeiro lugar começo por referir que o artigo foi escrito há cerca de duas semanas pelo Editor de Novas tecnologias da SIC Lourenço Medeiros (LM). O pobre moço principia o seu desabafo ao afirmar que: "acentos (...) deixam o meu teclado circunspecto". Ora, excluindo a possibilidade de o teclado que ele usa ter personalidade própria, estamos perante uma hipálage. Parece-me óbvio, que quando elaboramos um texto para ser lido tenhamos que ter algum cuidado, mas pelo que li, colocar "tracinhos irritantes" nas palavras frita-lhe os neurónios.
Em segundo, LM confessa-se surpreendido pela facilidade com que qualquer americano toma notas no seu computador sem olhar para o teclado. (É impressão minha ou há para aí uns quantos portugueses que também o fazem sem qualquer esforço?) Continuando a comparação com a terra do tio Sam, LM faz referência ao pesadelo em que vivem as crianças portuguesas por serem "obrigadas a perder horas infindáveis a entender regras e excepções da acentuação, quando podiam ocupar o tempo a descobrir outras coisas. O prazer da literatura por exemplo." (Mas para descobrirem o prazer da literatura, as crianças não terão primeiro de perceber aquilo que lêem?)
Avançando um pouco mais, percebemos que LM acredita que "tais sinaizinhos" só fazem perder tempo a quem quer entregar um trabalho, ou então desperdiçar dinheiro nos escritórios à conta dos acentos. Isto no país onde em qualquer cartaz afixado, menu de restaurante e até mesmo nas barras de informação dos canais televisivos podemos encontrar erros graves que deturpam a compreensão do texto devido à acentuação (ou falta dela)!
Levando a argumentação para o terreno que melhor conhece, LM atinge o clímax da sua exposição ao lamentar que os acentos "são o suficiente para baralhar qualquer motor de busca que se preze." (Devo acrescentar que utilizei o Google para pesquisar vários termos com acentos e sem acentos e os resultados foram INVARIAVELMENTE os mesmos!) De seguida, são-nos apresentados os problemas que "o pobre do software tem que tentar distinguir pelo contexto se "cágado" se refere ao animalzinho ou não. Para quem não saiba, o software, por muito útil que seja, tende a ter dificuldades destas." E as crianças que não conhecem nenhuma das palavras não terão a mesma dificuldade em distingui-las se não usarem os acentos? Faz-me lembrar o exemplo dado por Miguel Esteves Cardoso aquando da discussão do acordo ortográfico: "Tens cagado em casa?"
Por fim, LM faz uma breve referência à escrita de sms dizendo que nem vale a pena falar disso pois "os mais novos estão a encarregar-se de tratar do problema sozinhos, por muito que isso possa prejudicar as suas notas nas aulas de português." Se querem a minha sincera opinião como professor de português, nas sms faz sentido que se utilize o menor número possível de caracteres mas LM vê isso como uma vitória da tecnologia nem que os efeitos colaterais sejam desempenhos pouco satisfatórios na disciplina de Língua Portuguesa (e já agora nas outras também, pois os alunos são obrigados a exprimir-se na sua língua materna). É que para se subverter as regras temos em primeiro que as dominar.
Mas LM conclui: "Um grande salto tecnológico, que nunca teremos a coragem colectiva de assumir, era acabar de uma vez com a coisa." Admito que este post teria sido escrito mais rapidamente sem acentos e cedilhas mas em vez de um "salto tecnológico" eu teria feito um assalto linguístico que prejudicaria a sua compreensão.
P.S. - "Oh Lourenco, em substituicao da pica nao preferes uma entrada USB?"
Em primeiro lugar começo por referir que o artigo foi escrito há cerca de duas semanas pelo Editor de Novas tecnologias da SIC Lourenço Medeiros (LM). O pobre moço principia o seu desabafo ao afirmar que: "acentos (...) deixam o meu teclado circunspecto". Ora, excluindo a possibilidade de o teclado que ele usa ter personalidade própria, estamos perante uma hipálage. Parece-me óbvio, que quando elaboramos um texto para ser lido tenhamos que ter algum cuidado, mas pelo que li, colocar "tracinhos irritantes" nas palavras frita-lhe os neurónios.
Em segundo, LM confessa-se surpreendido pela facilidade com que qualquer americano toma notas no seu computador sem olhar para o teclado. (É impressão minha ou há para aí uns quantos portugueses que também o fazem sem qualquer esforço?) Continuando a comparação com a terra do tio Sam, LM faz referência ao pesadelo em que vivem as crianças portuguesas por serem "obrigadas a perder horas infindáveis a entender regras e excepções da acentuação, quando podiam ocupar o tempo a descobrir outras coisas. O prazer da literatura por exemplo." (Mas para descobrirem o prazer da literatura, as crianças não terão primeiro de perceber aquilo que lêem?)
Avançando um pouco mais, percebemos que LM acredita que "tais sinaizinhos" só fazem perder tempo a quem quer entregar um trabalho, ou então desperdiçar dinheiro nos escritórios à conta dos acentos. Isto no país onde em qualquer cartaz afixado, menu de restaurante e até mesmo nas barras de informação dos canais televisivos podemos encontrar erros graves que deturpam a compreensão do texto devido à acentuação (ou falta dela)!
Levando a argumentação para o terreno que melhor conhece, LM atinge o clímax da sua exposição ao lamentar que os acentos "são o suficiente para baralhar qualquer motor de busca que se preze." (Devo acrescentar que utilizei o Google para pesquisar vários termos com acentos e sem acentos e os resultados foram INVARIAVELMENTE os mesmos!) De seguida, são-nos apresentados os problemas que "o pobre do software tem que tentar distinguir pelo contexto se "cágado" se refere ao animalzinho ou não. Para quem não saiba, o software, por muito útil que seja, tende a ter dificuldades destas." E as crianças que não conhecem nenhuma das palavras não terão a mesma dificuldade em distingui-las se não usarem os acentos? Faz-me lembrar o exemplo dado por Miguel Esteves Cardoso aquando da discussão do acordo ortográfico: "Tens cagado em casa?"
Por fim, LM faz uma breve referência à escrita de sms dizendo que nem vale a pena falar disso pois "os mais novos estão a encarregar-se de tratar do problema sozinhos, por muito que isso possa prejudicar as suas notas nas aulas de português." Se querem a minha sincera opinião como professor de português, nas sms faz sentido que se utilize o menor número possível de caracteres mas LM vê isso como uma vitória da tecnologia nem que os efeitos colaterais sejam desempenhos pouco satisfatórios na disciplina de Língua Portuguesa (e já agora nas outras também, pois os alunos são obrigados a exprimir-se na sua língua materna). É que para se subverter as regras temos em primeiro que as dominar.
Mas LM conclui: "Um grande salto tecnológico, que nunca teremos a coragem colectiva de assumir, era acabar de uma vez com a coisa." Admito que este post teria sido escrito mais rapidamente sem acentos e cedilhas mas em vez de um "salto tecnológico" eu teria feito um assalto linguístico que prejudicaria a sua compreensão.
P.S. - "Oh Lourenco, em substituicao da pica nao preferes uma entrada USB?"
O'Neill reformulado
ESDIREITA
À direita da maioria de centro-direita a minoria
de direita espia a maioria
da maioria de centro-direita
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa extremista direita
mas a esquerda esquerda nada pode fazer.
Está à espreita
de uma oportunidade, a democrática,
para objectivamente poder
exercer os seus projectos políticos.
Entretanto
extra-parlamentar (muito)
o Poder Popular
vai se reavivar, quando os porcos voarem...
Das cúpulas (da-se) nem vale a pena
falar, que hão-de
sentar...impávidos.
Quanto à maioria da esquerda
ficará-pode ficar- para caçadores de gambozinos.
Em forma de bitaite:
À direita do PS, o PSD espia o PS prontos a criar consenso alargado para esgotar a alternativa política na direita e fazer o PS "apanhar o sabonete" em altura eleitoral. Mas o Bloco, PCP e Verdes nada podem fazer. Estão à espera da legitimação democrática para que os seus projectos-lei em vez de serem chumbados sejam políticas governamentais.
No entanto o povo está "extremamente atento" à actividade parlamentar e política, vai-se mobilizar assim que perceber que já é tarde demais para "não apanhar o sabonete".
Da redoma dos partidos, tudo na mesma, felizes, cumprindo as suas vidas na dualidade de político-aprova-projecto-privado-do-qual-vai-ter-um-bom-tacho-dado-À direita da maioria de centro-direita a minoria
de direita espia a maioria
da maioria de centro-direita
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa extremista direita
mas a esquerda esquerda nada pode fazer.
Está à espreita
de uma oportunidade, a democrática,
para objectivamente poder
exercer os seus projectos políticos.
Entretanto
extra-parlamentar (muito)
o Poder Popular
vai se reavivar, quando os porcos voarem...
Das cúpulas (da-se) nem vale a pena
falar, que hão-de
sentar...impávidos.
Quanto à maioria da esquerda
ficará-pode ficar- para caçadores de gambozinos.
Em forma de bitaite:
À direita do PS, o PSD espia o PS prontos a criar consenso alargado para esgotar a alternativa política na direita e fazer o PS "apanhar o sabonete" em altura eleitoral. Mas o Bloco, PCP e Verdes nada podem fazer. Estão à espera da legitimação democrática para que os seus projectos-lei em vez de serem chumbados sejam políticas governamentais.
No entanto o povo está "extremamente atento" à actividade parlamentar e política, vai-se mobilizar assim que perceber que já é tarde demais para "não apanhar o sabonete".
que-os-seus-estudos-em-astrologia-são-extremamente-úteis-para-
gerir-uma-mutlinacional-de-energia-eléctrica (não é dirigida a ninguém em especial).
Quanto ao povo de esquerda, aqueles que estão no espectro do PCP, Bloco, Verdes, Partido Humanista (....) e socialistas sonhadores do PS, sobre essa maioria da minoria que falem os tolos (eu).
Consumindo
Procuro algo que me afaste da realidade, procuro algo de rápido consumo, quero ser feliz, quero ser inconsequente sem que isso me tome os pensamentos. Quero ver a beleza que os outros não vêm, quero que a morte seja arredada dos meus pensamentos, posso vê-la mas transfigurada, quero ser nada e assim ser mais que os outros. Quero conceber na minha realidade a perfeição irreal, quero ser capaz de pensar que não erro...
...dizem-me para consumir heroína mas prefiro dirigir-me à igreja mais próxima e consumir os dogmas que o padre tem para me dar.
...dizem-me para consumir heroína mas prefiro dirigir-me à igreja mais próxima e consumir os dogmas que o padre tem para me dar.
sexta-feira, maio 05, 2006
Afinal...
...as paredes ainda são mais duras que as cabeças! Ou pelo menos assim parece, pois Dick Cheney afirmou hoje que "se devem usar todos os meios diplomáticos para solucionar o problema iraniano" (É para admirar!) e que "os Estados Unidos estão a trabalhar para encontrar uma solução para o problema que nos permita evitar a confrontação" (este já é mais o Cheney que conhecemos). Depois de vários meses em que pela blogosfera fora se fizeram apostas para ver quem seria o próximo país a ser invadido pelos E.U.A. eis que começam a aparecer os primeiros sinais de cansaço. É que fazer duas guerras ao mesmo tempo sai caro e as grandes companhias devem estar a ficar fartas de investir e não receber grande coisa em troca. Por isso, até o Afeganistão e o Iraque estarem completamente "americanizados" talvez possamos respirar um pouco mais desafogadamente... Mas não desesperem! se as vias diplomáticas falharem lá terão eles que arranjar mais uns biliões para invadir o Irão!
Dedicado a si, caríssimo João
Visto que ficaste um bocado tristinho de não te ter dedicado em exclusivo um poema, venho por este meio redimir-me e dedicar-te um poema de Alexandre O'Neill, incluido no recém-editado volume que reúne alguns poemas dispersos do poeta, escritos durante a década de 70.
Portanto, dedico-te este poema, João Dias, com o carinho e estima que mereces (sua estrelita encarnada!), apesar de me teres feito saber que não jogas "na equipa adversária"...
ESQUERDIREITA
À esquerda da minoria da direita a maioria
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliadada
da extrema-esquerda.
Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivar, se…
Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!
Quanto à maioria da esquerda
ficará – se ficar – para outro poema.
Alexandre O'Neill
Portanto, dedico-te este poema, João Dias, com o carinho e estima que mereces (sua estrelita encarnada!), apesar de me teres feito saber que não jogas "na equipa adversária"...
ESQUERDIREITA
À esquerda da minoria da direita a maioria
do centro espia a minoria
da maioria de esquerda
pronta a somar-se a ela
para a minimizar
numa centrista maioria
mas a esquerda esquerda não deixa.
Está à espreita
de uma direita, a extrema,
que objectivamente é aliadada
da extrema-esquerda.
Entretanto
extra-parlamentar (quase)
o Poder Popular
vai-se reactivar, se…
Das cúpulas (pfff!) nem vale a pena
falar, que hão-de
pular!
Quanto à maioria da esquerda
ficará – se ficar – para outro poema.
Alexandre O'Neill
quinta-feira, maio 04, 2006
Pois, mas agora estou no poleiro
Depois de me ter admirado com as severas críticas de Diogo Freitas do Amaral à administração norte americana eis que o mesmo tem revelado agora no poleiro a sua identidade mais real, a identidade PP. O MNE estrangeiros sofre de uma certa bipolaridade, coitado, existe um Freitas crítico e defensor dos direitos humanos e existe o Freitas MNE.
Assumindo uma posição meramente seguidista, estamos perante um "espera a ver qual é a decisão do manda chuva que nós vamos atrás", assim sendo a ofensiva norte americana tem sempre seguidores porque vamos ter sempre políticos pequenos. É no entanto interessante verificar que perante esta situação o MNE adopte uma posição semelhante de estupidificação da questão, na altura da intervenção no Iraque Durão dizia que prefiria estar do lado dos americanos do que lado dos iraquianos, agora Freitas diz que "PS prefere ser 'sósia' de Bush a 'sócio' do Irão". Só pela maneira estupidificante como é posta a questão dá para ver o calibre da personagem, mas é natural porque normalmente Freitas parece mais inteligente quando critica a direita, mas à esquerda não vai lá só com bitaites...
Deixo no entanto aqui o parte bitaite de Ana Drago na Assembleia:
"O argumentário da nova cruzada em preparação é, tal como no passado, simples e de senso comum: Não podemos permitir que um país marcado pela institucionalização de um regime autoritário, desrespeitador dos direitos humanos e descrente da democracia venha a dispor de armamento nuclear.
É um argumento válido, e merece a nossa reflexão.
Mas tropeça nas evidências do mundo: infelizmente, neste domínio, o Irão não está sozinho. Pelo contrário.
Coreia do Norte, China, Paquistão – todos estes países estão um passo à frente – já têm armamento nuclear: E não são, concordaremos certamente, merecedores da designação de democracias.
Ora, é a estranheza de ver George W. Bush receber na Casa Branca o General Pervez Musharraf, ditador do Paquistão, ao mesmo tempo que arruma o Irão no já famoso eixo do mal – é esta estranheza, a estranheza da duplicidade da administração americana que deve guiar a nossa reflexão sobre a escala belicista em torno do Irão.
E são várias as inquietações, as estranhezas deste debate:
A primeira inquietação é perceber o Tratado Não-Proliferação de Armas Nucleares prevê, permite, e quase incentiva os Estados sem armamento nuclear a desenvolver programas nucleares civis.
Diz o Tratado, no seu artigo 4º: “Nada neste Tratado deve ser interpretado como afectando o direito inalienável de todos os seus subscritores a desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear para fins pacíficos”.
Daqui se conclui que o Tratado prevê, e autoriza a pôr em prática o processo de enriquecimento de urânio, nos exactos termos que têm sido apontados ao Irão.
Ao ignorar as próprias regras do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o Conselho de Segurança das Nações Unidas – ironicamente constituído exclusivamente por potências nucleares – fere de morte um instrumento já de si tão debilitado, pela sua não subscrição por potências atómicas como Israel, a Índia e o Paquistão.
A segunda inquietação surge-nos quando de vermos repetida a lógica kafkiana das inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica. Se o que se sabe não serve de prova, exige-se a prova do que não se sabe. O Irão deve provar que não tem um programa militar atómico oculto.
O direito internacional não pode ser uma charada absurda, de inversão do ónus da prova. E depois de três anos de fiscalizações intensivas, é a própria AIEA quem assegura que não há no Irão recursos ou materiais nucleares declarados que tenham sido usados no desenvolvimento de um programa de armamento nuclear.
Ora, uma vez que não há prova tangível, a acusação trabalha no domínio das intenções. Aqui está o argumento contra o Irão: a intenção de num futuro próximo, usando os exactos processos que o Tratado permite, o Irão venha a fazer o que o Tratado proíbe.
A terceira inquietação é aquela que nos faz perguntar até que ponto as ameaças explícitas da Administração norte-americana nos últimos três anos ao regime iraniano acicataram o apetite do Irão por armamento nuclear.
Inscrito no Eixo do Mal por George W. Bush em 2003, o Irão pode ter chegado à conclusão, a que muitos outros já chegaram, que a bomba nuclear é hoje a melhor garantia, a melhor protecção contra os apetites imperiais da administração fundamentalista que lidera os EUA. "
Assumindo uma posição meramente seguidista, estamos perante um "espera a ver qual é a decisão do manda chuva que nós vamos atrás", assim sendo a ofensiva norte americana tem sempre seguidores porque vamos ter sempre políticos pequenos. É no entanto interessante verificar que perante esta situação o MNE adopte uma posição semelhante de estupidificação da questão, na altura da intervenção no Iraque Durão dizia que prefiria estar do lado dos americanos do que lado dos iraquianos, agora Freitas diz que "PS prefere ser 'sósia' de Bush a 'sócio' do Irão". Só pela maneira estupidificante como é posta a questão dá para ver o calibre da personagem, mas é natural porque normalmente Freitas parece mais inteligente quando critica a direita, mas à esquerda não vai lá só com bitaites...
Deixo no entanto aqui o parte bitaite de Ana Drago na Assembleia:
"O argumentário da nova cruzada em preparação é, tal como no passado, simples e de senso comum: Não podemos permitir que um país marcado pela institucionalização de um regime autoritário, desrespeitador dos direitos humanos e descrente da democracia venha a dispor de armamento nuclear.
É um argumento válido, e merece a nossa reflexão.
Mas tropeça nas evidências do mundo: infelizmente, neste domínio, o Irão não está sozinho. Pelo contrário.
Coreia do Norte, China, Paquistão – todos estes países estão um passo à frente – já têm armamento nuclear: E não são, concordaremos certamente, merecedores da designação de democracias.
Ora, é a estranheza de ver George W. Bush receber na Casa Branca o General Pervez Musharraf, ditador do Paquistão, ao mesmo tempo que arruma o Irão no já famoso eixo do mal – é esta estranheza, a estranheza da duplicidade da administração americana que deve guiar a nossa reflexão sobre a escala belicista em torno do Irão.
E são várias as inquietações, as estranhezas deste debate:
A primeira inquietação é perceber o Tratado Não-Proliferação de Armas Nucleares prevê, permite, e quase incentiva os Estados sem armamento nuclear a desenvolver programas nucleares civis.
Diz o Tratado, no seu artigo 4º: “Nada neste Tratado deve ser interpretado como afectando o direito inalienável de todos os seus subscritores a desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear para fins pacíficos”.
Daqui se conclui que o Tratado prevê, e autoriza a pôr em prática o processo de enriquecimento de urânio, nos exactos termos que têm sido apontados ao Irão.
Ao ignorar as próprias regras do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o Conselho de Segurança das Nações Unidas – ironicamente constituído exclusivamente por potências nucleares – fere de morte um instrumento já de si tão debilitado, pela sua não subscrição por potências atómicas como Israel, a Índia e o Paquistão.
A segunda inquietação surge-nos quando de vermos repetida a lógica kafkiana das inspecções da Agência Internacional de Energia Atómica. Se o que se sabe não serve de prova, exige-se a prova do que não se sabe. O Irão deve provar que não tem um programa militar atómico oculto.
O direito internacional não pode ser uma charada absurda, de inversão do ónus da prova. E depois de três anos de fiscalizações intensivas, é a própria AIEA quem assegura que não há no Irão recursos ou materiais nucleares declarados que tenham sido usados no desenvolvimento de um programa de armamento nuclear.
Ora, uma vez que não há prova tangível, a acusação trabalha no domínio das intenções. Aqui está o argumento contra o Irão: a intenção de num futuro próximo, usando os exactos processos que o Tratado permite, o Irão venha a fazer o que o Tratado proíbe.
A terceira inquietação é aquela que nos faz perguntar até que ponto as ameaças explícitas da Administração norte-americana nos últimos três anos ao regime iraniano acicataram o apetite do Irão por armamento nuclear.
Inscrito no Eixo do Mal por George W. Bush em 2003, o Irão pode ter chegado à conclusão, a que muitos outros já chegaram, que a bomba nuclear é hoje a melhor garantia, a melhor protecção contra os apetites imperiais da administração fundamentalista que lidera os EUA. "
quarta-feira, maio 03, 2006
Cangalheiro de serviço
É com muita pena que no mesmo dia assinalo o falecimento de dois blogues, o blogue do Dito Cujo e do Golfinho.
Com discursos semelhantes atiram-se na vertigem da morte cibernaútica com um epitáfio que convida ao suicídio colectivo. No entanto compreendo que não tenham mais vontade de escrever e nem que eu não compreendesse não tenho voto na matéria, também eu hei-de me cansar disto. Morrem dois blogues e uma aveirense de 42 anos como referencia o Dito Cujo, simbólico...

Com discursos semelhantes atiram-se na vertigem da morte cibernaútica com um epitáfio que convida ao suicídio colectivo. No entanto compreendo que não tenham mais vontade de escrever e nem que eu não compreendesse não tenho voto na matéria, também eu hei-de me cansar disto. Morrem dois blogues e uma aveirense de 42 anos como referencia o Dito Cujo, simbólico...

terça-feira, maio 02, 2006
Chegada acolhedora
Bem, antes de mais queria agradecer as boas vindas por parte dos senhores blogueiros (menos ao meu irmão - sim, porque tu para mim não és patrão!). Obrigada Golfinho, Pedro Corga, Pedro Silva e Roteia.
Gostaria de começar por dizer que não vou acrescentar nada de positivo ao blogue, muito pelo contrário. Se ele já estava "à beira do abismo agora vai dar um passo em frente!" (Isto não é falsa modéstia, mas sim a pura verdade!), sobretudo pelo facto de, ao contrário do que escrevi no meu profile, não ser muito inteligente...
... sou brilhante! (hoje em dia fica bem ser arrogante: se não vejamos os exemplos do Sir Mourinho e da Dra. Filomena Mónica). Claro, podem sempre me dizer: "Mas eles têm motivos e tu não!" A verdade é que o estilo está lá e eu não gosto!
Realçado este aspecto, cumpre-me dizer que o néscio do João Dias confunde "pragmatismos" com "ideologias" ao afirmar que eu sou uma socratista encornada. Em primeiro lugar já devo estar a sofrer pelo facto de ser mulher, pois parece-me que nunca foi feita uma referência tão directa ao acto pessoal e secreto de votar (há que relevar o facto do autor deste blogue ser de E. Mecânica e o seu reportório lexical não ser propriamente muito rico, daí o desconhecimento do significado destes dois adjectivos). Eu perdoo-te, João!
Em relação ao insulto (acima referido), devo dizer que ainda que não deva explicações, apetece-me esclarecer aqueles que merecem o meu respeito (tu não, João! Já te conheço há muito tempo para nutrir tal sentimento por ti). Não se pode chamar socratista a uma pessoa que, observando um panorama político pouco feliz, decide (apesar do seu candidato ideológico - e até sentimental, porque não? - ser outro) votar de forma útil (que pelos vistos não foi assim tanto).
Enfim, quanto ao "encornada" aceito e aprendi a lição.
Abraços.
P.S.- Trabalhar em família é lixado! ;)
Gostaria de começar por dizer que não vou acrescentar nada de positivo ao blogue, muito pelo contrário. Se ele já estava "à beira do abismo agora vai dar um passo em frente!" (Isto não é falsa modéstia, mas sim a pura verdade!), sobretudo pelo facto de, ao contrário do que escrevi no meu profile, não ser muito inteligente...
... sou brilhante! (hoje em dia fica bem ser arrogante: se não vejamos os exemplos do Sir Mourinho e da Dra. Filomena Mónica). Claro, podem sempre me dizer: "Mas eles têm motivos e tu não!" A verdade é que o estilo está lá e eu não gosto!
Realçado este aspecto, cumpre-me dizer que o néscio do João Dias confunde "pragmatismos" com "ideologias" ao afirmar que eu sou uma socratista encornada. Em primeiro lugar já devo estar a sofrer pelo facto de ser mulher, pois parece-me que nunca foi feita uma referência tão directa ao acto pessoal e secreto de votar (há que relevar o facto do autor deste blogue ser de E. Mecânica e o seu reportório lexical não ser propriamente muito rico, daí o desconhecimento do significado destes dois adjectivos). Eu perdoo-te, João!
Em relação ao insulto (acima referido), devo dizer que ainda que não deva explicações, apetece-me esclarecer aqueles que merecem o meu respeito (tu não, João! Já te conheço há muito tempo para nutrir tal sentimento por ti). Não se pode chamar socratista a uma pessoa que, observando um panorama político pouco feliz, decide (apesar do seu candidato ideológico - e até sentimental, porque não? - ser outro) votar de forma útil (que pelos vistos não foi assim tanto).
Enfim, quanto ao "encornada" aceito e aprendi a lição.
Abraços.
P.S.- Trabalhar em família é lixado! ;)
segunda-feira, maio 01, 2006
25% de "paridade"
Perante a aprovação da lei da paridade vi-me obrigado a incluir um membro com nome suspeito, a suspeição do nome provem do facto de se tratar da minha irmã.
Sinceramente não sei que tipo de perfil vai ser adoptado pela mesma, mas se os genes tiverem peso é com certeza uma bitaiteira demagógica q.b. e a julgar pela minha experiência pessoal também será extremamente chata.
Além disso deve ter imenso para nos contar visto que é uma professora desempregada, é bem feito sua Socratista encornada...há quem não veja um boi à frente dos olhos.
Mas deixemo-nos de paneleirices, agora cabe à mesma apresentar-se e fica aqui uma foto da minorca.
P.S. Não gostas da foto porque estás com cara de parva? Não fizesses cara de parva...
domingo, abril 30, 2006
Comentário vira post

Na sequência deste do post A gestão privada é outra coisa do Pedro Silva do blogue Armadilhasparaursosconformistas fiz o seguinte comentário, ao qual o mesmo Pedro Silva desafiou a publicar em forma de post (vai com erros e tudo):
Bem, falto eu, a 6ª pessoa a ler o blogue.
Eu acho no mínimo hipócrita, relembre-se o discurso neoliberal de que é preciso correr riscos e veja-se os riscos que correm os gestores obsoletos de Portugal, é muito mais arriscado ser um trabalhador assalariado do que ser dono e gestor de uma empresa. Só tugas muito distraídos é que confundem capacidade de pôr dinheiro ao bolso com dinamismo e capacidade de gestão. Mas eu sou o Satanás a criticar estes exemplares tugas, estes Mourinhos da nossa sociedade, eu tenho é inveja...
Assim sendo temos gestores a auferir salários de qualidade e sem sentirem a instabilidade das suas políticas de gestão erróneas, nas quais se inclui o documentado exemplo da aventura com a Eureko. Além disso vemos que estes neoliberais nem sequer respeitam a sua ideologia mãe, o liberalismo, que por definição defende a liberdade e competitividade sendo que tal é incompatível com monopólios. Ora as OPAs nada mais são do que a tentativa de criar monopólios, além disso sabemos perfeitamente quem vai pagar o investimento, vai pessoal para a rua, decresce a qualidade do serviço mas ficamos com um mercado
monárquico regido pelos nossos exemplares gestores que têm um gozo imenso pelo risco...
Quanto ao Mexia e o seu camarada nada a dizer, amigos são para as ocasiões
Um país em que os maiores lucros estão no sector bancário que não produz mais valia nenhuma a não ser prestar serviços, acho que diz bem das potencialidade sque a nossa economia tem para vir a ser competitiva. É uma herança seremos sempre os comerciantes espertalhões, os tipos do desenrasca, mas tecnologia, emprego, inovação...isso fica para os burros dos nórdicos...coitados.
Imagino se o dinheiro estivesse todo concentrado nos serviços públicos, ia se assistir a um discurso por parte dos neoliberais que encaixaria na perfeição para os bancos privados...
P.S. Acabo de saber que morreu a "mãe" destes beneméritos, JK Galbraith, os meus sinceros pêsames e que juntamemente com o homem morra alguma parte do seu legado e fique outra.
sábado, abril 29, 2006
Descubra você mesmo...
quinta-feira, abril 27, 2006
Cansaço
Ao Pedro o desassossego dá-lhe sono.
A mim consome-me o cansaço.
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
A mim consome-me o cansaço.
O que há em mim é sobretudo cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
O legado de Bagão Félix
No debate ocorrido esta tarde na assembleia reparo que a direita não consegue fazer oposição, o que é naturalíssimo dada a dificuldade de se opor as suas próprias políticas.
Sobre a questão em concreto da Segurança Social, nada mais previsível, um país que criou todo um sistema que salvaguarda os direitos de quem é abastado e joga as crises com os salários e pensões de quem menos tem...só podia dar nisto. E até podia estar eu a regozijar-me porque agora iríamos mudar de rumo, mas não. A reforma da segurança social está a ser feita numa base do tipo "ou continuas a trabalhar para ter a reforma que tinhas direito pelo trabalho que já realizaste ou então...chucha no dedo."
Assim sendo não estão a ser criadas novas fontes de financiamento, está se simplesmente a obrigar quem não teve culpa no cartório a pagar a insustentabilidade da segurança social. Ora quem não teve culpa no cartório foram os que descontaram para a segurança social e não fugiram aos impostos, nessa categoria estão os tão idolatrados funcionários públicos que recebem os seus ordenados já descontados.
Então mais uma vez toma lugar nesta discussão a questão público vs privado, que não é questão meramente ideológica (embora divida claramente os aspectos ideológicos) é uma questão concreta de formas de gestão completamente diferentes. Assim sendo atente-se nas mordomias de quem quer começar um empreendimento, sabendo que quer comceçar um empreendimento não é necessariamente pobre.
Por exemplo para uma sociedade por quotas:
"Responsabilidade
Neste tipo de sociedade a responsabilidade dos sócios encontra-se limitada ao capital social, excepto quando o capital não se encontra integralmente realizado, caso em que os sócios são solidariamente responsáveis por todas as entradas convencionadas no contrato social. Os sócios apenas são obrigados a outras prestações quando a lei ou o contrato assim o estabeleçam. Apenas o património da sociedade responde perante os credores pelas dívidas da sociedade."
As empresas são taxadas através dos rendimentos que auferem os empregados, agora vejamos algumas das consequências disso mesmo:
- As empresas que menos empregam (leia-se menos riqueza criam para a sociedade) são as menos taxadas
-Este processo fomenta os baixos ordenados, os despedimentos e privilegiam as grandes empresas que se caracterizam por mais tecnologia menos mão-de-obra.
-Cria factor de desiquilíbrio no mercado (grandes empresas pouca taxação vs pequenas empresas mais taxação)
Assim sendo temos o sector privado responsável pela fuga ao fisco e evasão fiscal, responsável pelos grande número de desemprego, pela exploração do proletariado e grande contribuinte para a desigualdade social a passar pela crise com pés de lã. Aliás a crise têm servido principalmente para gerar maiores factores de concentração.
O caso particular dos bancos, entidades que não produzem mais valia nenhuma, prestam sim serviços como empréstimos, leasings, créditos habitação que são precisamente os serviços mais beneficiam com a crise. Assim sendo a crise agrava a crise porque beneficia entidades que não produzem mais valia para a sociedade (a não ser que os lucros devidamente fossem taxados), então mas afinal a actividade económica existe para gerar bens de consumo e prestar serviços à comunidade ou para satisfazer os caprichos duma minoria à custa de uma maioria?
"Navegar" é preciso!
Portugal precisa de mais exemplos como ESTE! É a prova de que a Internet pode ser utilizada para discutir tudo! Desde já deixo aqui as minhas homenagens ao professor de EMR que teve a ideia de pôr os alunos a debater educação sexual em rede! Palmas senhores palmas!P.S. - só falta mesmo é implementar este tipo de aulas OBRIGATÓRIAS em todos os níveis de ensino! E agora Sócrates? Por que esperas?
quarta-feira, abril 26, 2006
As Leis são para cumprir!
Ou será que não? Antes de obter uma resposta definitiva é preciso lembrar que estamos em Portugal, o mesmo país onde os processos na justiça são morosos q.b., onde as filas de espera nos hospitais nunca mais acabam e onde à entrada de Lisboa ainda existem placas a localizar a Expo 98... Enfim, a estes (maus) exemplos vem-se juntar mais um. Desta vez é a obrigação de colocar painéis electrónicos nas auto-estradas e SCUTs a comparar os preços praticados pelas estações de serviço que está a falhar. De quem é a culpa? Do governo pois claro! Apenas porque a legislação já entrou em vigor (desde 1 de Janeiro deste ano) mas ainda não se decidiu quem paga os referidos painéis. Mesmo não percebendo muito do assunto apetece-me perguntar: será assim tão descabido de sentido utilizar, para esse efeito, os painéis que se encontram espalhados pelas auto-estradas e SCUTs nacionais? São os painéis em que já se afixam as horas e se são electrónicos, não deve ser assim tão difícil inserir os preços da gasolina! Será que eu estou a divagar ou andam a arranjar mais uma maneira de "lixar" o consumidor?
terça-feira, abril 25, 2006
Dia dos democratas

No dia em que se celebra o nascer de uma civilização moderna, é o dia dos democratas festejarem e os demais saudosos rangerem os dentes (ou placas).
A revolução levada a cabo no dia 25 de Abril de 1974 trouxe a modernidade a Portugal, obrigou-nos a pensar a política e trouxe também a responsabilidade de gerir o destino do país sem nos podermos refugiar nas desculpas de entidades super poderosas.
Antes do 25 de Abril:
Uma sociedade gerida pela ignorância e para a ignorância, a propaganda de ideais simples de modo a criar uma identidade, simplesmente para aparentar que o povo tinha algum sentido e influência no processo. Valores rebuscados, dogmatismo e maus tempos para se pensar em "ous" e "ses".Deus, pátria e família, três palavras que escondiam o vazio de um regime totalitário despido de ideias políticas e cheio de intenções moralistas. Controlo da informação, P.I.D.E., dissidência punível e censura q.b. misturada com "água benta". Estado Novo que cheira a velho, bafio intenso de moralismo católico e inaptidão para compreender a diferença.
25 de Abril:
A revolução dos cravos, militares que perceberam que não estavam a cumprir a autoridade mas a cumprir os caprichos do autoritarismo. Insatisfação generalizada, mortes pela manutenção das colónias, prisões por "delito de opinião"... Até o povo mais sonolento acorda ...Revolução pacífica, muito mais fica por fazer...
Pós 25 de Abril:
Depois das naturais confusões da transição de um regime fascista para um regime democrático, depois do 25 de Novembro sobra-nos uma democracia. Ainda hoje assistimos a uma discussão estéril sobre o 25 de Abril, o que trouxe a revolução? como é possível que depois da revolução ainda tenhamos este grau de insatisfação? Ora a discussão é estéril porque discute-se o que 25 de Abril trouxe para a actualidade, a revolução abriu caminho para sermos responsáveis pelo destino e políticas de gestão do nosso país, ao pormos a questão dessa maneira não estamos a perceber as consequências da revolução e as exigências de uma democracia. Todo o processo seguinte à revolução deve ser discutido à luz das decisões tomadas em democracia, a possibilidade da gestão democrática foi nos concedida pela revolução e era esse o papel vital da mesma.Na actualidade ainda se divide opiniões por saudosos do antigo regime que não compreendem a descolonização e democratas que percebem que a democracia chegou a Portugal e que teria também de chegar às colónias, o que implicava que estas deixassem de ser colónias.
"O 25 de Abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, embora as divisões estejam limitadas aos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, às facções políticas dos extremos do espectro político e às pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais. Em geral, os jovens não se dividem sobre o 25 de Abril. Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de Abril. Quase todos, com muito poucas excepções, consideram que o 25 de Abril valeu a pena. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo. As pessoas mais à direita lamentam a forma como a descolonização foi feita e lamentam as nacionalizações."
Murais da história...
LI VERDADELi verdade
nas canções
nos murais
nos corações
no sofrimento
Liverdade.
O que (ainda) faz falta:
Zeca Afonso - O que faz falta
sexta-feira, abril 21, 2006
Não é parvo de todo
António Vitorino, o político com menos sentido de oportunidade (a meu ver claro está) escreve este artigo bastante interessante. Sempre com aquele toque de bom representante do bloco central, questionando, pondo em causa algo sem no entanto se comprometer muito pois para ganhar eleições é preciso ser sereia (nem carne, nem peixe e com uma voz de encantar tolos).
Este questiona o facto de se considerar os valores da Europa demarcadamente de matriz cristã.
É natural que ele questione esta visão estupidificante e tendencialmente xenófoba da Europa com a meiguice de quem tem algo a perder.
Contemplando sobre as palavras de Ratzinger é possível encontrar contradições, uma delas reside na colagem simbiótica que o mesmo faz entre o iluminismo e o cristianismo, transmitindo uma complementaridade e suavidade onde houve choque e atrito. Ratzinger não conteve, mais uma vez, a sua angústia por haver quem relativize e assim escape às garras do conformismo da consensualidade ou das verdades reveladas, assim sendo faz mais uma revelação para o seu numeroso rebanho: a negação da Europa reside no relativismo.
Vitorino consegue muito bem focar os desafios da Igreja para estes tempos que se avizinham:
"Este é o verdadeiro dilema da Igreja de Bento XVI: encontrar, do ponto de vista doutrinário e pastoral, o ponto de equilíbrio entre a tolerância perante as demais religiões (o diálogo ecuménico no próprio espaço europeu) e ao mesmo tempo combater a "a-religiosidade" e o relativismo de valores nas sociedades europeus, uma tarefa a que o predecessor do actual Papa chamou "a reevangelização da Europa"."
Constata também alguma indignação pelo facto do Tratado Constitucional da União Europeia fazer um singela referência à "herança religiosa". Em programa televisivo não identificado, D. Saraiva Martins insurge-se dizendo que "factos são factos, outra coisa é a sua interpretação". António Vitorino contrapõe dizendo que ainda existe a dualidade se de facto não se trataria dum herança judaico-cristã e que para admitir a influência cristã seria também necessário englobar outras influências minoritárias de correntes religiosas.
Eu simplesmente digo que se factos são factos devíamos consagrar todos os movimentos culturais, intelectuais e afins que se congregaram na Europa e que isso tinha duas implicações aborrecidas: consagrar o relativismo como uma corrente que influenciou a construção da Europa e documentar a Inquisição como uma das fases fundamentais da construção da Europa (fundamental não quer dizer que tenha de ser positivo)
Este questiona o facto de se considerar os valores da Europa demarcadamente de matriz cristã.
É natural que ele questione esta visão estupidificante e tendencialmente xenófoba da Europa com a meiguice de quem tem algo a perder.
Contemplando sobre as palavras de Ratzinger é possível encontrar contradições, uma delas reside na colagem simbiótica que o mesmo faz entre o iluminismo e o cristianismo, transmitindo uma complementaridade e suavidade onde houve choque e atrito. Ratzinger não conteve, mais uma vez, a sua angústia por haver quem relativize e assim escape às garras do conformismo da consensualidade ou das verdades reveladas, assim sendo faz mais uma revelação para o seu numeroso rebanho: a negação da Europa reside no relativismo.
Vitorino consegue muito bem focar os desafios da Igreja para estes tempos que se avizinham:
"Este é o verdadeiro dilema da Igreja de Bento XVI: encontrar, do ponto de vista doutrinário e pastoral, o ponto de equilíbrio entre a tolerância perante as demais religiões (o diálogo ecuménico no próprio espaço europeu) e ao mesmo tempo combater a "a-religiosidade" e o relativismo de valores nas sociedades europeus, uma tarefa a que o predecessor do actual Papa chamou "a reevangelização da Europa"."
Constata também alguma indignação pelo facto do Tratado Constitucional da União Europeia fazer um singela referência à "herança religiosa". Em programa televisivo não identificado, D. Saraiva Martins insurge-se dizendo que "factos são factos, outra coisa é a sua interpretação". António Vitorino contrapõe dizendo que ainda existe a dualidade se de facto não se trataria dum herança judaico-cristã e que para admitir a influência cristã seria também necessário englobar outras influências minoritárias de correntes religiosas.
Eu simplesmente digo que se factos são factos devíamos consagrar todos os movimentos culturais, intelectuais e afins que se congregaram na Europa e que isso tinha duas implicações aborrecidas: consagrar o relativismo como uma corrente que influenciou a construção da Europa e documentar a Inquisição como uma das fases fundamentais da construção da Europa (fundamental não quer dizer que tenha de ser positivo)
Choque tecnológico

Parece que houve um verdadeiro choque tecnológico no parlamento, isto porque as votações electrónicas correram à boa moda portuguesa e então surgiu a necessidade de verificar as assinaturas e averiguar as presenças. Mas claro, estava aqui uma bela oportunidade para o regabofe, assim sendo normalmente o CDS ganha protagonismo, não deixa de ser interessante que um partido que pretende um Estado invisível e que tem a bondade de exportar património do Estado para os privados tenha protestado contra o fecho de maternidades. Vindo de quem vem, este voto de protesto vale "nickles", era o mesmo que Saddam fazer greve da fome em protesto pela falta de democracia...não cola, pois não?
Apesar da rambóia fico satisfeito pela lei da Paridade ter sido aprovada, à semelhança da votação esta questão da igualdade de oportunidades só vai lá ao trambolhão, mas há-de ir...ao sítio.
quarta-feira, abril 19, 2006
Desabafo musical
Com Bush a tentar legitimar a invasão do Irão, com Mahmud Ahmadinejad a garantir que vai "cortar a mão aos agressores", com o petróleo a atingir novos máximos, com o desemprego a aumentar nos licenciados, com a extrema-direita em Inglaterra a poder conquistar um quarto dos votos só me apetece dizer:
"I'm a living sunset
Lightning in my bones
Push me to the edge
But my will is stone
Fools will be fools
And wise will be wise
But i will look this world
Straight in the eyes
What good is a man
Who won't take a stand
What good is a cynic
With no better plan
Reality is sharp
It cuts at me like a knife
Everyone i know
Is in the fight of their life
Take your face out of your hands
And clear your eyes
You have a right to your dreams
And don't be denied
I believe in a better way"
Better Way - Ben Harper - Both Sides of the gun
"I'm a living sunset
Lightning in my bones
Push me to the edge
But my will is stone
Fools will be fools

And wise will be wise
But i will look this world
Straight in the eyes
What good is a man
Who won't take a stand
What good is a cynic
With no better plan
Reality is sharp
It cuts at me like a knife
Everyone i know
Is in the fight of their life
Take your face out of your hands
And clear your eyes
You have a right to your dreams
And don't be denied
I believe in a better way"
Better Way - Ben Harper - Both Sides of the gun
Desafio aceite
O amigo Golfinho desafiou-me a mim e outros bitaiteiros a divulgarem uma instituição de solidariedade.
Assim sendo e no seguimento da paranóia do nuclear escolhi a seguinte:

LINK
O desafio segue para:
Pedro Morgado
Rui-son
Heliocoptero
Assim sendo e no seguimento da paranóia do nuclear escolhi a seguinte:

LINK
O desafio segue para:
Pedro Morgado
Rui-son
Heliocoptero
Incorruptíveis
Todos sabemos que a batalha no Iraque é pela democracia e está a ir bem, visto que no Iraque já se praticam alguns dos bons costumes das democracias ocidentais.
terça-feira, abril 18, 2006
sábado, abril 15, 2006
Aprender a caminhar?
Os surrealistas, em 1949, afirmaram:
"Quem caminha aprende que toda a caminhada expõe a cair, mas, para nós, a queda vale mais do que a segurança de estar parado."
Eu subscrevo e repito, articulando bem cada palavra, tomando-as como um ensinamento que esqueci...
"Quem caminha aprende que toda a caminhada expõe a cair, mas, para nós, a queda vale mais do que a segurança de estar parado."
Eu subscrevo e repito, articulando bem cada palavra, tomando-as como um ensinamento que esqueci...
sexta-feira, abril 14, 2006
Mais um pouco de surrealismo...
PARA BEM ESCLARECER AS GENTES
QUE CONTINUARAM À ESPERA,
OS SIGNATÁRIOS VÊM INFORMAR QUE:
no transcurso das experiências efectuadas (dez) regressaram das suas casas em S. Paulo Londres Áfricas e Edimburgo.
acharam as experiências boas (os netos estão chegando).
já viram por aí alguns amigos que inexplicàvelmente se transformaram em patas.
leram uma revista portuguesa que diz que o surrealismo é imortal. Telefonaram imediatamente.
viram com apreensão que o prémio Nobel tenha ido parar outra vez ao estrangeiro e decidem dedicar-se exclusivamente à pintura, com vistas ao Soquil, ao Mobil da Arte, ao Pancho e ao Zuquete, prémios muito mais fáceis de obturar. Um dos signatários já tem um saco de lona, o outro é de borracha com apito e ainda há um com atilhos de sola galega.
saúdam com aprumo o Doutor José Augusto França pela sua nomeação para a Vice-Presidência da Associação Internacional de Críticos de Arte, cargo que foi receber à Bolívia. Os Doutores José Augusto Espanha, José Augusto Itália e José Augusto Irlanda do Norte já têm menos que esperar.
dezanove anos depois continuam a ter por aí um peixe frito e que mantendo, como é seu hábito
vão organizar com severidade os serviços de corta-mato e de corta-gato que cada vez mais necessários se tornam à organização e honradez do Movimento Marítimo - entradas e saídas de barcos a pavor.
Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Mário Henrique Leiria
in Mário Cesariny, Antologia do Cadáver Esquisito (1961)
segunda-feira, abril 10, 2006
A Europa e o sentido de oportunidade
Bela a altura que a Europa escolheu para suspender a ajuda ao governo palestiniano, isto porque recentemente o terrorismo tem vindo dos lados israelitas. Pois é já me esquecia, não existe terrorismo de Estado, existem sim forças legitimadas democraticamente para fazer atrocidades em nome da democracia, assim sim está melhor. Após os ataques na Faixa de Gaza e na Cisjordânia a Europa decidiu de forma "sensatíssima" pedir aos palestinianos que reconheçam o Estado que lhes tem morto e explorado até ao tutano. Acho muito bem, já viram o que era vir agora exigir aos israelitas que cumprissem as fronteiras e que não atacassem de forma cruel e arbitrária? Isso era de uma falta de sensatez atroz.
Mais grave ainda:
"chegaram a acordo para que não exista qualquer contacto a nível político (com o Hamas). Os contactos serão mantidos, se necessário, a níveis inferiores, apenas em questões práticas».
O seu homólogo holandês, Ben Bot, acrescentou que a UE procurará formas alternativas de fornecer dinheiro a projectos humanitários. Ou seja, «não haverá ajuda para as organizações do Governo Hamas, mas manteremos a ajuda humanitária», indicou Bot, acrescentando que a UE"
A Europa demonstrou de forma inequívoca que a democracia é para eles apenas uma fantochada, qualquer regime que mantenha inalterados os interesses estratégicos e económicos é aceitável. Estamos a boicotar a viabilidade política ao Hamas, estamos a exercer terrorismo político. Recusam ajuda ao partido político Hamas mas continuam com a ajuda humanitária, é preciso ser hipócrita, precisamente quando se sabe que o Hamas ganhou eleições em contraste com a corrupção da Fatah e pela ajuda humanitária que exercia.
P.S. É triste ver como nós "democratas" Ocidentais somos os primeiros a boicotar os mecanismos democráticos e como um Hamas recém convertido do terrorismo para a diplomacia já dá lições na matéria a uma Europa vazia de democracia e cheia de "nadas" materiais.
Mais grave ainda:
"chegaram a acordo para que não exista qualquer contacto a nível político (com o Hamas). Os contactos serão mantidos, se necessário, a níveis inferiores, apenas em questões práticas».
O seu homólogo holandês, Ben Bot, acrescentou que a UE procurará formas alternativas de fornecer dinheiro a projectos humanitários. Ou seja, «não haverá ajuda para as organizações do Governo Hamas, mas manteremos a ajuda humanitária», indicou Bot, acrescentando que a UE"
A Europa demonstrou de forma inequívoca que a democracia é para eles apenas uma fantochada, qualquer regime que mantenha inalterados os interesses estratégicos e económicos é aceitável. Estamos a boicotar a viabilidade política ao Hamas, estamos a exercer terrorismo político. Recusam ajuda ao partido político Hamas mas continuam com a ajuda humanitária, é preciso ser hipócrita, precisamente quando se sabe que o Hamas ganhou eleições em contraste com a corrupção da Fatah e pela ajuda humanitária que exercia.
P.S. É triste ver como nós "democratas" Ocidentais somos os primeiros a boicotar os mecanismos democráticos e como um Hamas recém convertido do terrorismo para a diplomacia já dá lições na matéria a uma Europa vazia de democracia e cheia de "nadas" materiais.
Outras perguntas pertinentes
Quando será que saem os resultados dos maravilhosos estudos sobre a energia nuclear levados a cabo pela ordem dos engenheiros?
Não me digam que era só um show mediático para ver se os Tugas engoliam o sapo?
Vitória Vitória...
...mas ainda não acabou a história! Depois de 12 semanas de contestação, os franceses mostraram ao mundo que o povo ainda é quem mais ordena ao encostar Sarkozy, Villepin e ainda Chirac à parede (e ainda tiveram tempo de lhes apertar os órgãos reprodutores)! Logo pela manhã reuniram-se estes "três da vida airada" e a saída (que lhes era apontada há várias semanas pelos cidadãos que saíram à rua) foi retirar o putrefacto CPE. Pode-se agora respirar um ar mais despoluído, no entanto a expressão usada pelo "trio maravilha" não foi "retirar" o CPE mas sim "substituí-lo por um documento que favoreça a inserção social dos jovens em dificuldades". O que vale é que os francíus não dormem em serviço e as organizações sindicais prometem continuar com as manifs enquanto não souberem do que trata este novo texto (com estes não fazem farinha)! Enquanto espero com ansiedade o desenrolar dos próximos capítulos faço um apelo aos que lerem este post: se mostrarmos aos nossos governantes "quem é que veste as calças" talvez os consigamos pôr mais na linha mesmo que os tenhamos eleito democraticamente! Como diria John Lennon "You may say I'm a dreamer/But I'm not the only one/I hope someday you'll join us/And the world will live as one"!
sexta-feira, abril 07, 2006
A propósito da CNN
Vejam este vídeo em que um homem furioso ataca ferozmente o presidente Bush. Ou seja vejam o vídeo e depois comparem com o título:
"Angry American scolds president"
Ao que parece um abraço entre duas crianças é algo extremamente pecaminoso ou pelo menos pode induzir ao pecado. Nesta escola parece estar a ser feito um combate à homossexualidade reprimindo as minímas manifestações de afecto entre crianças do mesmo sexo:
"Five-year-hold in hot water over hug"
"Angry American scolds president"
Ao que parece um abraço entre duas crianças é algo extremamente pecaminoso ou pelo menos pode induzir ao pecado. Nesta escola parece estar a ser feito um combate à homossexualidade reprimindo as minímas manifestações de afecto entre crianças do mesmo sexo:
"Five-year-hold in hot water over hug"
quinta-feira, abril 06, 2006
Cegueira selectiva
Mais um rapaz que não se contêm na sua perspectiva onanista e maravilhada de um ocidente que salva uma nação perdida. Esta argumentação é típica e a razão pela qual a imprensa anda pelas ruas da amargura no que diz respeito a qualidade, qualquer pessoa percebe a estratégia do opinador, trata-se de estupidificar e diabolizar a dissidência.
Aliás, se lido com leveza eu seria capaz de me revoltar contra mim mesmo, porque aparentemente pessoas como eu só querem o pior para o Iraque.
"Passados três anos sobre o início da intervenção, talvez fosse a boa altura para aqueles que passam o tempo a antecipar eventos apocalípticos que não ocorrem se questionarem sobre a credibilidade que se lhes pode atribuir. Isso ajudaria toda a gente a perceber que aqueles que seguem a narrativa do "atoleiro", da "resistência" e da "guerra civil" não estão a fazer o relato do que acontece nem estão a analisar. Estão apenas a tentar, através de métodos próprios da feitiçaria, que as suas palavras se transformem em realidade."
Luciano Amaral sofre daquilo a que eu chamo de cegueira selectiva ou o mais comum "só vê o que quer ver". Isto porque este constata que não existe nenhuma guerra civil no Iraque ou seja os inúmeros atentados quase diários não são motivo de alarme porque ainda não surgiu no horizonte vocabular as duas palavrinhas mágicas: guerra civil. Portanto se não o dissermos é como se tudo estivesse bem, as 100 mil mortes são apenas danos colaterais e os mortos resultantes de atentados e execuções são quezílias domésticas. Mas não se preocupem porque guerra civil não há e mesmo que houvesse as palavrinhas ainda não circulam nos meios de comunicação e isso é o equivalente a não existir.
A frase seguinte recuso-me a comentá-la mas fica o registo para apreciarem. Sabendo que ser professor universitário não nos concede honestidade intelectual e infelizmente esta também não se adquire por osmose, caso contrário eu oferecia de bom grado uma tina de água com honestidade intelectual dissolvida, sem me preocupar com a concentração da mesma visto que perante a ausência de honestidade intelectual qualquer meio contendo honestidade intelectual é mais concentrado.
"Ou talvez preferissem a "paz" saddamita, sob a qual se estima que tenham morrido cerca de 700 mil pessoas. Segundo a agência americana Iraq Body Count, morrem hoje naquele país, em média, cerca de 30 pessoas por dia. Mais uma vez, como diz Mark Steyn, mesmo se tomarmos por verdadeiros esses números de fonte suspeita (a Iraq Body Count pretende o fim da presença americana no Iraque), ainda fica uma margem de centenas de milhares de mortos para que a ocupação atinja a mesma eficácia genocida da situação anterior. Ou talvez preferissem que Saddam não tivesse sido deposto e continuasse a ameaçar o Koweit, a Arábia Saudita, o Médio Oriente e, logo, o Ocidente, e que não tivesse havido três eleições e a redacção de uma constituição aceitável sobre a qual é possível pensar em construir um regime consensual."
Já agora veja-se o quão insuspeito é Mark steyn, tendo em conta que ele tem um livro chamado "The CNN´s cold war" em que este visa a "mania da perseguição levada a cabo" pela CNN.
"O Iraque actual não é, de facto, a sétima, nem sequer a sexta, maravilha do mundo, mas tem muitas vantagens sobre o antigo."
Que rapaz modesto, eu ouvi dizer que lá os passarinhos cantam e as criancinhas correm alegres nos jardins.
Enfim, de facto o ensino deve estar mesmo mal, porque veja-se este professor universitário que não consegue exercer uma opinião sobre política internacional sem sair do registo do "gajo de Alfama". Opinação directa, simples, sem grandes porquês, sem se analisar a si mesmo, considerando qualquer dissidente uma fonte suspeita e os seus "compadres" íntegros analistas da situação internacional. Se calhar eu tinha mesmo razão, o sucesso do ensino está em mostrar ao aprendiz como não ser (não quero generalizar mas já o fiz, não foi?).
quarta-feira, abril 05, 2006
terça-feira, abril 04, 2006
A Cabovisão a dar bons exemplos!
Pois é! Recebi hoje mesmo na caixa de correio este belo panfleto desdobrável da Cabovisão que publicita os serviços desta companhia. Mas qual não foi o meu espanto ao ver esta parte e ler o slogan "Internet de Banda Larga para download de qualquer banda"! Então os downloads de música (tirando os do Itunes) não são ilegais? Até li AQUI que há uma perseguição a esta gente mefistofélica! É caso para dizer: quando são as próprias empresas de fornecimento de serviços de Internet a exortar aos downloads, vamos ser nós, meros cidadãos comuns a contrariá-las?
segunda-feira, abril 03, 2006
Aveiro...Hoje (há minutos atrás)
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